Como a penetração da telefonia móvel está mudando a mídia africana

por IJNet
Sep 24, 2012 em Diversos

Nas favelas de Nairobi, muitas pessoas dizem que estão dispostas a pular uma refeição para poder pagar um telefone celular.

"O telefone celular ajuda a otimizar suas vidas a longo prazo através de um acesso melhor a informações e recursos, incluindo a comida", disse Gabrielle Gauthey, vice-presidente executiva da empresa de telecomunicações global Alcatel Lucent. "O acesso à informação tornou-se tão vital como água e eletricidade."

Essa necessidade de informação, juntamente com a rápida urbanização da África, está levando a dramáticas mudanças na forma como as pessoas compartilham e consomem informação na África, de acordo com um novo relatório do Center for International Media Assistance, que citou Gauthey.

Os telefones celulares e outros dispositivos móveis, já comuns, estão se tornando uma plataforma quase universal. A penetração da telefonia celular em algumas cidades africanas já ultrapassa 100 por cento.

"Em 2000, você tinha cerca de cinco milhões de telefones celulares na África. Hoje, temos cerca de 500 milhões", disse Gauthey. "Em 2015, esperamos que sejam 800 milhões. Já 20 a 30 por cento destes telefones tem a Internet ativada. Em 2015, será 80 por cento."

Guy Berger, diretor do setor de liberdade de expressão e desenvolvimento da mídia da Unesco e líder do South African National Editors Forum, previu que os dispositivos móveis irão superar os receptores de radiodifusão como o meio primária do continente.

A mudança de rádio e televisão para telefones celulares e outros dispositivos móveis está criando novos desafios e oportunidades para os meios de comunicação. Tradicionais emissoras internacionais -- como a Voz da América (VOA, em inglês), BBC, Al Jazeera, CCTV da China e SABC da África do Sul -- estão lançando novos serviços com programação totalmente diferente. A VOA lançou um novo programa de jornalismo na África, com centenas de jornalistas-cidadãos treinados enviando reportagens do Congo e criando novos centros de conversação em sites da rede social.

"Estamos nos aproximando às pessoas de uma forma totalmente diferente", disse Gwendolyn F. Dillard, diretora da Divisão da VOA África. A maneira antiga na África era comunal. "As pessoas se definiam em grupos, então a comunicação era direcionada a grupos". Agora, disse ela, os africanos cada vez mais se definem como indivíduos. Portanto, você transmitir para um indivíduo "com um dispositivo móvel no bolso ou bolsa."

O crescimento do celular criou novas oportunidades para a mídia independente também, incluindo novos provedores de notícias, informação, educação, saúde e entretenimento. Também cria novas formas para os cidadãos monitorarem e cobrarem de seus governos, e para os governos chegarem aos cidadãos.

Alguns exemplos destacados no relatório:

  • Hatari permite que quenianos relatem subornos e corrupção por e-mail, texto ou tuite.

  • M-Maji fornece informações em tempo real aos moradores das favelas urbanas sobre custos de água limpa, fornecedores e disponibilidade em todos os celulares.

  • Mimiboard é um serviço de avisos por telefone móvel que ganhou a maioria dos votos este ano no Open Innovation Summit África.

O autor do relatório "Bigger Cities, Smaller Screens: Urbanization, Mobile Phones, and Digital Media Trends in Africa" (em tradução livre, "Cidades Maiores, Telas Menores: Urbanização, Telefones Móveis e as Tendências de Mídia Digital na África") foi o veterano educador de jornalismo e executivo de mídia, Adam Clayton Powell III.

Acesse o PDF do relatório na íntegra aqui.

Foto cortesia de Ken Banks, kiwanja.net