Como o noticiário de TV pode sair da inércia

porMargaret Looney
Mar 6, 2014 em Jornalismo multimídia

Apesar de todas as mudanças chegando ao jornalismo, o noticiário de TV parece estar se agarrando às suas tradições, com suas costumeiras unidades via satélite.

"O noticiário de TV está preso se segurando em seu despropósito ortodoxo", escreveu Jeff Jarvis, professor de jornalismo e blogueiro, em sua série de três partes repensando o telejornalismo.

Citando tomadas triviais de stand-ups em locais de notícias obsoletos, segmentos encenados de assessoria pública no ar sob pretexto jornalístico e a banalização de questões complexas como exemplos de desperdício de recursos pelo meio de comunicação, é claro que Jarvis não é o maior fã do status quo na TV.

"A maioria dos noticiários de TV são uma droga", escreveu na primeira parte de seu artigo. "Mas eu não quero gastar muito tempo com isso."

Em vez disso, ele oferece maneiras de ir além da estática do jornalismo e aponta para as webcams como uma força em potencial.

"Agora, uma webcam é muito mais do que uma câmera barata remota sem [a necessidade de] um caminhão de satélite", escreveu ele na segunda parte onde ele oferece novos modelos e formatos para noticiários de TV. "É uma janela para novos mundos de testemunhas, especialistas, comentaristas e pessoas afetadas pela notícia: novas vozes, novas perspectivas."

Ele sugere a jornalistas fazer uso dos recursos digitais das webcams com Google Hangouts e reportagens da rua. Se estão dando notícias urgentes da rua, ele sugere aproveitar a comunidade vizinha através de entrevistas com moradores no ar em vez de apenas mostrar as cabeças falantes habituais. Ele também propõe deixar que os cidadãos afetados pelo evento façam perguntas aos especialistas. "Há um milhão de câmeras de TV lá fora agora. Há um milhão de possibilidades."

Jornais e revistas que adicionaram vídeo ao seu modelo de conteúdo têm sido aclamados como inovadores, mas Jarvis acredita que a inovação real em notícias em vídeo será " irreconhecível como televisão". A verdadeira inovação vai fazer melhor uso da Web e romper com a forma linear tradicional de contar histórias.

Ele perguntou a Tim Pool, do Vice.com, sobre o futuro das notícias de TV e vídeo não foi a primeira coisa que lhe veio a mente.

"Ele começou a falar sobre pessoas --testemunhas e comentaristas e como encontrar os melhores deles e conectar com eles-- e sobre tecnologia e interfaces de usuário. Daí eu comecei a ouvir o início de uma nova visão para a TV e noticiários em que o vídeo é apenas uma ferramenta a usar."

Para se livrar da conversa reciclada que preenche o ciclo de canais de notícias de 24 horas, Jarvis sugere que veículos abracem um modelo Wikipedia para vídeo online. Sites podem atualizar uma página quando não há mais informações para entregar em vez de criar um novo artigo de conteúdo que é um disco quebrado sobre os mesmos fatos que giram sem parar.

"Imagine se um serviço de notícias online nos oferecesse a promessa de (a) resumir o que se sabe sobre uma notícia que está acontecendo agora, (b) atualizar somente quando algo novo é conhecido e (c) avisar quando isso ocorre, dando a escolha para assistir à última atualização", escreveu ele.

Então, pense num blog ao vivo em forma de vídeo sob um modelo de alerta de notícias semelhante ao do Circa para manter os usuários atualizados.

Para ajudar os usuários a não perder o fio da meada, Jarvis sugere que os veículos mantenham um "armazém de recursos com explicadores e panos de fundo... que podem engajar espectadores e links ao longo do tempo, construindo valor e reputação."

Ele não está sugerindo gráficos extravagantes ou interatividade, mas o modelo de um repórter que conhece bem a notícia e pode explicar a informação de fundo em um segmento separado, aproveitando a capacidade do vídeo para explicar e demonstrar as coisas claramente.

Jarvis também propõe ideias como a introdução de vídeo móvel silenciado com texto grande e acrescentar profundidade às entrevistas.

Mas sua principal mensagem é que está na hora do noticiário de TV tirar do ar os formatos obsoletos de jornalismo.

"Nós precisamos nos livrar da ideia de que a notícia da televisão verdadeira, o noticiário da televisão profissional, deve ter stand-ups e estabelecer tomadas e b-roll ensaiado e transições efervescentes", escreveu ele. "Precisamos acabar com as ornamentações rebuscadas para liberar recursos e tempo para tornar melhor o noticiário de TV, porque ele pode ser."

Margaret Looney, assistente editorial da IJNet, escreve sobre as últimas tendências de mídia, ferramentas de reportagem e recursos de jornalismo.

Via BuzzMachine

Imagem sob licença CC no Flickr via smokeghost