Como manter redações online no mundo em desenvolvimento

porMargaret Looney
May 9, 2013 em Diversos

Sites independentes de notícias em países em desenvolvimento tendem a viver na instabilidade, já que muitas vezes se opõem a um regime corrupto ou trabalham num ambiente de censura. O que publicam atrai tentativas de hacking do governo e espanta os anunciantes.

Oferecer uma solução a este problema duplo de sustentabilidade é o objetivo da Media Frontiers, uma empresa de propósito social da International Media Support, uma ONG dinamarquesa focada em liberdade de imprensa.

A Media Frontiers faz serviços de hospedagem segura e um modelo de publicidade único conduzido por uma cultura de liberdade de expressão. Ajuda redações independentes em países como a Zâmbia, Azerbaijão, Zimbábue, Irã e Síria a abraçarem sua independência e gerarem lucro.

A publicidade é geralmente a principal fonte de renda para os jornais tradicionais, mas os editores de notícias online que trabalham em ambientes hostis de publicação nem sempre têm acesso aos mercados internos de publicidade. Para este problema, a Media Frontiers oferece um serviço chamado Diversity Advertising. O serviço ajuda a gerar renda para essas redações, sem nenhum custo para elas, conectando os editores com anunciantes europeus e norte-americanos que querem alcançar os membros da diáspora e comunidades de minorias étnicas que visitam esses sites para se manterem atualizados com as notícias de seus países de origem.

"Há uma correlação direta entre o grau de restrição da liberdade de imprensa no país e o tamanho da comunidade de diáspora que vive fora do país", disse Thomas Hughes, diretor da Media Frontiers, em entrevista à IJNet.

O serviço também se estende para anunciantes internacionais que querem atingir o público no exterior, mas não sabem como entrar no mercado. A BBC usou o serviço para encontrar o Futebolista Africano do Ano. A maioria desses anúncios, porém, é de serviços de remessas, cartões telefônicos e bancos internacionais.

Como a renda do anúncio impresso segue o paradigma do "dólar analógico para centavos digitais", há mais espaço publicitário disponível. Anunciantes querem segmentar os anúncios para as pessoas relevantes e estão mais interessados ​​no perfil do usuário do que no tamanho da publicação, disse Hughes, criando mais igualdade entre os editores online que tradicionalmente não poderiam competir pelos anúncios impressos de alto custo.

"Há uma mudança muito clara e rápida entre vender publicidade com base na publicação do que com base no público", disse Hughes. "A editora não é mais o ponto central."

Diversity Advertising também entra em cena, quando a maior rede de publicidade do mundo, o Google AdSense, não pode. Sites que publicam em línguas menos utilizadas, como curdo, somali, tamil e azeri, não podem usar essas redes básicas de anúncios, como o Google AdSense, porque a maioria deles depende de publicidade contextual correspondida para combinar palavras na página para um anúncio. A plataforma é capaz de ajustar seu serviço para sites como o Azadliq, no Azerbaijão, um dos maiores sites de notícias independentes no país.

A publicação ideal é uma pequena equipe online jornaística investigativa que está construindo uma audiência sólida, mas falta a capacidade interna de publicidade ou de segurança.

O Zâmbia Watchdog encarna esse ideal, tendo crescido rapidamente em tráfego e geração de renda, a partir de uma parceria com a Media Frontiers. O governo da Zâmbia muitas vezes tentou hackear o site, mas por causa do serviço de hospedagem segura do Media Fontiers, o Virtual Road, o editor Lloyd Himaambo disse que o site resiste a tentativas de hacking quase semanais e ocupa a oitava posição entre os sites mais frequentemente visitados no Zâmbia.

Syria Deeply, um site independente de monitoramento da revolução na Síria, também usa Virtual Road para se manter online.

Com muitos sites buscando inovar na publicidade e paywalls digitais, a forma tradicional de exibição de publicidade pode parecer antiquada para algumas publicações. Mas utilizar paywalls seria "quase desastroso" para esses sites, porque eles não têm força de marca para atrair o número suficiente de assinantes pagantes, Hughes disse.

Os mercados de publicidade nos países em desenvolvimento estão "tomando uma trajetória diferente", disse ele. "Eles estão onde os mercados de anúncios nos EUA e a Europa estavam dois a três anos atrás. Mas estão se movendo no seu próprio caminho e próprio ritmo e vão nos alcançar rapidamente."

Margaret Looney, assistente editorial da IJNet, escreve sobre as últimas tendências de mídia, ferramentas de reportagem e recursos de jornalismo.

Imagem com licença CC no Flickr via darthdowney