Como jornalistas estrangeiros veem a eleição presidencial dos EUA

por Margaret Looney
Nov 7, 2012 em Temas especializados

É dia da eleição nos Estados Unidos e os resultados são: seja entrevistando uma pessoa em cima do muro, um militante democrata ou fervoroso republicano, não há imersão melhor em cobertura política americana do que cobrir um estado decisivo que pode tender para um partido ou o outro.

Postados em estados estratégicos, 50 jornalistas estrangeiros -- entre eles o brasileiro Luiz Fernando Andrade da rádio CBN -- estão trabalhando para suas organizações de notícias e blogando ao vivo sobre as eleições presidenciais americanas, como parte do Programa Eleições 2012 de Jornalistas Visitantes do Centro Internacional para Jornalistas.

A IJNet perguntou aos jornalistas como é ser um repórter estrangeiro cobrindo um estado decisivo:

Tarek Mrad, jornalista da rádio Express FM na Tunísia

A cobertura da transição democrática de seu país em 2010 permitiu a Mrad detectar em Kent, Ohio, algumas semelhanças no processo.

"Estou bastante certo de que é tão difícil aqui como na Tunísia lutar contra rumores, alegações falsas e figuras enganosas", disse ele. "Estou impressionado que a mídia aqui tem um grande impacto na opinião pública e que um simples debate pode mudar o jogo para um candidato."

Sua experiência anterior cobrindo as eleições o levou a fazer perguntas instigantes a seus anfitriões na rádio pública WKSU. "Porque eu venho de um ambiente diferente, minhas perguntas lhes ajudaram a repensar algumas evidências e a rever certos eventos através de um ângulo diferente", disse ele.

Nicole Best, repórter da Caribbean Media Corporation em Granada

Best está passando o dia da eleição com a equipe do jornal Miami Herald visitando o maior número possível de lugares para tentar capturar o clima do dia.

"Eu quero poder falar com as pessoas antes de irem votar para saber o que estão sentindo. Eu quero falar com as pessoas depois de terem votado, para entender por que votaram da maneira que votaram."

O clima atual na Flórida é "bastante nervoso", disse Best.

"Nesta fase, os votos podem oscilar em qualquer lugar... podemos ver todos os tipos de desenvolvimentos nos dias seguintes à eleição. Podemos ver o estado da Flórida não ter um vitorioso na noite das eleições... podemos ver recontagens de votos no estado," ela especulou.

Mas sua reportagem não se concentrou apenas nas manobras políticas. O ponto mais alto da sua viagem até o momento foi "entrevistar um grupo de estudantes que estavam marchando em vestidos pretos, corsages rosas e fita adesiva rosa nos lábios, para incentivar o público a votar."

Paul Filippov, jornalista da rádio Komsomolskaya Pravda na Rússia

Trabalhando ao lado de repórteres da New Hampshire Public Radio em Concord, Filippov também estava ansioso em capturar o fervor político na sua cobertura.

"É definitivamente excitante -- poder cobrir uma história como esta, ser capaz de testemunhar a notícia enquanto acontece, ter a oportunidade de ver aqueles para quem as pessoas dão seus votos", disse ele. "E isso também tem sido muito útil respirar o mesmo ar da nação, sentir seus altos e baixos e entender no que as decisões dos cidadãos se baseiam.

Foto usada com licença CC no Flickr via DonkeyHotey