Como dar mais visibilidade a comunidades ignoradas pela mídia

por Sam Berkhead
Sep 28, 2015 em Diversidade

Um repórter do Los Angeles Times, Dexter Thomas Jr., fez uma observação perspicaz durante o painel "Black Twitter and Beyond" na conferência da News Online Association esse ano -- e é uma declaração que reflete um problema maior de diversidade em toda a indústria de jornalismo hoje.

"Temos um segmento muito diverso da conferência aqui", Thomas disse, "mas há um monte de gente branca que deveria estar nesta sala agora, e não está."

"Acho que isso diz alguma coisa", continuou ele. "Isso quer dizer que ainda estamos [lutando] contra algo grande, porque há um monte de gente que não está muito preocupada com o que estamos falando nesta sala agora... Não é que falta talento lá fora. É que não há oportunidades e interesse. As pessoas não acham que isso é uma grande coisa."

No painel, Thomas e a fundadora da ALL DIGITOCRACYTracie Powell, lideraram uma conversa sobre como trazer vozes pouco representadas para a mídia.

"As melhores organizações de notícias não vão ter apenas uma pessoa de cor na redação, mas esse é o caso na maioria das vezes", disse Powell. "Tenha uma força de trabalho que seja um reflexo das comunidades que você está tentando cobrir."

(Se vozes diversas não estão nas tomadas de decisões jornalísticas, as redações vão enfrentar desafios das comunidades pouco representadas)

Além disso, é crucial para os repórteres fazerem conexões e ganharem a confiança das pessoas em suas comunidades continuamente, em vez de esperar uma crise acontecer para começar a cobrí-las.

"Esteja nas comunidades antes que aconteça uma crise, conheça as pessoas nas comunidades e não deturpe as pessoas. Comece por aí, a fim de ganhar essa confiança", disse Powell. "Vá para a rua e reporte sua comunidade."

Por causa da falta de jornalistas de grupos minoritários nas redações, muitos estão encontrando maneiras de contar suas histórias online.

"A mídia social está acendendo uma conversa, levantando uma narrativa e cobrando da mídia tradicional", explicou Tanzila Ahmed, cujo podcast #GoodMuslimBadMuslim envolve a geração do milênio muçulmana com perspectivas honestas e interessantes.

Tanzila citou, como um exemplo, a recente história de Ahmed Mohamed, um rapaz muçulmano de 14 anos que foi preso depois que um professor confundiu seu relógio caseiro com uma bomba. 

"Nessa situação, a grande mídia não teria pego [a história], se não fosse pelo Twitter", disse ela. "A comunidade já está fazendo sua própria notícia. Se algo está acontecendo, eles estão falando sobre isso e a mídia capta mais tarde."

O mesmo é verdadeiro em grande parte para a comunidade latina, disse Sharis Delgadillo, apresentadora do Latino Rebels Radio. Latinos são capazes de expressar seus próprios diálogos internos através da mídia social e é uma expressão orgânica de suas diferentes realidades, disse ela.

"A geração do milênio e latinos nos EUA estão mais conectados do que em qualquer outro lugar", disse Sharis. "[A web é] onde eles interagem, participam e moldam a opinião. É onde encontram as notícias que o noticiário da noite não mostra. Por outro lado, há uma diferenciação na linguagem, onde muitos imigrantes de língua espanhola nos EUA normalmente vão para as emissoras da mídia corporativa conglomerada, como a Univision, que são vistas como uma fonte confiável para notícias sobre imigração e América Latina."

Enquanto as oportunidades para os latinos e muçulmanos expressarem suas histórias online abundam, ainda é difícil para estas duas comunidades conseguirem a mesma atenção por parte da mídia.

"A estrutura [da mídia tradicional] é muito de cima para baixo, muito corporativa", disse Sharis. "Parece que estamos sendo comercializados em vez de empregados. Em vez de nós podermos trazer as nossas histórias para a mesa, é muito 'top-down', e está sendo fabricado para nós."

Contudo, às vezes há janelas de oportunidade para contar histórias autênticas, Sharis acrescentou, "mas você ainda tem que quebrar os tetos de vidro."

Para assistir à conversa inteira, confira este vídeo (em inglês).

Imagem cortesia de @KennethWareJr no Twitter