Como as Chicas Poderosas fortalecem a mulher no jornalismo e tecnologia na América Latina

porMariana Santos
Jul 17, 2013 em Diversos

Trabalhar em redações com uma equipe multidisciplinar de colaboradores, jornalistas e designers se tornou a minha vida diária quando eu fazia parte da equipe Guardian Interactive nos últimos três anos.

Isso começou com o meu ex-chefe, Alastair Dant, que teve a visão não só de iniciar a equipe Guardian Interactive, mas que reconheceu a necessidade de colocar uma mulher em uma posição de destaque em sua equipe. Isso mudou a minha vida. Ele me deu a oportunidade de trabalhar com um gênio e de ver que ser mulher realmente fazia diferença em nosso ambiente de trabalho diário. Durante esse tempo, criamos notícias usando tecnologia de ponta e uma atitude disruptiva para com a comunicação.

Isso me fez querer compartilhar essa experiência com outras mulheres. Sinto que as mulheres, especialmente no mundo latino são as primeiras a cortar nossas próprias asas e impedir-nos de sonhar grande e de acreditar que podemos ir longe em nossas carreiras. Eu não tenho certeza se é devido a humildade ou falta de confiança, ou talvez até mesmo uma overdose de expectativas e uma obsessão com a perfeição! Nossa sociedade faz isso o suficiente, tornando mais difícil para a mulher chegar à frente na gestão de alto nível e em alguns trabalhos técnicos. Acredito que precisamos ser as primeiras a acreditar em nós mesmos.

É por isso que estou lançando as "Chicas Poderosas" ("Mulheres Poderosas") na América Latina, como parte da minha bolsa do Knight International Journalism Fellowship do ICFJ. Estou convidando os melhores profissionais com quem trabalhei para a mesma mesa, para que possamos compartilhar nossas histórias sobre como chegamos onde estamos e como é possível para qualquer garota chegar onde ela quer bem.

Vamos compartilhar algumas ferramentas e processos que são específicos para os papéis que estamos a falar: a mineração de dados, "scraping" (raspagem), desenvolvimento de recursos interativos, técnicas de investigação, técnicas de narrativa visual e muito mais.

No entanto, principalmente pretendemos reunir um grupo de gente que não se conhece, com diferentes habilidades, a fim de trabalharem juntos, abraçarem a mudança e celebrarem a possibilidade de desenvolver novas histórias. Essas histórias podem ser interativas, animadas ou simples visualizações de dados, usando todas as habilidades ensinadas pela equipe, onde as participantes aprendem como desenvolver um processo onde todos contribuem para um produto melhor.

O outro objetivo das Chicas Poderosas é iniciar uma rede onde as pessoas podem se manter em contato, continuar a desenvolver e continuar a compartilhar conhecimentos.

As Chicas Poderosas pretendem iniciar um capítulo em cada país latino-americano com as representantes que atuarão como embaixadoras difundindo o conhecimento e a filosofia de abraçar o trabalho em equipe, acreditando em mulheres que podem fazer uma mudança no ambiente técnico nas redações. A ideia é capacitar as mulheres para que acreditem em si mesmas e para o trabalho duro. Queremos fortalecer essa atitude, um espírito empreendedor, pró-ativo... para fazer mais e falar menos!

Chegamos à conclusão de que o objetivo de "perfeição" é inimigo do "ótimo", pois às vezes ser muito detalhista nos leva a não fazer coisa alguma se achamos que não será incrível. Acredito que às vezes precisamos nos permitir fazer algo, mesmo que não seja perfeito. Podemos dizer que, pelo menos tentamos! E se aprendemos com a falha, então podemos sempre lançar uma versão 2.0!

Este post foi publicado originalmente no site do Global Voices.

Mariana Santos é uma jornalista visual e fundadora das Chicas Poderosas, como parte de sua bolsa do Knight International Journalism Fellowship.

Foto cortesia de Mariana Santos