Coleção de fotojornalismo da National Geographic destaca vida cotidiana de mulheres

porTaylor Mulcahey
Nov 9, 2019 em Jornalismo multimídia
Três garotas de quimono com flores de cerejeira.

A fotografia não é um complemento para um bom jornalismo. É uma maneira de contar histórias que palavras não conseguem contar.

A National Geographic fez seu nome fazendo exatamente isso, fornecendo desde a sua fundação em 1888 um registro visual da vida no planeta Terra. No entanto, esse registro nem sempre foi preciso, pois as mulheres eram frequentemente deixadas de fora da narrativa.

Recentemente, a National Geographic publicou uma coleção de fotos para criar um novo registro. Intitulado "Women: The National Geographic Image Collection", o livro fotográfico mostra 130 anos da vida cotidiana de mulheres em todo o mundo.

"Nossa ideia era documentar a experiência feminina em todas as esferas da vida", disse Hilary Black, editora executiva da National Geographic. "A gente se deu conta que o 100º aniversário da Lei de Sufrágio está chegando no segundo semestre de 2020, o que despertou nosso pensamento de dedicar um livro inteiro sobre a experiência de mulheres em todo o mundo."

As mulheres nas fotografias são tão diversas quanto suas experiências. De meninas japonesas posando com flores de cerejeira a um grupo de dançarinas se maquiando no Butão, as imagens são organizadas em torno de temas comuns de alegria, beleza, amor, sabedoria, força e esperança.

Women apply makeup before filming a dance sequence for a movie
Mulheres aplicam maquiagem antes de filmar uma sequência de dança para um filme. Crédito: Lynsey Addario.

 

“Quando criança, eu admirava mulheres bonitas, mas elas eram vulneráveis, frágeis e precisavam ser salvas, como as princesas nos castelos de contos de fadas que eu lia e assistia. Eu raramente pensava em mulheres como indivíduos ou líderes fortes que eram realmente capazes de se salvar. Mas a realidade sempre foi diferente”, disse Rena Effendi, cuja fotografia de duas primas a caminho de um casamento na Romênia aparece na coleção.

Não apenas a coleção serve como testemunho da diversidade das mulheres, mas também um registro das mudanças na sociedade. "As fotos iluminam o que costumava ser chamado de "lugar de mulher" — um conceito que está mudando diante de nossos olhos", escreveu Susan Goldberg, editora-chefe da National Geographic Magazine, na introdução.

Entrevistas com mulheres influentes, incluindo Oprah Winfrey, Emma Gonzales e Sylvia Earle, estão presentes em toda a coleção. Elas acrescentam um elemento moderno à história contada nas fotos, traçam paralelos entre as maneiras pelas quais as mulheres são retratadas em imagens e a maneira como elas se veem operando no mundo.

"No meu trabalho, estou documentando e comemorando mulheres líderes — pessoas corajosas e resistentes que superaram traumas indescritíveis, mas cujo espírito permaneceu forte", disse Effendi. “Elas não são celebridades ou personalidades públicas. São mulheres comuns."

Cousins are on their way to a wedding in Sat Sugatag, Maramures, Romania.
Primas estão a caminho de casamento em Sat Sugatag, Maramures, Romênia. Crédito: Rena Effendi.

 

À medida que mais mulheres trabalham como fotógrafas e fotojornalistas, mais mulheres são representadas nas fotos publicadas. Fotógrafas como Jodi Cobb, fotógrafa da National Geographic há mais de 30 anos, lançam luz sobre o mundo invisível das mulheres.

Cobb, que tem muitas imagens na coleção, é conhecida por sua fotografia de direitos humanos e por ser uma das primeiras fotógrafas a mostrar o mundo secreto das gueixas japonesas e das mulheres da Arábia Saudita. "Elas provavelmente nunca haviam sido fotografados antes porque essas histórias só podiam ser feitas por uma mulher", disse Cobb.

A woman reads a card designed as a newspaper.
Uma mulher lê um cartão desenhado como um jornal. Crédito: Jodi Cobb.

 

Embora haja mais mulheres trabalhando em fotojornalismo do que antes, o campo ainda é dominado por homens. Na pesquisa World Press Photos 2018 State of News Photography, por exemplo, mais de 80% dos 1.018 participantes eram homens. No entanto, fotógrafas, como Effendi e Cobb, entraram na indústria, criando ondas que desafiam anos de status quo. À medida que continuam fazendo isso, as imagens que vemos mudam com elas.

Iniciativas como Women Photograph, Diversify African Photojournalism Database, entre outras, estão trabalhando para aumentar a diversidade na fotografia e fotojornalismo e, por extensão, retratam melhor as realidades do mundo.

“Um dos pontos principais foi mostrar como as fotojornalistas contam a história das mulheres. É por isso que temos tantas fotos bonitas de Lynn Johnson, Erika Larsen e Lynsey Addario, Jodi Cobb, Kitra Cahana e Nina Robinson”, disse Melissa Farris, diretora criativa da National Geographic. "As mulheres estão há anos contando histórias e se concentrando em questões que afetam as mulheres; elas têm um acesso que às vezes os fotógrafos masculinos não conseguem e têm uma perspectiva realmente única."


Crédito da imagem principal: Eliza Scidmore

Reportagem adicional: Andria Moore