Cobrindo eventos esportivos globais através de uma lente não esportiva

porTaylor Mulcahey
Jul 30, 2018 em Temas especializados

Quando a Alemanha derrotou a Argentina na Copa do Mundo de 2014, cerca de 900 milhões de pessoas em todo o mundo estavam assistindo. Para a final deste ano, espera-se que tenha alcançado o mesmo número de 2014. De acordo com dados preliminares, o Twitter registrou 115 bilhões de impressões durante o evento.

Esse aumento na audiência se traduz em uma grande oportunidade para os repórteres esportivos capitalizarem seu público global. Há jogos para cobrir, estatísticas para reportar e um grande público ativo online, ansioso para discutir a ação.

Se você trabalha para uma editoria não esportiva, a Copa do Mundo pode parecer uma distração das notícias que você geralmente cobre. No entanto, nas últimas semanas, a IJNet destacou matérias de cada editoria - de gênero, política, migração e muito mais - todas contadas através das lentes dos jogos. Também pedimos aos nossos leitores que compartilhassem seus exemplos.

Judit Alonso, uma jornalista freelance espanhola que cobre meio ambiente, escreveu uma matéia para a Deutsche Welle sobre uma iniciativa de biodiversidade na Colômbia, de uma organização local, o Instituto Humboldt. O artigo foi publicado imediatamente após a última partida colombiana, juntando-se ao súbito aumento no interesse da mídia alemã pelo país.

“Quando todos estão focados nos resultados do futebol, uma nova lente pode quebrar essa rotina”, diz Judit. "Pode ser mais atraente para pessoas que não estão tão interessadas em esportes, mas em outros tópicos."

Mas quando há tanta coisa acontecendo, como você pode encontrar essas novas ideias para uma matéria?

Para Judit, que não teve a oportunidade de viajar para o evento, a chave é ser experiente nas redes sociais. Ela recomenda seguir hashtags e contas populares nacionais e internacionais, mas também explorar as contas e atividades de pequenas organizações locais.

Provavelmente você não será o único a tentar vincular seu trabalho aos grandes eventos esportivos que ocorrem em todo o mundo. Organizações da sociedade civil local também aproveitam o evento --e o subsequente turbilhão da mídia-- para compartilhar sua mensagem, como foi o caso do Instituto Humboldt.

“Nesta enxurrada de informações, onde é difícil encontrar novas histórias, seguir as mídias alternativas e as organizações da sociedade civil podem oferecer uma outra visão que escapa da mídia tradicional”, diz Judit.

Se você tiver a chance de visitar um evento, não deixe que o interesse no esporte o atrapalhe, aconselha Seth Berkman, um jornalista esportivo freelance que escreve principalmente para o New York Times e cobriu as Olimpíadas de Inverno de 2018 em Seul.

"As melhores histórias que saem desses eventos são aquelas que não têm nada a ver com os jogos", diz Seth.

Ele também sugere participar desses eventos sem uma agenda específica, permanecendo flexível sobre quais tópicos você gostaria de abordar, já que o afluxo de jornalistas em eventos pode criar um desafio para aqueles que tentam produzir matérias únicas.

"Se você vai às Olimpíadas ou à Copa do Mundo e tem em mente cinco ou seis matérias, é provável que alguém já tenha pensado nelas", diz Seth. “Vá até lá e tire um dia ou dois para observar a paisagem e andar por aí. Parece clichê, mas as histórias começarão a chegar até você.

A conglomeração de jornalistas também é uma ótima oportunidade para interagir com colegas de todo o mundo. Você pode se conectar para trocar ideias e planejar colaborações.

“Uma coisa que notei nas Olimpíadas foi que as autoridades locais e o governo foram muito prestativos”, diz Seth, “sempre dando ideias de histórias sobre a área local e dispostas a ajudar com qualquer coisa, sejam informações, estatísticas ou entrevistas.”

Barreiras linguísticas podem representar um desafio, mas isso não deve impedir você de entrar em contato com a comunidade local. Eles têm uma riqueza de conhecimentos e querem aproveitar a oportunidade para chamar a atenção para suas questões. Em grandes eventos como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo, a saturação da mídia quer dizer que tradutores também estarão por perto.

Pode haver quatro anos até a próxima Copa do Mundo da Fifa, mas as mulheres ocuparão o centro do palco no ano que vem na França. Independentemente de você gostar ou não de esportes, não se isole das histórias que estão esperando para serem contadas.

Imagem sob licença CC por Unsplash via Sam Wermut