Cinco lições do presidente da Vox Media no #isoj14

porMaite Fernandez
Apr 15, 2014 em Jornalismo digital

O Simpósio Internacional de Jornalismo Online em Austin foi aberto por Jim Bankoff, presidente da Vox Media, uma das empresas de mídia digital mais quentes hoje em dia.

Vox Media, a editora online por trás da SB Nation, The Verge e Polygon, chamou a atenção desde quando Ezra Klein, que criou o popular Wonkblog, saiu do Washington Post para começar seu empreendimento próprio dentro da Vox. (O site Vox.com foi lançado semana passada.)

O império digital teve um dos crescimentos mais rápidos de 2013, atraindo 72,9 milhões de visitants únicos a todas as suas marcas reunidas. A Vox gerou mais de US$70 milhões em capital.

Na sua palestra inaugural, Bankoff deu alguns insights sobre como ele vê contratações, o que a mídia digital precisa fazer para sobreviver e por que a tecnologia não pode ser uma mera consideração. Aqui estão alguns destaques:

Para expandir, as marcas precisam controlar seu destino tecnológico

Uma das coisas que gerou elogios à Vox Media é a tecnologia por trás dela. Seu sistema de gerenciamento de conteúdo customizado, Chorus, que alimenta todos os sites da empresa, integra todas as ferramentas necessárias para a publicação na Web.

"A brincadeira é que Chorus é um unicórnio com um gatinho nas costas. As pessoas pensam que é um sistema mágico que conserta tudo", Melissa Bell da Vox disse ao New York Times em um artigo sobre o lançamento do site.

Apelidado de "pilha de mídia moderna" (o pessoal da Vox não quer nem chamá-lo de CMS), Chorus foi projetado para romper com os sistemas de publicação tradicionais e suas limitações a partir do zero.

"Livres do processo de publicação bizantino de empresas de mídia tradicional e com o nosso DNA de blog nativo à Web, estamos evoluindo rapidamente a pilha para definir as expectativas mais elevadas dos redatores, leitores e membros engajados da comunidade", segundo o anúncio de lançamento da empresa em 2012.

A Vox Media se concentra fortemente em tecnologia, e Bankoff tem um motivo forte. "As empresas de mídia que querem expandir precisam controlar seu destino tecnológico", disse ele durante sua palestra.

Essa é também uma das razões pela qual a Vox Media foi capaz de tirar Ezra Klein do Washington Post. Nesse mesmo artigo do New York Times, Klein disse que a Vox tinha as ferramentas que ele e sua equipe estavam à procura para criar seu novo empreendimento.

Da mesma forma, Bankoff recomendou que as editoras digitais não sejam muito dependentes da plataforma.

Marcas digitais precisam ter autoridade

Na Web, onde todos têm uma voz e um megafone, Bankoff argumenta que ter uma marca específica é mais eficaz do que ter seções gerais em um domínio. Essa é a estratégia por trás do sucesso da Vox Media, com sites como o SB Nation, que é dedicado ao esporte, e Polygon, que cobre a indústria de jogos.

A cultura hacker encontra o jornalismo

Para Bankoff, a chave do sucesso é contratar pessoas talentosas e dar as ferramentas adequadas para a produção de grandes matérias. "Use a tecnologia, use os talentos e use a distribuição para torná-los incríveis", disse ele.

As pessoas talentosas são aquelas que não esperam que uma oportunidade cheguem a elas: elas começam a construir coisas por conta própria, sem pedir permissão, assim como Mark Zuckerberg não pediu permissão quando construiu o Facebook, disse ele.

Os melhores contadores de histórias da Web são pessoas apaixonadas que estariam fazendo isso em seu tempo livre, mesmo se não estivessem empregadas para trabalhar em uma redação, disse ele.

Ele se refere a jornalistas nativos da Web como "hackers da mídia". Se eles não nasceram com a Web, pelo menos, dedicaram suas carreiras a ela , disse ele. "É nossa tarefa procurar essas pessoas e apoiá-las."

"Nós temos que abraçar a cultura do pensamento multidisciplinar, em que a cultura hacker do mundo da tecnologia encontra a cultura do jornalismo."

Para os editores de conteúdo, o melhor está por vir

Ainda há esperança para jornalistas online e marcas digitais, a julgar pela explicação em três fases de Bankoff sobre a história da publicação de conteúdo na Web.

Na primeira fase, "embarcando na Web ", a presença de empresas de mídia na Internet não era levada muito em conta, mas era vista como lugar para descarregar conteúdos sem qualquer estratégia. Havia uma falta de inovação. E obviamente, não funcionou.

Na segunda fase, "a corrida para o último lugar", os editores se apressaram para tornar a produção de conteúdo online mais barata e eficiente, aproveitando-se de estagiários e colaboradores, ele explicou. Editores de notícias eram obcecados com o algoritmo do Google. O resultado era conteúdo que faltava qualidade (por exemplo, listas e apresentações de slides) e não fazia um bom trabalho em atrair anunciantes.

"Como anunciante de uma marca, você não vai gastar um monte de dinheiro para estar ao lado de conteúdo em que você não confia", disse Bankoff.

Na terceira fase, a "corrida para o primeiro lugar", editores investem em conteúdo de qualidade e inovam. Novas marcas modernas que são importantes para os consumidores tomam conta da cena. O conteúdo de qualidade começa a atrair popularidade, as assinaturas digitais sobem, bem como a receita de anúncios. "Mesmo o algoritmo do Google está começando a premiar a qualidade e profundidade."

Ao ser perguntado se a Vox é rentável, Bankoff respondeu que "eles estão pagando seus gastos", esperando ser rentáveis em breve. Das sete marcas sob a Vox, seis são rentáveis.

A diversidade ainda é um problema para os novos meios de comunicação

A diversidade no jornalismo ressurgiu como um tema quente nas últimas semanas, e os novos queridinhos da mídia FiveThirtyEight e a Vox têm sido criticados por não contratarem uma equipe diversificada. Embora ele não tenha mencionado isso em sua apresentação, Bankoff abordou essa questão quando uma mulher na plateia perguntou qual a estratégia que ele usaria para se certificar de que a Vox Mídia vai contratar minorias.

O presidente da Vox Media respondeu que, para alcançar a diversidade, as empresas precisam ser assertivos na contratação, procurando pessoas de cor talentosas e fazer estrelas delas.

"Esse é um trabalho que temos que fazer", disse ele. " Temos que fazer mais parte da comunidade."

Vídeo do lançamento da Vox.com

Imagem: Slide da apresentação de Bankoff, cortesia de Eduardo Suárez (@eduardosuarez).

Maite Fernández é a editor-chefe da IJNet. Ela é bilíngue em inglês e espanhol, e mestre em jornalismo multimídia pela Universidade de Maryland.