Biblioteca de som online moderniza o áudio para a era digital

por Jessica Weiss
Dec 19, 2013 em Diversos

Jornalistas que trabalham com som gravado sabem como é penoso pesquisar horas e horas de áudio para encontrar o clipe certo para uma matéria. Em seguida, vem a tarefa demorada de transcrever e, mais tarde, descobrir onde você guardou tudo.

Um novo projeto chamado Pop Up Archive torna o trabalho do jornalista de rádio na era digital um pouco mais fácil. A biblioteca de som faz com que seja possível ao usuário armazenar, pesquisar, acessar e reutilizar arquivos de áudio na Web.

Os fundadores do projeto vencedor do Knight News Challenge, Anne Wootton e Bailey Smith, encontraram-se em 2011 na Faculdade de Informação da Universidade da Califórnia-Berkeley, onde decidiram ajudar produtores de rádio a digitalizar e acessar o conteúdo antigo. Seu projeto evoluiu em um sistema de arquivo livre de fonte aberta para conteúdo de transmissão. Inclui um arquivo em expansão de milhares de horas de som pesquisáveis de produtores de mídia e coleções de história oral. O site vai trabalhar em breve com áudio em espanhol também.

Wootton recentemente conversou com a IJNet sobre como jornalistas podem usar o Pop Up Archive.

IJNet : Qual é o principal problema que a maioria dos jornalistas enfrenta no armazenamento de áudio?

AW: Não é uma questão de o que salvar , porque o armazenamento digital está ficando cada vez mais barato. É uma questão de como encontrar conteúdo, depois de tê-lo digitado.

Ninguém gosta de organizar de antemão, então os arquivos de áudio acabam esquecidos em discos rígidos e servidores. E daí, até que ponto podemos nos proteger de um disco rígido que se torna extinto? Hoje, é mais fácil de perder um arquivo WAV que uma fita cassete. Então, como podemos ter um melhor acesso a esses formatos de mídia? Para onde vai a matéria-prima e como podemos reutilizar esse material?

IJNet : Como o Pop Up Archive pode ajudar?

AW: Se você tem uma conexão com a Internet, pode arrastar e soltar qualquer arquivo . Se deseja armazenar informação publicamente, é tudo de graça. Se precisa para armazenar o material privadamente, você pode fazer isso também. [Cada usuário recebe duas horas livres, com opções de planos pagos]. Além disso, o armazenamento é feito de forma significativa através de uma variedade de serviços e ferramentas.

Nossa tecnologia pega um arquivo de áudio e "ouve" o material, categorizando-o e marcando o tempo, tornando-o pesquisável ​​por palavras-chave. Enviamos para um serviço online que transcreve automaticamente o som através de algoritmos complicados para reconhecê-los e dar uma nota de confiança, e então enviar a transcrição e uma "pilha de palavras" para outros serviços que retiram o significado mais semântico --como nomes, lugares, temas sujeitos ou nomes de jornais. Recomendamos esses termos como tags (etiquetas) que você pode aprovar ou rejeitar.

Utilizando os serviços online, arquivos de som são perfeitamente carregados no Arquive.org para preservação permanente e os produtores têm a opção de compartilhar seu conteúdo através do SoundCloud para o consumo público.

É interessante notar que a transcrição automática é boa como base de referência, em vez de pagar um custo significativo, mas a precisão pode variar amplamente. Se você quiser alguns refinamentos na sua transcrição, especialmente se o material é de importância cultural, fizemos parcerias com a plataforma Amara, uma organização sem fins lucrativos que tem feito muito trabalho com legendagem de vídeo.

JNet : Como um jornalista pode usa o Pop Up Archive?

AW: Após realizar entrevistas, você pode carregar e organizar o áudio por pessoa ou assunto e criar o que chamamos de uma "coleção". Você vai ganhar uma transcrição automática para cada arquivo, com ajudas para busca em torno dela. Pode dar um nome a cada arquivo e adicionar dados ou campos adicionais, como o nome do entrevistador ou detalhes sobre o local da entrevista. A transcrição é processada em tempo real (se são 30 minutos de áudio, fica pronta em 30 minutos), em que os primeiros minutos parecem para você imediatamente e depois você recebe um e-mail quando termina.

Você pode editar a transcrição, pesquisar dentro dela e por ela toda. Também pode usar a transcrição e marcações de tempo como ferramentas de registro para ajudar a identificar momentos no áudio onde deseja editar ou cortar alguma coisa. E, no final do processo, você pode fazer upload de matéria acabada, para acompanhar sua matéria-prima.

A redação pode criar uma conta organizacional que oferece acesso à equipe, assim um grupo de repórteres pode acessar uma área de trabalho centralizada onde podem adicionar áudio que seja acessível e pesquisável, editado por qualquer um deles. As equipes podem até mesmo ser criativas e editar as transcrições simultaneamente.

Depois, quando se trata de apresentação, as ferramentas que temos permitem que você faça coisas como incorporar pequenos segmentos de áudio para as pessoas ouvirem em seu site, ou publicá-lo no SoundCloud. Tags e transcrição podem ser úteis para fins de SEO.

IJNet: Mas o vídeo, e não o áudio, é a nova fronteira?

AW: É verdade que o vídeo, não o áudio, tem recebido maior parte da atenção na Web. Mas o áudio tem uma poderosa influência sobre o ouvinte. E o rádio ainda desempenha um grande papel em notícias e entretenimento. Até recentemente, as tecnologias da Web não apoiaram isso, assim, temos estado ligados a aparelhos com telas grandes. Agora temos uma incrível oportunidade de se beneficiar de uma experiência de áudio totalmente nova.

Para saber mais, visite Pop Up Archive: www.popuparchive.org/.

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Jessica Weiss, ex-editora-chefe da IJNet, é uma jornalista americana com base em Buenos Aires.

Foto cortesia do usuário do Flickr Josh Lloyd sob licença Creative Commons