Bastidores de um intensivão de jornalismo drone na África do Sul

porSara Olstad
Jan 9, 2017 em Temas especializados

Quando e como os drones podem ser usados ​​para melhorar o jornalismo? Quais são as regras que se aplicam em diferentes jurisdições?

Um grupo de jornalistas sul-africanos e organizações de direitos civis abordou estas e outras questões no primeiro intensivão de drone do país, um evento de três dias, organizado por Chris Roper, bolsista Knight do ICFJ. Os 30 participantes incluíram jornalistas de 12 dos principais meios de comunicação da África do Sul, e para a maioria, foi a primeira vez que voaram com aeronaves não tripuladas.

"O jornalismo drone, como qualquer nova prática no jornalismo, é importante porque faz parte da evolução da nossa indústria", disse Siyabonga Africa, especialista em mídia digital da South African Broadcasting Corporation (SABC), que participou do treinamento. "Pela maneira como podemos inserir o público em nossas reportagens para mostrar novos ângulos em partes, o jornalismo drone forneceu uma nova lente com a qual podemos ver o mundo e reportá-lo".

Roper, que diz que os jornalistas estão ansiosos para começar a trabalhar com drones, conversou com a IJNet sobre perspectivas emocionantes, bem como os desafios regulatórios que enfrentam.

IJNet: Quais foram seus objetivos para o treinamento de drone? O que o motivou a realizar o evento?

Roper: A ideia para o treinamento de drone foi ensinar os jornalistas a construírem e voarem drones e permitir-lhes então decidir que forma de jornalismo seria apropriada para as matérias que queriam fazer e para as audiências que queriam servir. Eles provaram as coisas incríveis que se pode fazer com drones em termos de jornalismo e viram estudos de caso e palestras de pessoas que produziram esses projetos.

As redações na África do Sul estão ficando sem recursos para fazer grandes matérias de investigação envolvendo jornalismo de sensores ou mapeamento do jornalismo. É muito difícil fazê-los evoluir no seu uso de produtos e projetos de tecnologia inovadores, então nós queríamos fazer isso. O que aconteceu nos meus últimos 20 anos tentando que as redações adotassem tecnologias digitais e estratégias da mídia digital é que muitas vezes eles chegaram à festa muito tarde para descobrir que sua base de receitas (para não mencionar seus leitores!) tinha sido corroída por empresas de tecnologia como o Facebook. Eu quero que eles desempenhem um papel na determinação do que o jornalismo drone realmente é, em vez de deixar para não-jornalistas que adotam a tecnologia desde o início.

Que tipos de matérias você imagina que os repórteres na África do Sul possam produzir com drones?

Há um projeto chamado “Unequal Scenes”, de Johnny Miller, que é basicamente jornalismo drone sobre a divisão entre as áreas mais pobres e mais ricas na África do Sul. ...Queremos que as redações sejam capazes de contar esse tipo de histórias onde o visual realmente conta a história e, então, a reportagem é feita em torno disso.

Nós já temos 15 propostas de reportagens de redações que querem trabalhar conosco em projetos que vão desde o rastreamento de minas de radiação até o uso de drones e software para poder estimar multidões em protestos. A África do Sul teve recentemente uma grande rodada de protestos onde os jornalistas foram basicamente maltratados... e expulsos de áreas assim, como você pode imaginar, é muito difícil estimar multidões e assistir a esses tipos de protestos.

Que desafios enfrentam os repórteres sul-africanos que estão interessados ​​em trabalhar com drones?

É muito, muito difícil conseguir uma licença comercial de drone na África do Sul. Atualmente, eu acho que apenas sete pessoas têm uma. Cerca de 120 pessoas solicitaram licenças e a Autoridade de Aviação Civil da África do Sul emite licenças muito lentamente. Alguém me disse que a taxa era algo ridículo como uma licença por mês, o que significa que você nunca terá pessoas suficientes com licenças a menos que alguma coisa mude. Também é bastante caro. Custa cerca de US$7.000 a US$8.000 (ou ZAR100.000 a ZAR120.000) para se preparar para obter uma licença. Excluindo custos de equipamento!

Parte do objetivo deste treinamento drone foi tentar mobilizar todos os jornais e as equipes de notícias para fazer lobby para uma mudança nessas leis. Convidei todos e lhes dei drones e um gostinho do potencial do jornalismo drone para que eles se sentissem comprometidos em lutar para tentar mudar algumas regras de licenciamento de drones Ou, pelo menos, pensar em algumas soluções criativas.

Como você vê o programa evoluindo no futuro?

Quero encontrar mais jornalistas africanos locais para começar... Um dos instrutores mais bem recebidos foi Dickens Olewe do Quênia. Ele teve uma maneira um pouco diferente de olhar para o potencial e possibilidades do que os treinadores de San Francisco e do Reino Unido.

Eu também teria mais tempo de voo ao longo dos três dias, porque é divertido voar essas coisas ao redor e quebrá-las. É simplesmente super legal, de uma forma geek tecnológica, especialmente se é a primeira vez que voa um.

Veja as fotos do treinamento abaixo:

DroneCamp

Imagem cortesia do ICFJ Knight