Aplicativo Reporta fornece rede de segurança para jornalistas

porSherry Ricchiardi
Sep 30, 2015 em Segurança do jornalista

A International Women’s Media Foundation (IWMF) lançou Reporta, um aplicativo de segurança que, com um toque de botão, sinaliza uma emergência. O recurso utiliza o poder de um dispositivo comum para jornalistas de todo o mundo: um telefone celular.

A ferramenta fácil de usar está disponível gratuitamente nos dispositivos iPhone e Android em árabe, hebraico, espanhol, francês, turco e inglês. O momento não poderia ser melhor.

Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, este é o período mais mortal e perigoso para os profissionais da mídia na história recente. Mais freelancers estão cobrindo conflitos com pouca proteção ou apoio. Grupos extremistas, como o Estado Islâmico (também conhecido como ISIS), vê a imprensa como alvo.

A IWMF descreve o Reporta como "o único aplicativo de segurança pessoal abrangente disponível em todo o mundo criado especificamente para jornalistas". O mecanismo de "check-in" está no centro da nova ferramenta de segurança.

O aplicativo permite que jornalistas entrem em contato com os editores, colegas ou familiares que podem agir ao primeiro sinal de problemas. E isso, disse o especialista em segurança Frank Smyth, pode ser um salva-vidas.

"Não há melhor ferramenta que eu conheço para permitir o planejamento de contingência e de resposta de emergência para aqueles que operam em ambientes de alto risco", disse Smyth, fundador e diretor executivo do Global Journalist Security.  

Smyth atuou como consultor para o projeto da IWMF juntamente com o Centro Internacional para Jornalistas, Rory Peck Trust, Artigo 19 e outras organizações de apoio ao jornalismo.

Durante uma demonstração do aplicativo em seu escritório em Washington, a diretora-executiva da IWMF, Elisa Lees Muñoz, descreveu as três principais funções do Reporta:

  • Um sistema de check-in cria um rastro para aqueles que trabalham em ambientes potencialmente perigosos. Você pode fornecer a sua localização, definir com que frequência vai fazer contato e com quem, e incluir fotos, áudio ou vídeo.
  • Mensagens de alerta personalizáveis ​​enviados a contatos-chave quando um jornalista ou colega pode estar em risco
  • Mensagens SOS e emergência emitidas com um toque no telefone

"Os jornalistas conhecem a sua própria situação; eles sabem como seus devem ser seus protocolos, quantas vezes precisam fazer o check-in e a quem contatar. A decisão é totalmente deles", explicou Muñoz.

"Nós estamos realmente tentando alimentar a cultura de 'segurança em primeiro lugar' e manter isso o mais simples possível. O aplicativo é muito fácil de usar."

Um vídeo de quatro minutos mostra o processo de instalação e estressa: O Reporta não é um serviço de resgate de emergência e não faz alertas para as autoridades. Jornalistas controlam a notificação por meio de sua lista de contatos, que pode ser classificada em círculos privados, públicos ou sociais -- esses contatos podem ser editores/familiares, jornalistas que trabalham em um ambiente semelhante, ou seguidores do Twitter e Facebook, respectivamente.

Quão seguro é o Reporta?

Entre as proteções do aplicativo, a IWMF cita a exigência de senha forte de usuário, criptografia de dados durante a transmissão e uma autenticação de dois passos para acesso ao servidor. Informações de identificação pessoal dos utilizadores são sistematicamente eliminados do banco de dados do aplicativo para manter ao mínimo a quantidade de informações confidenciais armazenadas, de acordo com Muñoz.

Há um outro recurso: O aplicativo é desligado quando um usuário envia uma mensagem de SOS ou não faz o check-in. O aplicativo não pode ser reaberto até o jornalista entrar um código de "destravar" fornecido por um contato pré-selecionado na sua lista de check-in. Isso impede que intrusos acessem nomes ou outros materiais guardados no aplicativo Reporta.

Todos os dados enviados via Reporta são criptografados e armazenados por trás de um firewall seguro em um servidor dedicado usando "o mais alto nível de proteção que você pode comprar", afirmou Muñoz. "Há também servidores duais, por isso, se um cair, o outro terá início automaticamente."

Os usuários do iPhone precisam da versão iOS 8.0 ou superior e os usuários do Android precisam da versão 4.0.3. Os usuários devem ter acesso à Internet, seja através de dados móveis ou uma conexão Wi-Fi. Jornalistas em áreas onde não há serviço de telefonia celular são aconselhados a desligar a função de check-in e reiniciar quando saem.

O Reporta foi financiado por uma doação da Fundação Howard G. Buffett e construído pelo RevSquare, uma agência de marketing digital. O aplicativo foi testado por jornalistas na África, América Latina, Oriente Médio e Estados Unidos.

Há um benefício adicional. A IWMF planeja usar o Reporta para acompanhar as tendências em ameaças de segurança entre os usuários, incluindo incidentes enfrentados por jornalistas mulheres. Um estudo global da IWMF descobriu que quase dois terços das mulheres nos meios de comunicação já sofreram intimidação, ameaças ou abuso no trabalho.

"O aplicativo é para todos os jornalistas, mas criado com as mulheres em mente", disse Muñoz.

Baixe o Reporta e veja o vídeo aqui

Imagem principal de Elisa Lees Muñoz por Frank Folwell - capturas de tela fornecidas por IWMF