Africa Check identificou alegações falsas durante eleições e crise de ebola

porAshley Nguyen
May 11, 2015 em Diversos

Quando o vírus ebola começou a devastar partes da África no final de março de 2014, rumores e desinformação rapidamente começaram a se espalhar.

O ministro da saúde da Nigéria, o Professor Onyebuchi Chukwu, anunciou que o governo ia testar o uso de uma droga chamada Nano Silver para curar os doentes de ebola. Especialistas em saúde condenaram a droga e Chukwu mais tarde disse que a droga "não cumpria os requisitos do código de ética de pesquisa nacional de saúde". Mas, apesar de retirar a sua decisão de testar Nano Silver, a ideia de que havia uma possível cura para o ebola já tinha entrado na mente de muitos nigerianos.

Os nigerianos não estavam fixados em apenas uma possível cura do ebola: Outras rumores de cura incluíram tomar banho em água salgada quente e beber um líquido feito com água e partes da planta ewedu.

"Nesse período inicial de incerteza, houve um grau de choque das pessoas sem saber muito bem o que fazer", Julian Rademeyer, editor da Africa Check, disse para a IJNet. "Quando o primeiro paciente foi diagnosticado na Nigéria, houve muita confusão. O governo, em particular, estava à procura de alguma forma de tratamento formal."

Em um esforço para neutralizar os danos de falsidades sendo dispersos na fábrica de boatos durante a crise do ebola, o Africa Check, uma organização sem fins lucrativos que promove a precisão na mídia e discurso público, pesquisou e publicou várias reportagens que revelam a verdade: Não havia nenhuma cura conhecida.

O Africa Check publicou várias reportagens desbancando mitos sobre o ebola em seu site e conteúdo distribuído à sua lista de parceiros, que inclui mídias em toda a África do Sul e Nigéria. Algumas publicações, como o Premium Times em Nigéria, republicado as reportagens com permissão.

"Olhando para trás, havia um número chocante de reportagens divulgadas por meios de comunicação social na África e fora dela que mostraram graus variados de ignorância", disse Peter Cunliffe-Jones, diretor executivo do Africa Check. "De causas a padrões da doença e muito mais, e no caso dos meios fora da África, obviamente, a geografia básica de um continente. Se havia uma falha, acima de tudo, foi que pessoas reportaram uma história que claramente não entendiam."

A cobertura de saúde é um foco chave para o Africa Check, Rademeyer disse, considerando o histórico de curas falsas da África do Sul para os principais problemas de saúde, tais como HIV/AIDS.

"Há uma história longa e trágica no continente de curas malucas receberem credibilidade, até um certo ponto a credibilidade", Rademeyer disse, mais tarde, acrescentando que o "potencial de devastação" de pessoas que levam essas curas a sério é grande.

Enquanto é uma prioridade verificar supostos remédios e outros problemas de saúde, o Africa Check olha para todos os tipos de alegações em toda a África do Sul, onde tem uma equipe completa, e na Nigéria. Usando freelancers de confiança, a organização também informou sobre países como Zâmbia, Zimbábue, Suazilândia e Namíbia. (Eventualmente, a organização planeja expandir para o Quênia e Senegal, onde terá um site em língua francesa.)

O site também foca em verificação de fatos eleições ao longo dos países que abrange. Sua cobertura recente das eleições nigerianas colocou tudo em pratos limpos para os eleitores. O Africa Check verificou e destacou declarações falsas ou exageradas feitas por ambas as partes que buscavam o poder, o incumbente People’s Democratic Party (PDP) e All Progressives Congress (APC), que ganharam as eleições em abril.

Mas trabalhar com funcionários do partido e do governo da Nigéria não foi fácil, Rademeyer explicou. Normalmente, quando o Africa Check está investigando uma alegação ou notícia, eles pedem a pessoa que fez a declaração para dar qualquer prova para fundamentar essa alegação. A partir daí, os verificadores procuram outras informações e dados disponíveis.

Durante as eleições nigerianas, houve essencialmente "silêncio absoluto dos partidos políticos e do governo", disse Rademeyer, notando que os funcionários só responderam depois que uma reportagem foi publicada.

No entanto, esta não é a primeira vez que o Africa Check ficaram sem resposta ou foram forçados a trabalhar com menos informação do que preferiam. No primeiro ano sua equipe cobriu as eleições sul-africanas e ambos os partidos políticos foram resistentes a cooperar e amplamente os ignoraram. Agora, a maioria dos funcionários respondem rapidamente e fornecem links ou documentos que comprovam as suas reivindicações.

Porque não existe uma enorme cultura em torno verificação de fatos políticos onde o Africa Check trabalha, só o tempo vai ajudar a conseguir a   cooperação de funcionários nos países que abrange.

"A ideia de verificação dos fatos existe nos EUA por quase uma década agora", disse Rademeyer. "Em muitos países africanos, não é algo que muitas pessoas esperam ou que os partidos políticos compreendem."

Precisa de dicas sobre verificação dos fatos? Leia sobre dicas e guias (em inglês) do Africa Check:

Africa Check é vencedor do African News Innovation Challenge, um projeto do bolsista Knight Justin Arenstein do ICFJ.

Imagem sob licença CC no Flickr via UNMEER