8 hábitos digitais que você provavelmente não conhecia

porDamian Radcliffe
Sep 03 em Jornalismo digital

O relatório anual Digital News Report [Relatório de Notícias Digitais], realizado pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo na Universidade de Oxford, é uma leitura obrigatória para quem quer entender as atitudes e hábitos das audiências de notícias.

O estudo de 2017 abrange 36 mercados diferentes (cinco a mais que em 2012) e contém 133 páginas ricas de informação. Aqui estão oito estatísticas destacadas do estudo que você pode ter perdido:

1. Malásia é líder mundial no uso de notícias do WhatsApp

Pouco mais da metade dos consumidores de notícias digitais no país (51 por cento) usa a plataforma de mensagens para o consumo de notícias em uma determinada semana, logo atrás do Facebook (58 por cento).

Em contraste, apenas 3 por cento dos consumidores de notícias digitais nos Estados Unidos usa o aplicativo para esse propósito, refletindo grandes variações regionais e globais na utilização desse serviço.

2. A confiança nas notícias é mais baixa na Grécia e Coréia do Sul

Nessas duas nações, pouco menos de um quarto (23 por cento) disse que "eu acho que você pode confiar na maioria das notícias, na maioria das vezes". Por outro lado, esse número saltou para 62 por cento na Finlândia e 60 por cento no Brasil.

Em apenas seis países, mais da metade dos entrevistados estavam dispostos a concordar com esta declaração, refletindo os desafios de confiança enfrentados por jornalistas e organizações de notícias em todo o mundo.

3. Audiências na Grécia e na Turquia são mais propensas a evitar as notícias

Entre os consumidores de notícias digitais, mais da metade (57 por cento) nestas duas nações admitiram que tentam ativamente evitar as notícias. Isto, segundo o relatório, pode ser porque "países como a Grécia e a Turquia estão passando por turbulências econômicas e políticas consideráveis", embora observem que "não é fácil identificar um padrão claro".

Curiosamente, embora o público sul-coreano esteja entre as menos confiantes no jornalismo, apenas um quarto (26 por cento) provavelmente se desconecta das notícias. A evasão de notícias, em 6 por cento, é mais baixa no Japão.

4. Os países nórdicos são os mais propensos a pagar por notícias

As audiências com assinaturas contínuas de serviços de notícias digitais são mais altas na Noruega (15 por cento), Suécia (12 por cento) e Dinamarca (10 por cento).

Outras compras, como edições únicas, doações, etc. são hábitos de consumo mais comuns em todos os países pesquisados, refletindo o desafio de converter usuários casuais em mais (financeiramente) comprometidos.

No Reino Unido, onde a BBC desempenha um papel fundamental no fornecimento de conteúdo de notícias gratuitas (embora seja paga por uma taxa de licença quase universal), apenas 3 por cento dos entrevistados pagaram por uma assinatura de notícias no ano passado. Outras formas de pagamento de notícias também são menores do que em muitas outras nações.

5. O uso de Apple News está crescendo mais rapidamente na Austrália

Embora o aplicativo Apple News esteja disponível apenas nos EUA, o Reino Unido e a Austrália (com o recurso "Spotligh" disponível em muitos outros), este serviço ainda viu crescimento rápido nos EUA e na Austrália.

Entre os usuários americanos do iPhone, o alcance semanal do serviço quase dobrou (de 13 por cento para 25 por cento) em 2016, e o serviço cresceu de 8 por cento dos usuários do iPhone na Austrália no ano passado para 25 por cento até 2017. Será interessante ver se esse crescimento continuar, tanto nesses mercados como em outros no mundo, à medida que o serviço for desenvolvido.

6. Os agregadores continuam a ser um portão de entrada para as notícias na região Ásia-Pacífico

Serviços como Apple News e Snapchat Discover representam a próxima geração de agregadores. Dirigidos a uma audiência móvel, eles estão obtendo um crescimento discernível entre seus públicos-alvo.

Enquanto isso, agregadores mais tradicionais continuam a ser populares em alguns mercados emergentes. O Google News, por exemplo, alçança penetração semanal de 21 por cento na Ásia e América Latina, à frente da América do Norte (13 por cento) e da União Europeia (10 por cento). A Ásia lidera o caminho para agregadores de notícias digitais.

7. Ásia-Pacífico e América Latina são líderes em público que prefere mobile

Os mercados mais populares para alertas móveis, como condutores para o tráfego de notícias, são Taiwan (32 por cento dos usuários em uma semana determinada), Hong Kong (27 por cento) e Turquia (24 por cento), com a Suécia em 22 por cento.

Hong Kong lidera em público que prefer consumir notícias em dispositivos móveis. Mais de um terço (36 por cento) cita seu smartphone como seu principal dispositivo para acessar notícias, com a Cingapura logo atrás.

Em Hong Kong, quase um terço (31 por cento) diz que seu smartphone é o único dispositivo usada para consumir as notícias. A Malásia (27 por cento), Cingapura (26 por cento), Chile (25 por cento) e México (24 por cento) mostram tendências semelhantes. Para pesquisadores e empresas interessadas em comportamentos de consumo de notícias móveis, esses são os mercados a serem observados.

8. A marca com o maior alcance de notícias globais é ... Yahoo?

Sim, o mesmo Yahoo de sempre. Em um cenário dominado pela discussão sobre os serviços do Facebook (que incluem o Facebook, o FB Messenger, o WhatsApp e o Instagram), a reinvenção de grandes marcas tradicionais como a BBC, a CNN e o New York Times, bem como o surgimento de novos atores globais como Huffington Post, Vice e BuzzFeed, a importância contínua do Yahoo pode surpreender alguns.

Escondido na página 49 do relatório está um gráfico que mostra como o portal online original continua a desfrutar de uma enorme tração entre as notícias, incluindo 25 por cento dos consumidores semanais de notícias digitais nos EUA (colocando-o à frente de outras grandes marcas), Japão (53 por cento) e Taiwan (48 por cento).

Mesmo em mercados como o Brasil, a Austrália e a Alemanha, o Yahoo é a principal marca internacional de notícias e fica atrás apenas do Huffington Post na França. Velhos hábitos de mídia, parcerias (especialmente na Ásia), bem como a resiliência de seus recursos de busca e e-mail, podem ajudar a explicar essa descoberta inesperada.

O que isso serve para mostrar é que, por mais que achamos que conhecemos o consumidor de notícias dos dias modernos, o Relatório de Notícias Digitais sempre contém uma ou duas surpresas.

Para saber mais visite: digitalnewsreport.org. Visualizações cortesia do Instituto Reuters para o Estudo de Jornalismo. 

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Robert Schuman Centre for Advanced Studies