3 dicas de especialistas para investigar corrupção e crime

porJessica Weiss
Feb 12, 2014 em Jornalismo investigativo

A repórter investigativa Khadija Ismayilova pensou que tinha chegado num beco sem saída em sua investigação de três anos sobre a estrutura de propriedade da nascente empresa de telecomunicações do Azerbaijão, a Azerfon.

A repórter azerbaijana tinha conseguido saber que a empresa era de propriedade de algumas companhias privadas com base no Panamá, mas ela não tinha certeza de como examinar mais fundo.

Mas no Investigative Dashboard --uma plataforma gratuita que auxilia jornalistas na investigação do crime organizado e corrupção-- Ismayilova ficou sabendo de um aplicativo de raspagem web que o programador e ativista escocês Dan O'Huiginn tinha desenvolvido para acompanhar empresas no Panamá. Com a ferramenta, ela fez esta reportagem que ligou os principais acionistas da Azerfon às filhas do presidente do Azerbaijão.

O banco de dados raspado de O'Huiginn permitiu que repórteres investigativos em muitos países pesquisar informações, escreveu Paul Radu, diretor executivo do Organized Crime and Corruption Reporting Project no Reporter’s Guide to the Millennium Development Goals: Covering Development Commitments for 2015 and Beyond (Guia do Repórter Guia para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: Cobrindo os Compromissos de Desenvolvimento para 2015 e Além), publicado pelo Instituto Internacional de Imprensa e extraído do site da Global Investigative Journalism Network (GIJN).

Para os que investigam crime organizado e corrupção, Radu compartilhou três princípios fundamentais que podem levar ao mesmo jornalismo minucioso que Ismayilova conduziu. E essas dicas, ele escreveu, são úteis, mesmo nos ambientes mais austeros:

1. Pense fora do seu país

"Crime é global", escreveu Radu. Às vezes pode ser mais fácil obter informações a partir do exterior do que de dentro do país onde você vive. Para reunir informações do exterior, você pode usar bancos de dados de informação estrangeiros ou acesso através de outros países com leis de informação. Bancos de dados que auxiliam o jornalista investigativo no rastreamento de dinheiro em todo o mundo podem ser encontrados online em sites como o Investigative Dashboard, OpenCorporates e CKAN.

2. Faça uso de redes de jornalismo existentes

Jornalistas de investigação em todo o mundo fazem parte de organizações como a Organized Crime and Corruption Reporting Project, Forum for African Investigative Reporters, Arab Reporters for Investigative Journalism, Global Investigative Journalism Network e mais. Muitos dos jornalistas nessas redes cobrem problemas semelhantes e enfrentam os mesmos desafios, e, assim, ficam contentes em trocar informações e métodos. Você também pode reunir ideias para reportagens investigativas destes fóruns e listas de e-mail.

"Ao trabalhar em uma rede, o jornalista não está sozinho", escreveu Radu. "O repórter investigativo trabalha com colegas de outros países, por isso é mais difícil para os criminosos para identificar que expôs seus erros. Como resultado, a retaliação por parte de governos e funcionários corruptos é muito mais difícil de ser bem sucedida."

3 . Faça uso da tecnologia

Software pode ajudar jornalistas investigativos a trabalharem com grandes volumes de dados e informações para encontrarem o que é necessário para dar um furo de notícia. Além de serem capazes de usar o software para a análise, coleta ou interpretação de informações, jornalistas investigativos podem recorrer a um crescente número de programadores que sabem como obter e lidar com as informações. Estes programadores, alguns deles membros de movimentos globais de dados abertos, podem se tornar aliados valiosos na luta contra o crime e a corrupção.

Por exemplo, Scraperwiki é um site em que jornalistas de investigação podem pedir a programadores para ajudar na extração de dados de sites e bancos de dados online.

Radu concluiu: "Uma reportagem investigativa eficiente é, no final, o resultado da cooperação entre jornalistas investigativos, programadores e outras categorias sociais que estão dispostas a fazer crowdsourcing da informação e contribuir na construção de uma sociedade global mais limpa."

Este post foi adaptado do Global Investigative Journalism Network (GIJN) (em inglês).

Imagem cortesia de Paul Vladuchick no Flick sob licença Creative Commons license