10 dicas para investigar corrupção

porDon Ray
Feb 12, 2011 em Jornalismo investigativo

Traçar a geometria do suborno, determinar a moeda de influência, documentar o rastro de papel, lidar com ameaças e retaliações e conhecer os obstáculos de dentro são apenas algumas das dicas de Don Ray para entender o poder da corrupção. Ele diz que o trabalho é encontrar os resultados visíveis de uma força muitas vezes invisível.

Jornalista investigativo, instrutor internacional e consultor de mídia, Don Ray forneceu neste site suas 10 melhores dicas para investigar corrupção. As dicas, reproduzidas abaixo, formam a base de alguns dos módulos de formação que ele oferece mundialmente.

1. Abordagem de baixo para cima: Essencial para a identificação dos resultados da corrupção e da via rápida para os níveis mais altos - a evidência é sempre visível ao nível da rua. (veja The Malawi Observer para exemplos detalhados).

2. Traçar a geometria de corrupção e influência: Corrupção sempre envolve mais de uma pessoa ou um ponto ou uma linha simples entre duas entidades. Compreender o fluxo de influência, suborno e extorsão exige o mapeamento dos triângulos, trapézios, pentágonos, etc, das relações entre as partes.

3. Desenvolvimento e proteção das fontes essenciais: Elas estão em algum lugar, desejando encontrar alguém de confiança para compartilhar suas informações. O jornalista tem que aprender que o processo de sedução envolve criar confiança máxima, um ambiente fértil de verificação dos fatos e a compreensão das recompensas intrínsecas que as fontes precisam.

4. Determinar o tráfico de influência: Quanto mais sofisticadas são as leis e a polícia, mais sofisticados são os veículos de suborno. Raramente é só dinheiro que muda de mãos. O jornalista deve aprender a seguir os caminhos de propriedade, promoção, proteção, privilégio, jabá e emprego (de membros da família, mesmo que distantes).

5. Documentar o rastro de papel: Registros públicos são essenciais, mas sozinhos eles raramente formam o quadro completo. Eles são um começo essencial. Podem fornecer sutis indícios reveladores de outros documentos ou pessoas que podem conectar um ponto ao outro.

6. Obstáculos de dentro: Jornalistas em cada país encontrarão uma certa resistência em seu próprio meio de comunicação. Infelizmente, proprietários e diretores de jornais, rádio e televisão estão à margem do crime organizado e corrupção, ou são jogadores de carteirinha. Estas situações exigem uma grande consciência e planejamento delicado.

7. Obtendo informação 'on the record': Mais do que em qualquer outra área de reportagem, as investigações de corrupção requerem verificação interminável e verificação cruzada. Repórteres são alvos fáceis de funcionários e agentes empenhados em usar, manipular ou desacreditar repórteres. Isto não é lugar para "autenticação fantasiosa".

8. Juntando-se com aliados confiáveis: Existem inúmeras maneiras de utilizar inquéritos existentes e fazer parceria com grupos ou indivíduos que já tenham recolhido informação valiosa. A internet oferece aos repórteres uma rede mundial de peritos e aliados em potencial. Além disso, há organizações locais que já estão investigando as pessoas e organizações que você pode se deparar.

9. Lidar com ameaças e retaliações: Esta não é uma linha de trabalho para todos. O jornalista deve estar sempre consciente da vulnerabilidade sua e de seus familiares. É essencial saber como responder de forma rápida e direta a ameaças - sem jogar a toalha ou imediatamente se esconder.

10. Tornando a matéria relevante para os leitores e espectadores: O repórter tende a querer escrever sobre a elite, para a elite. As matérias devem, naturalmente, focar nos jogadores do topo, mas devem também abordar as vítimas e cúmplices em todos os níveis. No final, a reportagem deve ser sobre as pessoas e deve ilustrar os resultados visíveis dessa força muitas vezes invisível.

Este artigo foi publicado originalmente no Media Helping Media. Foi traduzido e publicado pela IJNet com permissão. Media Helping Media é um site de capacitação que dispõe de recursos de mídia gratuitos para jornalistas que trabalham em países em transição e pós-conflito e regiões onde a liberdade de imprensa é ameaçada.

Foto por Futureatlas.com, Creative Commons Attribution License