Sucesso no Twitter, estudante de medicina dá dicas de como falar sobre saúde nas redes sociais

porMarina Monzillo
Oct 23, 2020 em Reportagem sobre COVID-19
Vittor Guidoni

“É difícil encontrar uma informação na qual eu tenha 100% de confiança”, declarou Vittor Guidoni, o “Vittinho do SUS”, estudante de medicina que tem mais de 230 mil seguidores no Twitter. Ele, que checa pelo menos três vezes um dado antes de fazer uma postagem ou tuíte, foi o convidado do webinar “Como fazer conteúdo simples e descomplicado sobre COVID-19”, realizado em 21 de outubro, pelo Fórum de Reportagem sobre a Crise Global de Saúde

 O universitário que virou divulgador científico digital usa as redes sociais para falar de saúde de um jeito simples e cômico, com memes, piadas e charges desde 2019. No bate-papo online, ele contou sua trajetória como produtor de conteúdo que, ao descomplicar assuntos sérios como pandemia e ciência, conseguiu chamar a atenção. “Por mais poético que possa parecer, meu objetivo é ajudar o máximo de pessoas com a maior eficiência possível”, afirmou.  

 

 

Veja a seguir os principais pontos da conversa:

Referências e inspirações 

Guidoni explicou que para produzir conteúdo nas redes sociais usa referências tanto científicas -- de materiais do Ministério da Saúde, livros e aulas da faculdade de medicina -- quanto artísticas: ele é seguidor de uma profusão de chargistas, por exemplo. “Tiro inspiração principalmente dos artistas que vejo no Twitter, de vídeos do YouTube, das discussões nos fóruns, e até de sonhos”, comentou ele. “Faço referências a memes, onomatopeias cômicas, remeto a desenho animado. É o jeito mais fácil de levar informação, qualquer pessoa, uma criança pode ler, e pensar: ‘Isso faz sentido’”.

Ele disse, no entanto, que se preocupa em não copiar nada. “Participo da discussão sobre plágio no Twitter. Essa é uma questão complicada. Já errei, mas tento fazer o melhor. Às vezes tem um imagem tão boa que é difícil referenciar sem copiar.”

Busca séria e humor na divulgação de informação 

 O objetivo do estudante é passar informações básicas, incitando a curiosidade, levando a pessoa a pesquisar mais. “No próprio texto da tirinha, eu direciono para informações mais específicas, para conteúdo acadêmico. Gosto de fazer isso, dar as duas versões, a simplificada e a simplificada com detalhes”, disse. 

Guidoni contou que a maioria das informações que consume sobre a pandemia são divulgações científicas. “Fico com medo de entrar no Twitter e no Facebook e ter informações com viés ou omissões. Tento fugir de manchetes de COVID-19, vacina, etc., mas quando tem algo específico, como caso de reinfecção, vacina que está chegando ao fim do estágio de testes, pesquiso em múltiplas fontes, no mínimo em três, mas já cheguei a pesquisar dez fontes diferentes”, contou.  

Ele explicou que o grande desafio em adaptar conteúdo científico para um ambiente informal de redes sociais é o balanceamento entre o sério e o cômico, o que vai atrair o interesse e, ao mesmo tempo, promover conhecimento. “Colocar esses pedaços e cortes de comédia em meio a algo tão sério, como mortes e doenças, é a maior dificuldade. Ou seja, não banalizar, mas transformar aquilo aceitável para as massas”, falou. 

Ele disse que ainda está tentando descobrir o tipo de conteúdo que gera mais visualizações, comentários, compartilhamentos e curtidas. “Tem muitas variáveis: em geral, posts mais engraçados trazem mais engajamento, acho que as redes sociais existem para fugir do mundo real; é isso que as pessoas estão procurando. Entro no Instagram porque o que estou fazendo no momento ou o meu ambiente não são satisfatórios”, afirmou.

Para ele, se no Twitter, uma piada dentro de um contexto sério é o que faz sucesso, no YouTube, a regra é parecida: trazer conteúdo diferente, bonito, que chame a atenção, de forma não-verbal; e algo interessante e novo de forma verbal. “A impressão visual, verbal e humorística são as variáveis mais importantes”, disse. 


Marina Monzillo é jornalista freelancer com 20 anos de experiência em diversas áreas, como cultura, turismo, saúde, educação e negócios.

Imagem cortesia de Vittor Guidoni no Instagram