Redações experimentam em cobrar por informação com valor agregado

por Margaret Looney
Mar 14, 2014 em Temas especializados

Porque a a publicidade tradicional já não é um modelo de negócio sustentável, agências de notícias em todo o mundo estão experimentando com alternativas como realização de eventos e colocação de paywalls. Agora, um novo modelo está em ascensão: dados como fonte de receita.

Nos Estados Unidos, a ProPublica abriu recentemente uma loja de dados, cobrando uma taxa única para conjuntos de dados limpos. No Quênia, o jornal The Star está fazendo experiências cobrando uma valor premium por mensagens de texto para aplicativos de saúde com base em SMS, essencialmente usando dados de valor agregado para gerar receita.

Agências de notícias da África do Sul, Nigéria e Uganda estão testando o conceito também, diz Justin Arenstein, bolsista do programa Knight International Journalism Fellowship do Centro Internacional para Jornalistas.

"É algo que está pegando e parece estar moldando o pensamento comercial em torno dos modelos de mídia na África", disse Arenstein à IJNet.

Arenstein também é consultor do Code4Kenya, um ramo da Code for Africa, que ajudou o jornal com esse projeto. Arenstein conversou com a IJNet sobre o conceito de venda de dados para aumentar a receita de jornais e experimentos acontecendo em toda a África.

No vídeo abaixo (em inglês), ele diz:

"Nós construímos aplicativos de uso geral que as audiências normais usam sem nenhum custo. Mas quando há informações de valor agregado, ou, em outras palavras, informação que personaliza [dados] ou hiperlocaliza dados que você pode utilizar, isso é informação adicional que o jornal ou a redação deve ir além de apenas uma reportagem normal para apurar."

"A ideia é que você, pelo menos, faça uma recuperação de custos, mas potencialmente, e o que vimos especificamente no Quênia, é que muitos dos meios de comunicação estão agora começando a explorar algo que está se transformando [em um fluxo de receita]."

"Não é realmente uma coisa nova. As notícias sempre venderam valor acrescentado com base em reportagens reais apresentadas ao público."

"Nós não estamos falando de quantidades particularmente grandes [de dinheiro]. Geralmente é o dobro do custo de uma mensagem normal SMS... Obviamente os volumes são importantes, porque somam, então, e começam a criar uma receita real."

Os maiores jornais do Quênia, Nigéria e Uganda estão testando este modelo para substituir a publicidade tradicional que está diminuindo gradualmente na África, Arenstein observa. No vídeo abaixo (em inglês), ele diz:

"Então, é como se as receitas de publicidade começassem a diminuir, enquanto algumas dessas novas oportunidades de receita supostamente preenchessem a lacuna. Se algum dia vão preencher a lacuna deixada pela publicidade é, obviamente, aberto para o debate."

Margaret Looney, assistente editorial da IJNet, escreve sobre as últimas tendências de mídia, ferramentas de reportagem e recursos de jornalismo.

Imagem sob licença CC no Flickr via quinn.anya