Por que jogar fora conteúdo bom e outras dicas para produzir uma reportagem de impacto

por Tosin Sulaiman
Sep 18, 2014 em Diversos

O conselho foi simples, mas surpreendente: "Jogue fora um conteúdo bom."

Foi uma das muitas dicas memoráveis que ​​eu e outros finalistas do African Story Challenge recebemos de mentores no treinamento de reportagens de negócios e tecnologia em Marrocos. Como jornalistas experientes prestes a embarcar em grandes projetos, pensávamos que sabíamos como contar uma boa história, assim sermos orientados a abandonar algumas das nossas preciosas conquistas de informação foi a última coisa que eu esperava ouvir. Mas ao longo da semana, os mentores desafiaram muitos das nossas presunções sobre jornalismo e, até o final do acampamento, fomos capazes de refinar nossas ideias de tese de doutorado em histórias mais simples que podem fazer a diferença para os leitores, ouvintes e telespectadores já inundados com conteúdo.

Aqui está o que eu aprendi sobre como produzir histórias que criam um impacto, evitando as armadilhas de um projeto de jornalismo grande e ambicioso:

Passo 1: Evite a maldição do conhecimento

Antes que pudéssemos começar a planejar as nossas matérias, muitos de nós, inclusive eu, precisamos ser liberados do fardo de saber demais. Podemos ter passado meses pesquisando os nossos temas, mas isso não significava que tínhamos de despejar tudo sobre o leitor, os mentores nos disseram repetidamente. Como Mirko Lorenz, um pioneiro do jornalismo de dados, explicou, "jogar fora coisas boas em prol de uma matéria melhor é um trabalho muito duro". Mas se nós não estávamos preparados para fazer escolhas e cortes, estaríamos preso por muito material e muitas opções, ele alertou. A apresentação pelo especialista em visualização de dados Kristaps Silins também resumiu bem a mensagem: "Jogue no lixo 99 por cento de seu conteúdo - a qualidade é uma escolha."

Passo 2: Conheça seu público

Como jornalistas, muitas vezes queremos que nossas matérias apelem para um público tão amplo quanto possível. Mas, como aprendemos durante o treinamento, isso não é necessariamente o caminho certo. Nossas matérias podem ter um impacto maior se estiverem adaptadas a um público-alvo restrito, recomendaram​​. Antes de colocar a caneta no papel, devemos nos perguntar: "Quem são as pessoas que estarão interessadas ​​em meus resultados? Quem vai se importar mais? "Em suma, não só temos que sacrificar nosso querido conteúdo, mas também o público.

Passo 3: Pense diferente

Fomos constantemente estimulados a pensar sobre como poderíamos diferenciar nossas matérias, por exemplo através de uma abordagem multimídia e do uso de ferramentas de jornalismo de dados. Como jornalistas, temos mais opções de contar histórias do que nunca, de artigos de formato longo e explicadores a infográficos e soundslides (slideshows de áudio). O conselho foi nos alimentar com muitos exemplos em primeiro lugar e, em seguida, selecionar uma ou duas tecnologias ou abordagens que podem ajudar a nossa matéria se destacar de todas as outras. Mas, como fomos lembrados, apesar da tecnologia ajudar, nós não precisamos dela para contar uma boa história.

Passo 4: Mude o mundo

Se tínhamos alguma dúvida sobre nossos papéis como jornalistas na era digital saturada e competitiva, ele se acabou no final do treinamento. Parafraseando Justin Arenstein, [um bolsista do Knight International Journalism Fellowship do ICFJ] e estrategista digital chefe da African Media Initiative: Se você não se importa se suas matérias vão mudar o mundo, você está desperdiçando seu tempo.

Quando fazemos uma reportagem, devemos ter em mente uma clara mudança de comportamento, Justin contou. O público não se envolve com o nosso conteúdo como costumava. Eles estão sobrecarregados com muito conteúdo ou têm múltiplas fontes de notícias fora da mídia tradicional.

"Precisamos encontrar novas maneiras de fazer as notícias que estamos escrevendo o mais útil possível para suas vidas. Reportar, apenas contar a história, já não é bom o suficiente", disse ele. "Precisamos transformar essa notícia em informações acionáveis​​. As únicas histórias que valem a pena fazer são aquelas que lidam com uma demanda real. Precisa enfrentar um ponto de dor real e um desafio real na vida dessas pessoas."

Este artigo foi publicado no blog Africa Story Challenge e é reproduzido na IJNet com permissão.

Imagem cortesia de Patrick Butler do ICFJ.