Perfis do jornalismo móvel: Destacando as realizações das mulheres

por Clothilde Goujard
Dec 15, 2016 em Jornalismo móvel

"As mulheres em geral têm tanta iniciativa profissional quanto os homens?", se perguntou Eleanor Mannion, jornalista móvel da RTE, a emissora pública da Irlanda, e diretora do primeiro documentário 4K na Europa.

Eleanor, cujo documentário de uma hora de duração foi filmado inteiramente em um iPhone, falou sobre seu projeto em várias ocasiões para outras organizações de notícias como a BBC e ITV, em conferências e Skype com uma classe de jornalismo nos EUA.

Mas se promover não vem necessariamente facilmente a muitas mulheres.

"No local de trabalho, acho que as mulheres têm que se esforçar mais para avançarem", disse ela. "Eu cresci com a ideia de que você não deveria parecer muito confiante, porque isso se confundiria com arrogância, e ninguém quer isso; Não é visto como um traço muito feminino."

Eleanor acredita que o jornalismo móvel a empoderou para contar suas histórias e ser autossuficiente. Para seu documentário, "The Collectors", ela seguiu seis pessoas em toda a Irlanda para observar seus interesses em Barbies, Legos, revistas em quadrinhos ou lembrancinhas da Coca-Cola. Ao trabalhar sozinha, ela diz que foi capaz de conhecer muito bem seus personagens, que ficaram mais relaxados.

As pessoas nas matérias de Geertje Algera também se abrem mais facilmente quando ela filma com seu smartphone. A jornalista e treinadora de "mojo" [jornalismo mobile], que costumava trabalhar com uma equipe de câmera e, depois como jornalista de vídeo, também acha que conseguiu contar histórias complexas e pessoais, graças a suas habilidades de jornalismo móvel.

Ainda assim, ela se pergunta por que parece que há menos mulheres no jornalismo móvel.

"Notei que na minha antiga empresa, por exemplo, há muitas mulheres que trabalham como repórteres - mas em 'mojo', eu sou a única", disse ela.

Se for esse o caso na Holanda, Corinne Podger, fundadora do MoJo London, MoJo Sydney e gerente de capacidade editorial digital da Fairfax Media, uma das maiores editoras independentes da Austrália, adverte sobre uma percepção equivocada sobre a falta de mulheres no jornalismo móvel.

"Eu não acho que todo mundo está familiarizado com o termo 'mojo' e isso talvez dê a sensação de que não há muitas mulheres no jornalismo móvel quando na verdade não é o caso", diz ela, acrescentando que muitas pessoas -- incluindo mulheres -- simplesmente se consideram "jornalistas que usam seus telefones como parte de seu trabalho".

Na RTE, Eleanor notou que há mais mulheres praticando jornalismo móvel do que homens.

"O smartphone nivelou desequilíbrio de gênero em termos de equipamentos porque é leve e portátil", explica Corinne. "Esse é particularmente o caso do jornalismo audiovisual, onde o equipamento -- certamente na era analógica -- era muito pesado."

Geertje disse que ainda luta para entender por que não está vendo mais mulheres 'mojos' na Holanda, apesar da "acessibilidade do jornalismo móvel".

"Talvez as mulheres pensam que é muito técnico", ela arrisca.

Glen Mulcahy, diretor de inovação da RTE e fundador da Mojocon, acredita que talvez haja uma percepção de que o jornalismo móvel é "complicado e técnico demais". Durante os dois anos em que dirigiu a Mojocon, ele está tentando conseguir mais palestrantes. Na sua primeira conferência, cerca de um terço dos palestrantes eram mulheres.

"Temos um quadro fortemente feminino (na RTE) e ficamos furiosos com o fato de não termos conseguido mantê-lo a 50/50", disse ele. "A Mojocon 2 melhorou um pouco, mas nem de longe tanto quanto eu gostaria."

Corinne organiza eventos regulares para a comunidade 'mojo' em Londres, onde ela trabalhava. Os três últimos palestrantes que vieram compartilhar suas experiências foram todas mulheres, mas não só porque essas jornalistas "apareceram no radar nos últimos meses que [ela] estava dirigindo esse evento".

Ela agora está baseada em Sydney, na Austrália, onde sua nova iniciativa MoJo Sydney está sendo lançanda. Os eventos 'mojo' geralmente ficam lotados porque "contar histórias móveis ressoa com todos", ela disse. Os smartphones são onipresentes agora, mas muitos profissionais de diversas indústrias, como a mídia, relações públicas e setor de caridade, estão interessados ​​em desenvolver novas habilidades de contar histórias.

Corinne está treinando tanto mulheres como homens. No entanto, ela disse ter observado que as mulheres "tendem a ser menos confiantes em falar sobre suas realizações em público e se oferecer para promoção, oportunidades de palestras em conferências e prêmios", e incentiva as trainees e mentores a procurarem ativamente por estas oportunidades.

Ao longo de sua carreira, Corinne disse que teve sorte de ter chefes que a incentivaram e incentivaram seus colegas, independentemente do gênero, mas ela procurou ativamente "aumentar seu próprio nível de conforto em falar sobre o seu trabalho", aproveitando oportunidades de treinamento quando estava na BBC.

"Eu incentivaria as mulheres que sentem que precisam de maior confiança para realizar esse tipo de treinamento, seja através de seu local de trabalho ou de forma particular, e para orientar ativamente e apoiar suas colegas para desenvolver informalmente essas habilidades.

Falar em público e promover a si mesmo se tornaram ainda mais importantes na era da mídia social. Corinne reconhece que agora, "os jornalistas representam duas marcas: a mídia onde eles trabalham, como pessoal ou freelancer, e sua marca pessoal nas mídias sociais."

"O grau em que se promove o trabalho e as atividades nessas plataformas pode influenciar o grau em que alguém é notado pelos empregadores e colegas e consegue empregos e oportunidades", dise ela.

Imagem principal de Geertje Algera cortesia de Shody Careman. Imagem secundária cortesia de Eleanor Mannion. Terceira imagem de Corinne Podger (terceira da esquerda) com trainees de jornalismo móvel cortesia de Podger.