OMS oferece dicas para jornalistas que cobrem segurança no trânsito

por Sam Berkhead
Nov 18, 2015 em Temas especializados

A segurança no trânsito é um dos maiores problemas de saúde pública mundial que enfrentamos hoje. Com mais de 1,25 milhões de mortes e 20 a 50 milhões de feridos decorrentes de acidentes de trânsito a cada ano, está claro que o público precisa ser educado sobre os riscos nas ruas e estradas.

No entanto, mesmo com o aumento do número em todo o mundo, a segurança rodoviária continua a ser um tema cronicamente ignorado pela mídia global.

Para ajudar a combater este problema, o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) se uniu com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para oferecer um webinário online com dicas para jornalistas que cobrem a segurança no trânsito. O webinário foi realizado em preparação para a Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito, de 17 a de 19 novembro em Brasília.

Dra. Tamitza Toroyan, oficial técnica em Lesões da OMS e do Departamento de Prevenção de Violência, e Duncan Clark, diretor editorial do Kiln, discutiram as conclusões do relatório global da OMS sobre a segurança no trânsito.

Usando os dados mais recentes específicos de cada país, Toroyan e Clark delinearam as melhores maneiras para os jornalistas engajarem e educarem suas audiências sobre o tema da segurança no trânsito:

Saiba como encontrar os dados que você precisa

Toroyan disse que é uma boa ideia que os jornalistas entendam como a OMS apresenta seus dados, a fim de descobrir as histórias dentro dos dados. Ao olhar para as mortes na estrada, por exemplo, a OMS define o número absoluto de mortes na estrada por país, bem como a taxa de mortalidade por 100.000 pessoas e olha para a demografia de quem está morrendo nas estradas. Cada tipo de dados oferece suas próprias vantagens para o processo de contar histórias.

Se você quer comparar o número de mortes na estrada entre dois países com populações diferentes, por exemplo, provavelmente vai querer olhar para os dados do relatório sobre as taxas de mortalidade por 100.000 pessoas e não o número absoluto de mortes por país, ela disse.

"Obviamente, seria de se esperar mais mortes acontecendo na China do que na Suíça, porque há uma diferença na população", disse Toroyan. "Então, nós poderíamos usar a taxa de mortalidade para ter uma comparação significativa de onde um risco de mortalidade nas estradas é mais elevado."

Ache a fonte original

Jornalistas devem se esforçar para encontrar a fonte original dos dados, em vez de depender de citações da OMS, disse Toroyan.

"Nós vemos uma série de artigos em que as pessoas citam outras pessoas que citaram outras pessoas", disse ela. "Então, se você puder, veja se consegue encontrar a fonte original dos dados de segurança no trânsito."

Para fazer isso, pode-se simplesmente buscar as fontes citadas no relatório da OMS em seu lugar original online. Ao citar esta fonte, você pode garantir que suas informações sejam tão precisas quanto possível e que sua pesquisa é tão completa quanto pode ser.

Certifique-se de que há evidências para intervenções

Toroyan aconselhou jornalistas a encontrarem provas antes de escrever sobre possíveis soluções ou fazer suposições sobre as tendências nos dados.

"Quando você está falando sobre intervenções, avalie se há alguma evidência por trás delas", disse ela. "Estamos cientes de um artigo que foi escrito sobre o ensino de yoga para motoristas de ônibus como uma forma de reduzir os acidentes de trânsito. É uma boa ideia, mas não sabemos de qualquer evidência que indique que levaria a uma redução do número de mortes ou ferimentos no trânsito."

Imagem principal sob CC licença no Flickr via Safia Osman