O que sabemos sobre as variantes Delta e Lambda

por Jade Drummond
Aug 30, 2021 em Reportagem sobre COVID-19
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Duas variantes da Covid-19 têm deixado especialistas em alerta no Brasil: a Delta, já em circulação em diversas regiões do mundo, e a Lambda, com forte presença na América do Sul. As duas novas cepas são mais transmissíveis que o vírus original e apresentam certa resistência às vacinas. 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) designa a Delta como uma “variante de preocupação” e a Lambda uma “variante de interesse”. Para entender o que significam as classificações e como as variantes podem impactar no controle da doença, o Fórum de Reportagem sobre a Crise Global de Saúde convidou Melissa Markoski, mestre e doutora em Biologia Celular e Molecular e pós-doutora em Imunologia e Câncer, professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise COVID-19, para o webinar “O que sabemos sobre as variantes Delta e Lambda”. 

 

O bate-papo aconteceu no dia 26 de agosto. Assista o webinar completo e leia os destaques da conversa abaixo. 

 

LINK: https://youtu.be/k798AzKI_Bc

 

Como surgem as variantes: é uma ação natural do vírus. Ao longo do tempo e com o espalhamento na população, ocorrem modificações na sequência do vírus para criar características de melhor transmissibilidade e melhor escape do nosso sistema de defesa. 

 

Diferença entre as classificações da OMS: a determinação da Delta como “variante de preocupação” significa que ela é altamente transmissível e causa casos mais graves da doença. A Lambda é uma “variante de atenção” por já demonstrar uma alta taxa de transmissão, mas ainda não se sobressair sobre outras variantes em alguns locais. 

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Comparação de transmissibilidade: a Lambda é um pouco menos transmissível que a Delta, mas também possui uma taxa de transmissão maior que o vírus original e que a variante Gama, identificada pela primeira vez no Brasil. 

 

Por que a Lambda é mais forte na América Latina: o principal fator é geográfico, pois a variante Lambda surgiu no Peru e se espalhou principalmente nos países dos arredores. Entretanto, como nem todos os países fazem uma vigilância genômica com eficiência, é difícil afirmar com precisão a proporção das variantes circulando em alguns locais. 

 

Lambda no Brasil: a variante já está presente no país, mas ainda não em transmissão comunitária. No momento, a principal variante circulando no Brasil é a Gama.

 

Ser mais transmissível não significa ser mais resistente à vacina: são fatores diferentes de modificação do vírus. A transmissibilidade está ligada à maior a facilidade do vírus em entrar nas células, enquanto o escape imune ocorre por outro tipo de modificação da proteína, como é observado na Lambda. 

 

Variantes piores podem surgir, mas não há certeza: à medida que o tempo passa e o vírus circula, aumenta o número de vacinados. Pessoas com a vacinação completa, se infectadas, têm o vírus neutralizado pelo corpo rapidamente e transmitem por muito menos tempo do que os não imunizados. Então, se houver menos circulação do vírus, menor é a chance do surgimento de variantes.

 

Chance de uma “super-variante”: do ponto de vista biológico, é muito improvável que as variantes se combinem e formem uma “super-variante”. Entretanto, é possível surgir novas cepas que apresentem características presentes tanto na Delta, quanto na Lambda. Se acontecer, não necessariamente a nova variante aumentaria as taxas de letalidade e surgimento de novos casos. 

 

Existe um limite nas mutações: o vírus se modifica para ser mais transmissível e escapar do sistema imune, mas não é uma vantagem se modificar tanto a ponto de não conseguir mais entrar na célula. Se fosse o caso, ele se auto-extinguiria. 

 

Mesmo com as variantes, vacinas são eficientes: todas as vacinas disponíveis tem ações focadas na proteína Spike, que está ligada a entrada do vírus na célula, ou no vírus inteiro. Com as duas doses de vacina ou a dose única, a resposta imune do corpo fica muito mais fortalecida para combater inclusive as novas cepas.

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Vacinação anual: é provável que aconteça. Assim como é feito na vacina da influenza, uma possibilidade é que as vacinas da Covid-19 sejam atualizadas a cada ano para atuar contra as variantes mais presentes na região ou de maior preocupação no período.

 

Como deve ser feita a vacinação da terceira dose: pessoalmente, Melissa é favorável a um reforço com vacinas diferentes da anteriormente aplicada. Assim, é possível fazer outro tipo de ativação do sistema imunológico e somar esforços.

 

Pessoas isentas de vacinação: a taxa de cobertura vacinal é calculada considerando grupos que não podem tomar a vacina ou que o sistema imune não é capaz de ser fortalecido pela ação do imunizante. São raros os casos de pessoas que não podem tomar a vacina e a avaliação deve ser feita por médico especializado na área.  

 

Não é hora de abandonar os cuidados: quanto menos transmissão do vírus, menor é a preocupação com novas variantes.


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