O que acontece quando um jornal comete plágio contra si mesmo?

porJonathan Bailey
Nov 6, 2013 em Jornalismo básico

Recentemente, o jornal The Star de Toronto publicou uma nota de sua editora pública, Kathy Inglês, chamando a atenção para um caso de plágio cometido por um estagiário do jornal. No entanto, o que tornou o caso incomum é que o estagiário não foi acusado de tirar conteúdo de outro jornal, mas sim de um artigo passado no The Star.

O incidente foi resultado de um artigo de 30 de setembro, escrito pelo estagiário Marc Ellison, sobre o assunto de placas de carro personalizadas que são proibidas pelo governo. Esse artigo, de acordo com a editora pública, pegou seis parágrafos de um artigo de 2010, escrito pelo redator Daniel Dale sobre o mesmo tema.

Ellison, por sua vez, admitiu o plágio, chamando-o de "francamente imperdoável " e colocou a culpa em tentar fazer muito no tempo que tinha. Embora nenhum outro problema tenha sido encontrado no trabalho de Ellison, ele não trabalha mais para o jornal.

Ellison levou o assunto para seu blog pessoal, onde escreveu sobre o incidente, chamando-o de "harikiri professional" (sic). Ele disse que sabia que a reutilização do conteúdo não tinha cumprido seus padrões e que [o que fez] "não foi certo". Ele também acrescentou que nunca tinha plagiado antes.

Mas, apesar da reação ao incidente, pegar conteúdo de reportagens anteriores em um jornal não é incomum. Muitos jornais reutilizam frases, parágrafos ou passagens de reportagens anteriores, em outras mais recentes, muitas vezes sem atribuição.

A razão para isso é que, muitas vezes, só há uma maneira adequada de dizer algo em um jornal, seja por razões legais ou de clareza. Além disso, às vezes é mais fácil simplesmente copiar e colar uma passagem relevante, especialmente da informação de fundo, do que tentar reescrevê-la dezenas de vezes.

No entanto, no caso de Ellison, a cópia foi muito além dos limites do que a maioria dos jornais considera aceitável. Não só seis parágrafos são uma grande parte para se copiar e colar, mas a natureza do conteúdo não foi de informação de fundo, mas sim uma escrita de estilo criativo.

Mas enquanto o caso de Ellison não é aparentemente controverso, pois o próprio Ellison admitiu que foi impróprio, levanta algumas questões sérias para jornalistas. Quando é aceitável incorporar trabalho anterior do jornal em um novo artigo? Quando autores passados devem receber atribuições? E as agências de notícias e fontes externas?

A verdade é que há uma grande área cinza entre copiar uma frase ou duas por motivos legais e tirar seis parágrafos criativos como um atalho. Mas em algum lugar nesse espaço fica uma linha que não deve ser ultrapassada. Onde fica essa linha é uma pergunta que cada publicação deve se perguntar.

Felizmente, uma questão que jornais não têm que disputar quando se trata de autoplágio é o de direitos autorais. Porque a publicação é detentora dos direitos autorais de tanto o trabalho original como o novo, não há muito risco jurídico envolvido. Contudo, o risco ético de reciclagem de conteúdo permanece e é por isso que o jornal The Star respondeu tão fortemente como fez.

Tudo somado, o jornalismo tem uma pergunta difícil para ponderar e é uma que só vai crescer em importância. Reutilizar conteúdo vai se tornar mais e mais comum, quando publicações são confrontadas com a diminuição de redações e prazos mais apertados. Isso vai tornar a definição de limites e a aplicação desses limites mais importantes do que nunca.

Via "Media Errors, Accuracy & Corrections" de Craig Silverman no site Spundge.

Este artigo foi publicado originalmente no blog Plagiarism Detection and Prevention do site iThenticate Plagiarism Detection Software e traduzido para a IJNet com permissão.

Imagem sob licença CC no Flickr via KirkT