Mulheres que trabalham com tecnologia no jornalismo aprendem a prosperar na Costa Rica

porMariana Santos
Jul 31, 2013 em Jornalismo digital

Mulheres que querem prosperar na interseção da mídia e tecnologia não devem ter medo de compartilhar seus conhecimentos ou falhar, porque o que aprendem ao longo do caminho é a coisa mais importante, disse Hassel Fallas Lopez, jornalista de dados do La Nación da Costa Rica.

Fallas falou durante a reunião inaugural das Chicas Poderosas, o primeiro grupo dedicado a aumentar o número de mulheres na América Latina que trabalham com tecnologia de mídia. Ela também aconselhou participantes a trazer toda a sua paixão ao trabalho, porque é isso que vai transformá-lo em algo com impacto.

Isso é exatamente o que buscamos fazer com o lançamento das Chicas Poderosas, mas enquanto planejamos a oficina, nos perguntamos: "Será que os jornalistas, designers e desenvolvedores que lidam com as exigências do jornalismo diário tirariam o tempo para um workshop intensivo de três dias, focando na raspagem, análise e visualização de dados?"

A resposta é: certamente que sim. Mais de 80 jornalistas de vários órgãos de imprensa da Costa Rica participaram da sessão no auditório do jornal La Nación, em San José. Deveríamos ter percebido que como todas as coisas neste país tropical, as pessoas tomam uma abordagem de "pura vida" (viver a vida ao máximo). Olham para o lado positivo e ficam tranquilas.

Entre as mais bacanas: Giannina Segnini, chefe da equipe de investigação e jornalismo de dados do La Nación, que nos ajudou pessoalmente a aumentar o número de mulheres que trabalham com tecnologia nas redações. Para o evento das Chicas Poderosas, ela fez propaganda para toda sua rede Costa Rica (Tica). Em apenas uma semana, mais de 100 pessoas se inscreveram para participar do grupo Chicas Poderosas.

Vieram da imprensa, rádio, TV, empresas de TI e comunicações, passando três dias cheios. Algumas ficaram muito tempo após o fim do programa oficial. Entre elas: Amelia Rueda, uma documentarista de destaque e jornalista ambiental também conhecida localmente como a "Oprah Tica."

O primeiro dia de apresentações das líderes das Chicas Poderosas --Segnini, as duas autoras deste post, Nicola Hughes, jornalista de visualização de dados do _Times_de Londres, e Irene Ros de Bocoup-- mostraram como as jornalistas podem usar aplicativos para encontrar e trabalhar com dados. Cada uma mostrou como a nova tecnologia, de JavaScript e HTML a Open Refine e Google Fusion Tables, pode ser usada para encontrar e analisar dados.

Os próximos dois dias foram de atividades práticas. Os participantes, mulheres e homens, formaram equipes, pensaram ideias e criaram visualizações interativas e gráficos animados para compartilhar suas conclusões sobre vários conjuntos de dados, oferecendo uma compreensão mais profunda dos dados brutos e o que os dados nos dizem sobre nossas vidas. Muitos dos participantes pretendem continuar a trabalhar com seus dados e publicar os produtos do trabalho na sessão.

O primeiro workshop das Poderosas Chicas focou nessas três habilidades, todas extremamente importantes para qualquer projeto de dados: como trabalhar em equipe multidisciplinar; como obter dados da Internet e como converter conjuntos de dados grandes em uma narrativa visual.

No Chile, onde primeiro introduzimos a ideia durante um encontro Hacks/Hackers em Santiago em maio com o bolsista Miguel Paz do programa Knight do ICFJ, a adesão cresceu quase 30 por cento. E o número de mulheres membros cresceu 150 por cento. Os participantes pediram a Mariana Santos para voltar e liderar uma oficina cheia como a de Costa Rica.

No México, uma semana antes do lançamento oficial das Chicas, falamos a uma conferência sobre segurança cibernética digital e liderada pelo também bolsista Knight Jorge Luis Sierra. Muitos dos participantes da conferência são membros das Periodistas de a Pie, uma rede de mulheres jornalistas de todo o México. Elas também estão querendo fazer por seus próprios grupos.

Planejamos grupos em Buenos Aires, Rio, Bolívia, e isso é só em 2013.

As Chicas Poderosas abriram mentes. Dá poder às mulheres, ajudando-as a ver como a tecnologia pode melhorar o seu trabalho. Acima de tudo, o grupo nos reuniu para produzir algo tangível.

Mariana Santos é uma jornalista visual e fundadora das Chicas Poderosas, seu projeto com a bolsa do Knight International Journalism Fellowship.

Elisa Tinsley é diretora do Knight International Journalism Fellowships do ICFJ.

Imagem de Margaret Looney