Lei europeia ajuda sites de notícias a reduzir cookies de terceiros

porShan Wang
Aug 20 em Jornalismo digital

Parece que uma lei de privacidade de dados razoavelmente severa e abrangente na Europa poderia ser o incentivo que as agências de notícias precisam para reduzir o número de cookies e conteúdo de terceiros em seus sites antes que os leitores tenham a chance de dar permissão explícita, segundo um relatório do Instituto Reuters sobre uma ampla seleção de sites de notícias da Finlândia, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido.

Um relatório preliminar do instituto, divulgado algumas semanas antes do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR, em inglês) ter entrado em vigor em 25 de maio, descobriu que alguns sites de notícias analisados pelos pesquisadores eram piores que os sites populares não-jornalísticos quando se tratava de conteúdo de terceiros. Esses sites de notícias tinham em média 40 domínios de terceiros diferentes por página e 81 cookies de terceiros por página, em comparação a uma média de 10 e 12, respectivamente, para outros websites populares que não são de notícias. (Os pesquisadores coletaram os dados nos primeiros três meses deste ano.)

Desta vez, os pesquisadores descobriram declínios na prevalência de cookies nos mais de 200 sites de notícias que rastrearam em várias categorias, desde cookies relacionados a publicidade e marketing até relacionados à otimização de design (eles analisaram a diferença entre os sites em abril e os sites em julho). Em média, o total de cookies relacionados à otimização de design caiu 27%; os cookies relacionados a publicidade e marketing caíram 14%.

Alguns cookies de terceiros ainda estão presentes, tanto antes quanto depois do novo regulamento: "Não vimos quase nenhuma alteração nos percentuais de páginas com pelo menos uma instância de publicidade de terceiros, medição de audiência, recomendação de conteúdo, otimização de design e hospedagem", os pesquisadores observaram. Mas parece que um número significativo dos sites de notícias incluídos removeu conteúdo de terceiros de plataformas de mídia social e de widgets de recomendação de conteúdo: houve uma queda de 8% na participação de sites com conteúdo de mídia social de terceiros --em outras palavras, muitos sites de notícias não incluem sequer uma única instância de conteúdo carregado de uma empresa de mídia social-- e um declínio de 6% no uso de sistemas de recomendação de conteúdo de terceiros.”

O que não diminuiu muito nesses sites de notícias após o GDPR? O conteúdo do Google e dos serviços do Google, que os sites de notícias parecem não conseguir mais fechar (a tabela mostra a porcentagem de sites de notícias que ainda carregam conteúdo de subsidiárias e serviços do Google):

As quedas variam de país para país. Na Alemanha, por exemplo, os sites de notícias já estavam carregando comparativamente poucos cookies de terceiros antes que o GDPR entrasse em vigor, e os cookies por página para sites de notícias alemães diminuíram apenas ligeiramente de abril a julho. No Reino Unido, os sites de notícias carregavam muito conteúdo de terceiros; esses sites de notícias viram um declínio de 45% em cookies por página de abril a julho. (A Polônia é a anomalia: "Isto é em grande parte devido a grandes aumentos em quatro dos 29 sites examinados. Nós não podemos descartar que esses sites possam ter mudado de uma forma que impactou nossa ferramenta de medição", escreveram os pesquisadores.

Nenhuma delas é uma mudança que pode ser creditada definitivamente ao GDPR, mas os pesquisadores apontam dois movimentos estratégicos que os sites de notícias podem estar fazendo na sequência da lei:

Primeiro, devido aos requisitos de consentimento do GDPR, as organizações de notícias podem simplesmente adiar alguns cookies de rastreamento até que um usuário clique para aceitar os termos do site em um pop-up com mensagem de consentimento.

Em segundo lugar, podemos estar observando uma espécie de efeito "faxina". Os sites modernos são altamente complexos e evoluem ao longo do tempo de uma maneira dependente do caminho, às vezes acumulando recursos e códigos desatualizados. A introdução do GDPR pode ter proporcionado às organizações de notícias a oportunidade de avaliar a utilidade de vários recursos, incluindo serviços de terceiros, e remover códigos que não são mais de uso significativo ou que comprometem a privacidade do usuário.

Você pode ler o relatório completo aqui. O relatório preliminar nos sites pré-GDPR está disponível aqui.

Este artigo foi publicado originalmente no Nieman Lab e é republicado na IJNet com permissão.

Imagem sob licença CC no Unsplash via Nathan Dumlao