Jornalistas podem usar mídias sociais para construir sua marca fora dos grandes veículos de comunicação

porJames Breiner
Dec 6, 2013 em Jornalismo multimídia

Há vários anos, uso Brian Stelter, um colunista de mídia e comentarista de TV, como um exemplo para os alunos de como um jovem jornalista pode construir uma marca pessoal.

Ele não frequentou uma universidade famosa e não tinha ligações familiares especiais. No entanto, fez rapidamente um nome online para si mesmo através da criação de um blog que prosperou por seu jornalismo oportuno e de alta qualidade.

Eu sempre incluo um slide mostrando o número de seus seguidores no Twitter (ultimamente, 200.000) e coloco a questão: "Por quanto tempo mais Brian Stelter vai precisar do New York Times?"

Como se viu, não por muito tempo. Stelter foi tirado recentemente do Times para trabalhar na CNN como o apresentador do programa "Reliable Sources" (Fontes Confiáveis) e ser o repórter de mídia da rede.

Jack Shafer da agência Reuters disse que não é nenhum problema que o Times perdeu um repórter; alguém está à espera nos bastidores para fazer esse trabalho, que pode até ser melhor.

Jornalistas como agentes livres

Mas o foco de Shafer é o Times, e o que realmente está acontecendo é que as mídias sociais oferecem mais possibilidade ao jornalista de construir sua identidade fora do contexto de uma grande organização de mídia.

Há um ano os professores de jornalismo Clay Shirky, Emily de Bell e C.W. Anderson publicaram um relatório instigante sobre a indústria de jornais: Post Industrial Journalism: Adapting to the Present (Jornalismo Pós-Industrial: Adaptação ao Presente).

Como escrevi na época, o relatório previa uma nova realidade para os recém-formados em jornalismo, pois o primeiro passo em suas carreiras não seria tentar amarrar sua reputação a uma instituição de comunicação estabelecida, como no passado, mas criar a sua própria reputação. O relatório descreveu as implicações para as faculdades de jornalismo:

As escolas de jornalismo já são mais como escolas de cinema do que escolas de direito, isto é, o relativo sucesso ou o fracasso de um graduado vai ser muito mais variável do que costumava ser. Há menos emprego para o nível iniciante --postos de trabalho que costumavam servir como campo de teste e aprendizagem não oficiais-- em jornais metropolitanos e TV local do que havia. Como os graduados das escolas de cinema, eles vão ter que sair para o mundo e criar um nome para si. É um ambiente muito menos previsível e os planos de carreira são menos claros.

Jornalistas como marcas

O analista de mídia jornalística Ken Doctor escreveu sobre a tendência três anos atrás, quando a questão era como os serviços de notícias na Internet como o Huffington Post, Yahoo e AOL estavam contratando talentos da mídia tradicional para construir o seu próprio tráfego.

Jay Rosen descreveu a tendência como "a ascensão do site de franquia pessoal no jornalismo", cuja característica fundamental é um jornalista estrela no centro.

Estrelas do jornalismo de tecnologia do Wall Street Journal, Walt Mossberg e Kara Swisher, conseguiram criar uma plataforma de eventos e conteúdo de negócios, All Things D , que foi avaliado em dezenas de milhões de dólares. Eles decidiram testar o mercado, em vez de renovar o contrato com a Dow Jones.

Andrea Peterson, do Washington Post, escreveu recentemente que os novos empreendimentos de mídia de grandes estrelas do jornalismo, como Andrew Sullivan, Glenn Greenwald e Nate Silver, mostram o equilíbrio de poder tendendo em direção a jornalistas como marcas.

Outro dia, Doctor escreveu que as mídias tradicionais estão usando métricas para calcular o quanto de tráfego e receita um jornalista de grande nome vale para eles. Estas organizações estão se perguntando se é melhor manter estes jornalistas renomados ou deixá-los sair.

Farol que ilumina a nebulosa Internet

Por que a mudança no poder de marca para jornalistas? Na Web, há tanto barulho, desinformação, informação ruim, fofoca e lixo que os usuários estão buscando faróis de credibilidade.

Os usuários se voltam para as redes sociais, feeds de RSS, pesquisas automatizadas e outras ferramentas para fornecer informações que podem confiar e que estão interessados. A notícia que eles querem tem a mesma probabilidade de vir de um jornalista ou blogueiro especial que de um veículo de notícias especial.

Organizações de notícias agora se encontram em uma posição desconfortável. Para garantir um tráfego grande para seus sites, precisam promover seus jornalistas como marcas. Mas ao criarem marcas para seus jornalistas fica mais difícil mantê-los. Estes jornalistas podem encontrar mais oportunidades em outro lugar. Basta perguntar a Brian Stelter.

Este artigo foi publicado originalmente no blog News Entrepreneurs e traduzido para a IJNet com permissão.

James Breiner é consultor em jornalismo online e liderança. Foi co-diretor do Global Business Journalism Program na Universidade Tsinghua e bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica e siga-o no Twitter.

Imagem de Brian Stelter sob licença CC no Flickr via redtouchmedia