Jornalista do mês da IJNet: Muhammad Egamzod

porIJNet
Apr 2, 2012 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet aqui.

O jornalista do mês, Muhammad Egamzod do Tadjiquistão, recebeu uma bolsa de treinamento em jornalismo investigativo através da IJNet, que, segundo ele, tem lhe ajudado na cobertura do imigrantes tadjiques na Rússia.

IJNet: Onde você trabalha?

Muhammad Egamzod: Atualmente sou o chefe da Tajik Media Holding TAJINFO na Rússia, proprietária do jornal Tochikoni Russia (Tadjiques da Rússia), a revista Tajikistan, o site Tajinfo.ru em russo, bem como o jornal Imruz (Hoje) e revista Behtarin (O Melhor) em tadjique.

IJNet: Como a IJNet lhe ajudou?

ME: Hoje, quando estamos constantemente explorando novas tendências na sociedade, muitas vezes enfrentamos desafios na elaboração de conteúdo editorial em termos de questões legais. Acho que a IJNet é um dos recursos de informação mais abrangentes, que pode ser útil para os jornalistas em muitos aspectos.

IJNet: Como você tem ideias de pauta?

ME: Da vida cotidiana. Nos últimos 15 anos trabalhando na Rússia, eu percebi que para mim como jornalista tadjique não há nada mais importante do que temas da vida e do enorme exército de trabalhadores migrantes do Tadjiquistão. Esse tema é muito importante. A migração para trabalhos tornou-se um dos fenômenos mais importantes da vida moderna no Tadjiquistão. Na verdade, não existem aspectos da sociedade em que não houve um impacto. É por isso que quase todas as nossas publicações concentram-se neste tema. Além disso, estamos constantemente acompanhando o processo de relações entre a Rússia e o Tadjiquistão.

IJNet: Que programas de treinamento ou capacitação lhe foram mais úteis?

ME: A IJNet anunciou um treinamento para jornalistas investigativos, ["Scoop Russia"],(http://ijnet.org/opportunities/investigative-reporting-grants-open-eastern-europe), um projeto sueco-dinamarquês em Kalmar, na Suécia, que teve como objetivo apoiar o jornalismo investigativo na Rússia. O projeto é executado pela Associação Sueca de Jornalistas Investigativos (FGJ), a Associação Dinamarquesa de Jornalismo Investigativo (FUJ) e o International Media Support (IMS). Na Rússia, o programa é coordenado pelo Regional Press Institute (RPI). Participei desse treinamento, que foi realizado no Institute for Journalism Fojo. Tenho que dizer que, independentemente do fato de que eu tinha uns 20 anos de experiência jornalística, para mim esse treinamento foi muito importante; eu pude aprender muitas coisas importantes, especialmente os aspectos legais do meu trabalho.

IJNet: Qual trabalho você mais se orgulha até agora?

ME: O assunto tem a ver com o número atual, segundo várias fontes, de até um milhão de cidadãos tadjiques trabalhando fora do país há anos, sendo que três quartos são homens entre as idades de 18 e 55 anos. Isso é quase metade da população ativa do sexo masculino.

Eles saem em busca de um salário decente, deixam em casa suas esposas e filhos, em uma vã tentativa de voltar para casa depois de um ano ou dois. No entanto, recentemente tem havido uma nova tendência: os homens tadjiques que estão trabalhando no exterior, principalmente na Rússia, cada vez mais se divorciam de suas esposas via mensagem de texto pelo celular. Os homens.. conhecem novos amigos, criam uma família comum, e declaram "taloq", o que significa divórcio de acordo com a lei islâmica. Neste caso, a ausência de um documento oficial de divórcio não importa. A esmagadora maioria das mulheres, especialmente nas áreas rurais, é forçada a contar com antigas tradições e voltar como para a casa de seus pais, onde são obrigadas a suportar humilhação e ressentimento por parte de parentes e vizinhos, ou depois de algum tempo, dependendo da idade, tornam-se a segunda ou terceira esposa de um conterrâneo rico de meia-idade.

Neste projeto, precisávamos saber a opinião de muitas pessoas, que vão desde os migrantes e suas esposas a teólogos famosos do Tadjiquistão e Rússia, advogados, ativistas de direitos humanos e parlamentares.

IJNet: Que conselho você daria a quem aspira ser jornalista?

ME: Jovens jornalistas precisam ser pessoas artisticamente talentosas, entendendo as necessidades do público, mas nossos códigos morais e profissionais distintas significam que eles não devem falsificar os fatos, preparar ou manipular uma história, mesmo que leve à celebridade momentânea. A busca da sensação pode se transformar em um problema. O jornalista desempenha um papel importante na sociedade e não tem o direito de transmitir informações incorretas.