Jornalista do mês da IJNet: Ana Puod

por Dana Liebelson
Mar 6, 2011 em Jornalismo digital

Todo o mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e tem usado o site para promover a carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet para Dana Liebelson, dliebelson@icfj.org até 15 de março.

A jornalista deste mês, Ana Puod, trabalha para uma das maiores emissoras das Filipinas, a Broadcasting Corporation ABC (TV5). Ela contribui para os departamentos de notícias e assuntos atuais. Puod também criou os sites Philippine Center for New Media Desenvolvimento e Pinoy Digital Journalist. Esses sites oferecem uma plataforma online onde os jornalistas e o público podem trocar informações sobre novas mídias e jornalismo digital.

Onde você cresceu? Eu nasci e cresci em Manila, nas Filipinas.

Como usa a IJNet? Eu recomendo a IJNet aos meus colegas. Os recursos na IJNet são úteis e variados. Através da IJNet, eu me tornei revisora do Relatório Global de Integridade de 2010 (Global Integrity Report) 2010 e contribuidora e repórter da Agência de Notícias Inter Press (IPS Ásia-Pacífico.) Também conheci (via e-mail) a consultora digital Amy Webb, que me influenciou a criar o Philippine Center for New Media Development e Pinoy Digital Journalist. Estes dois sites fornecem uma plataforma onde os jornalistas e o público em geral podem compartilhar, reunir-se e disseminar informações.

Com que organização de notícias você atualmente trabalha? Onde você trabalhou no passado? Atualmente, estou trabalhando para uma das principais emissoras das Filipinas, a ABC Broadcasting Corporation (TV5) nos deparamentos de notícias e assuntos atuais. Coordeno três programas: “Under Special Investigation” (em tradução livre, "Sob Investigação Especial"), um programa de documentário investigativo, como produtora executiva; o "Balitaang Tapat", um programa de notícias no horário nobre, como produtora associado; e "Tekno Trip", um programa de tecnologia e viagens, como o redatora principal.

Antes de ir para a TV5, trabalhei durante dez anos para outra emissora nas Filipinas, a ABS CBN Broadcasting Corporation, como produtora de segmento e em correspondente para o programa de assuntos atuais, "The Correspondents". Também produzi outras séries para o departamento de assuntos atuais da emissora, incluindo o "Pipol", "Missões Especiais", "Kumikitang Kabuhayan", e o programa de revista de notícias "The Inside Story". Juntamente com meu trabalho atual na TV5, coordeno o Philippine Center for New Media Development, pinoydigitaljournalist.comm e sou diretora de conteúdo para o arribafilipino.wordpress.com.

Você trabalhou em uma área diferente antes do jornalismo? Se sim, qual foi o impacto na sua carreira atual? Queria ser uma jornalista desde a faculdade. Após a formatura, eu imediatamente procurei por trabalho em TV. Tentei a ABS CBN e fui aceita como pesquisadora para o programa de investigação, "The Inside Story".

Quando foi que você descobriu que queria ser jornalista? Como você começou? Por ter crescido pobre e lutando, eu sabia que havia um monte de histórias para contar sobre minha vida e sobre as pessoas da minha comunidade. Este desejo de compartilhar informações e afetar a vidas de outras pessoas tem sido a força motriz na minha carreira no jornalismo e na mídia. Minha formação começou no colegial, onde eu participei em jornais da escola. Mais tarde, na faculdade, participei de outras organizações, como o clube de debate e sociedade estudantis de comunicação em massa.

Como você encontra ideias para suas matérias? Você tem uma rotina definida para redação e reportagem? Acredito que qualquer situação é uma oportunidade para criar uma matéria. Viajando de casa para o trabalho, indo ao shopping para fazer compras, ou mesmo apenas se encontrando com amigos oferecem certas possibilidades para refletir sobre o que vida é e deve ser. É fundamental ter livre acesso a novidades, idéias ou informações de todos os tipos de fontes.

Venho trabalhar muito cedo de manhã todos os dias. Como produtora associada do departamento editorial, tenho acesso a todos os departamentos de notícias da emissora. Após a reunião de pauta da manhã, eu envio jornalistas para trabalhar em histórias que compõem o noticiário do meio-dia. Além de estar no núcleo da redação diariamente, também acessos as notícias online, uso assinaturas de notícias móveis e tenho uma rede de contatos tanto em capacidades públicas como em privadas.

Qual o trabalho que lhe deu mais orgulho até agora? Por quê? Minha matéria sobre a investigação das alegadas mansões do ex-presidente filipino Joseph Estrada foi um ponto-chave na minha carreira. A reportagem pavimentou o caminho para uma denúncia de impeachment apresentada contra o ex-presidente da república que acabou resultando na famosa revolução de poder do povo II. Os acontecimentos que se seguiram forçaram Estrada a deixar seu cargo como presidente das Filipinas.

Que conselho você daria a aspirantes a jornalistas? Há algum programa de treinamento ou escola que lhe foi especialmente útil? Constantemente busco crescimento pessoal e profissional, fazendo cursos sobre novas mídias como o Jornalismo Digital e Cinema Digital na New York Film Academy (NYFA). Os professores que conduziram o treinamento trabalham jornalistas da NBC News em Nova York. Enquanto fazia esses cursos, trabalhei e criei contatos com outros jornalistas e cineastas que têm se envolvido ativamente no desenvolvimento e promoção de modos alternativos de informar e entrar em contato com o público e as fontes.

No início de minha carreira, fui enviada a um treinamento com outros jornalistas internacionais para um workshop promovido pela Asian Broadcasting Union, a International Labor Organization, e a Bloomberg TV em Busan, Coréia. Enquanto estava lá, aprendi muito sobre reportagem de negócios e o setor de trabalho.

Como você acha que os jornalistas podem melhor se adaptar ao cenário mutante da mídia? Acredito que o poder da nova mídia consiste em que seja utilizado por um amplo espectro de jornalistas e membros do público em geral. Nas Filipinas, cerca de 80 por cento dos consumidores usam a televisão para acessar notícias e entretenimento. Nos últimos anos, porém, os filipinos têm mostrado que as crescentes mudanças no cenário da mídia podem ser um catalisador para mais notícias e análises. A tecnologia tem sido tão acessível que diminuiu a linha divisória entre o jornalista e um simples usuário da última tecnologia ou conexão rápida de banda larga.

Estou convencida de que as plataformas estão mudando mais rapidamente do que a notícia, e que o jornalista deve estudar e aprender a nova tecnologia a fim de se autopreservar nestas circunstâncias.