Jornalismo drone: Um 'olho no céu' para a reportagem na África

porJessica Weiss
Apr 28, 2014 em Diversos

O jornalista digital Dickens Onditi Olewe do Quênia quer ajudar jornalistas em toda a África na cobertura de lugares de difícil acesso, possibilitando a eles a perspectiva aérea de um "olho no céu".

Mas em vez de helicópteros caros, ele está interessado em tecnologia drone de baixo custo que, segundo ele, tem o potencial de revolucionar o acesso da mídia à linha de frente de notícias e acontecimentos em áreas remotas.   No ano passado, Olewe fundou o AfricanSkyCAM, a primeira equipe de jornalismo drone da África a utilizar de veículos aéreos não tripulados (UAVs, em inglês) e balões equipados com câmeras para dar a jornalistas uma perspectiva adicional em reportagens. Com sede em Nairobi, o SkyCAM está em processo de expansão por todo o continente.

"A África é um continente enorme, em que grande parte de seu bilhão de pessoas ainda vive em áreas rurais isoladas", disse Olewe à IJNet. "Imagine como os drones podem ser úteis aqui."

O AfricanSkyCAM foi um dos 20 vencedores do African News Innovation Challenge (ANIC) em 2012. A competição incentiva a experimentação em tecnologias digitais e apoia as melhores inovações destinadas a fortalecer as organizações de notícias africanas.

O concurso, inspirado no Knight News Challenge, foi lançado pelaAfrican Media Initiative, sob a liderança deJustin Arenstein, bolsista do Knight International Journalism Fellowship do Centro Internacional de Jornalistas.

A ideia do AfricanSkyCAM nasceu quando Olewe estava trabalhando em uma matéria para o jornal Star de Nairobi sobre inundações no Parque Nacional do Lago. Ele percebeu que uma vista aérea daria à reportagem uma perspectiva muito mais rica.

Poucos meses depois, o primeiro projeto dp AfricanSkyCAM documentou inundações no parque.

"Temos inundações neste país quase sempre, e os jornalistas muitas vezes saem com um pescador qualquer em um barco, arriscando seus equipamentos e filmando ao nível dos olhos, o que não dá a dimensão das enchentes", diz ele. "Então, eu pensei que ter um" olho no céu "seria muito melhor."

A tecnologia drone tem sido usada por veículos de comunicação em todo o mundo, incluindo a CNN nos Estados Unidos, a BBC no Reino Unido e pela australiana ABC. Ao contrário desses países, o Quênia tem poucas leis que restringem o voo de aviões de controle remoto. Mas essa liberdade não é um benefício para o jornalismo drone, diz Olewe.

"O fato de que nós não temos uma lei significa que qualquer pessoa pode comprar e usar a tecnologia, o que cria um problema muito grande", explica Olewe. As autoridades podem importunar ou parar os operadores, e qualquer pessoa sem treinamento pode operar "um equipamento que pode causar ferimentos ou morte"se mal utilizado.

No dia 7 de março, jornais quenianos publicaram uma foto de um drone civil que caiu numa fazenda, causando pânico entre os moradores. O jornal Star publicou a foto do UAV na primeira página com a manchete: "Misterioso objeto voador cai em Naivasha."

Para ajudar o público no Quênia a se acostumar com a tecnologia, Olewe está formando parcerias com conservacionistas, serviços de emergência e jornalistas para "criar uma imagem mais positiva para os drones", adotando o equipamento em seu trabalho e participando de experimentos.

"Nós realmente estamos trazendo este equipamento para o espaço público e fazendo com que as pessoas fiquem mais tranquilas com ele", diz ele. "Minha estratégia é mostrar que outros setores podem usar drones e estão usando-os para trabalhos."

No mês passado, o AfricanSkyCAM fez uma parceria com Ben Kreimer do Laboratório de Jornalismo Drone da Universidade de Nebraska. Usando um a quadcóptero fantasma DJI, eles cobriram um comício no Parque do Povo de Machakos, e também produziu um vídeo promocional para o parque Paradise Lost no condado de Kiambu.

Aplicações futuras podem incluir monitoramento de caça ilegal de espécies ameaçadas de extinção e cobertura de confrontos violentos, diz Olewe.

O próximo passo do AfricanSkyCAM é formar parcerias com mídias bem intencionadas na região para compartilhar conhecimento e experiência, bem como ajudar a alavancar a adoção da tecnologia drone de baixo custo em reportagens.

Olewe também está criando um manual de boas práticas e vai passar o ano letivo de 2014-2015 como bolsista do John S. Knight International Journalism Fellowship, desenvolvendo ideias para um corpo de jornalismo drone africano.

Jessica Weiss, ex-editora-chefe da IJNet, é uma jornalista freelance com sede na Colômbia.

O conteúdo de inovação de mídia global sobre os projetos e parceiros do Knight International Journalism Fellowship do ICFJ na IJNet é apoiada pela John S. and James L. Knight Foundation.

Imagem cortesia do usuário do Flickr Don McCullough, sob licença Creative Commons