Jornalismo de dados chega a organizações de notícias na África do Sul

porJessica Weiss
Sep 10, 2013 em Diversos

O cientista de dados Adi Eyal tem a missão de provar que a tecnologia mais poderosa é muitas vezes a mais simples. Eyal, que se autodenomina um "tecnólogo que odeia tecnologia", está atualmente trabalhando para incorporar uma equipe de "bolsistas de dados" em redações da África do Sul, com objetivo de melhorar a vida dos cidadãos e fazer mudanças na sociedade.

"O que eu gosto é remover o máximo da tecnologia possível para encontrar as soluções mais simples", disse Eyal IJNet na recente Hacks/Hackers Buenos Aires Media Party, "para encontrar coisas que as pessoas podem usar, que sejam sólidas, baratas e muito rápidas de trabalhar."

Eyal está liderando o Code for South Africa (CfSouthAfrica), que visa capacitar os cidadãos comuns e vigilantes públicos como jornalistas e militantes, dando-lhes ferramentas digitais que ajudam a manter o governo e as empresas responsáveis por seus atos. A iniciativa venceu o African News Innovation Challenge, organizado pela African Media Initiative (AMI), a maior associação do continente de proprietários e operadores de mídia. O bolsista do Knight International Journalism Fellowship, Justin Arenstein, gere o concurso, bem como a iniciativa Code for Africa, para a AMI.

Eyal conversou com a IJNet sobre a sua visão para o projeto e o que podemos esperar do CfSouthAfrica nos próximos meses. Aqui estão alguns destaques:

IJNet: Como vai o movimento de dados abertos na África do Sul?

A.E.: O movimento está realmente em sua infância. Temos pequenas comunidades fragmentadas, temos dois capítulos locais daHacks/Hackers South Africa e um grupo da Open Knowledge Foundation. Há um monte de pessoas que pensam que trabalhar com dados abertos é legal, mas poucas pessoas estão realmente fazendo algo com eles.

Ao longo da história, o nosso governo tem sido, em geral, muito sigiloso. Eu acho que a cultura de não perguntar ou questionar, e não descobrir o que está acontecendo, foi entregue ao novo governo [pós- apartheid], em 1994. Então, hoje , as pessoas ainda estão apreensivas sobre a disponibilização dos dados.

O que eu acho que nós precisamos fazer é criar demanda, e construir comunidades para fazer essa demanda. O processo [em outras partes do mundo] tem sido de que o governo disponibiliza os dados e os cidadãos os utiliza. Ao longo prazo, acho que vai fazer sentido impulsionar o governo ao código aberto na África do Sul, mas por enquanto meu objetivo a curto prazo é fazer com que as pessoas da comunidade se acostume em pedir e usar dados abertos. Precisamos ter organizações, jornalistas e o público solicitando dados do governo. Precisamos mostrar às pessoas que os dados são úteis, e que você pode obter dados de todos os tipos de lugares e realmente obter uma série de informações a partir de uma série de fontes aparentemente inúteis.

O que é o Code for South Africa?

A ideia é tentar evangelizar o uso de dados entre os líderes de organizações de mídia. Seguindo o modelo do programa Code for Kenya, analistas de dados/bolsistas serão incorporados em organizações hospedeiras por um período de 10 meses. Durante esse período, estes bolsistas serão considerados como parte da equipe de reportagem, sentando lado a lado com os jornalistas e frequentando reuniões de pauta matinais. Os bolsistas serão apoiados por um laboratório externo equipado com técnicos e um designer gráfico. Esse laboratório irá proporcionar o trabalho pesado para implementar alguns dos projetos identificados pelos bolsistas.

O objetivo desse projeto é permitir que as organizações de notícias experimentem com o jornalismo baseado em dados sem um grande investimento inicial. Depois de um período de seis meses, esperamos que o veículo de mídia se convence dos resultados e investa no desenvolvimento de produtos de informação e na utilização de informação mais frequentemente para conduzir suas investigações e notícias.

Quem são os bolsistas de dados? O que eles vão fazer?

Os bolsistas de dados irão trabalhar em redações, mas não são jornalistas. São analistas de negócios, analistas de dados, pessoas que podem falar a "língua humana" e ter alguma experiência com a tecnologia. Eles não têm que ser técnicos sérios, mas vão ter um interesse geral no campo, algumas ideias e uma paixão por elas. Eles serão responsáveis ​​por identificar oportunidades para melhorar a forma como as notícias são encontradas e divulgadas. Normalmente, podem trabalhar em uma matéria de dados com um jornalista, produzir visualizações, construir APIs ou desenvolver maneiras interessantes de consumir notícias.

Qual é um exemplo de um projeto que pode surgir?

Algo como: O que as trabalhadoras domésticas ganham na África do Sul? As trabalhadores domésticas são as pessoas mais vulneráveis ​​da sociedade. Não têm poder de barganha. E há uma enorme diferença entre o que ganham. Então, poderíamos criar uma tecnologia simples para mostrar [essa] informação, para as trabalhadoras domésticos e suas empregadoras. Em seguida, gostaria de tornar essa informação realmente pública, usando a mídia para divulgá-la .

É verdade que você odeia tecnologia?

Eu sou um técnico , mas eu sou um ludita. Eu uso lápis. Acho que a tecnologia é muito complexa e que há um enorme fosso digital entre os que têm e os que não têm. Embora quase todas as pessoas na África tenham um telefone celular (o que é incrível ), a maioria não tem crédito em seus telefones, muito menos smartphones. Então quando falamos "Vamos escrever este aplicativo para Android" e coisa e tal , isso é ótimo, mas na verdade realmente vai afetar as pessoas e gerar uma mudança?

Em termos de tecnologia, devemos fazê-lo o mais rápido possível, o mais barato possível. Pode ser que funcione ou não. Se funcionar, vamos continuar a repetir.

Minha filosofia : Visualizações são bacanas, mas [fazer algo] legal não é suficiente. Qual é o impacto? O código tem que ser rápido --muito rápido. Nenhum projeto deve demorar mais que uma semana. Construa equipes dentro das organizações. Relacionamentos são bem mais baratos de manter do que consultores. Construa comunidades. São a única forma sustentável de criar um movimento popular.

Jessica Weiss, ex-editora-chefe da IJNet, é uma jornalista americana com base na Argentina.

O conteúdo de inovação de mídia global relacionado com os projetos e parceiros dos bolsistas do Knight International Journalism Fellowsship na IJNet é apoiado pela John S. and James L. Knight Foundation.

Imagem sob licença CC, cortesia de James Cridland no Flickr