Internet e jornalismo digital ajudam a combater ataques a liberdade de imprensa na Argentina

porIsaac Itman
Apr 1, 2011 em Jornalismo básico

Um grupo de manifestantes bloqueou a distribuição da edição de domingo do jornal argentino Clarín no dia 27 de março, mas centenas de milhares de leitores do jornal conseguiram acessar o conteúdo através da Internet.

Cerca de 600.000 exemplares que, segundo o Instituto Verificador de Circulaciones são vendidos pelo Clarín em cada domingo, nunca chegaram ao seu destino quando dezenas de pessoas supostamente ligadas a uma empresa gráfica do Grupo Clarín não permitiram que os caminhões de distribuição do jornal saíssem da impressora no bairro de Barracas, em Buenos Aires.

O embargo, que supostamente foi organizado para exigir a reintegração de funcionários demitidos da empresa de impressão, durou aproximadamente 12 horas e foi reproduzido, em menor medida, em uma fábrica vizinha de onde sai a distribuição do jornal La Nación. A distribuição desse jornal foi parcialmente afetada, mas retomada após cerca de duas horas.

Além das implicações políticas do fato, que representa um ataque inexpugnável à liberdade de imprensa, porque as autoridades não interviram para acabar com o bloqueio e permitir que muitas pessoas fossem informadas do fato, os leitores poderam acessar o conteúdo digital do Clarín e estabeleceram um recorde.

Segundo o jornal, no dia 27 de março o site recebeu cerca de 945.000 visitas únicas, 250.000 a mais que o habitual. Além disso, cerca de 759.000 usuários acessaram a edição de domingo em formato PDF. Na Argentina, aproximadamente 4,6 milhões de domicílios têm acesso à Internet, segundo dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC).

Estes dados são promissores, mas não reduzem a gravidade do que aconteceu. A mídia impressa continua a ser essencial para informar milhões de cidadãos que não têm acesso à rede.

No entanto, é estimulador saber que quando a liberdade de imprensa sofre este tipo de ultraje, a Internet e o jornalismo digital se tornam uma alternativa essencial para que o público possa continuar a tomar decisões fundamentais, participar no processo democrático e ter instrumentos para exigir a transparência e prestação de contas às autoridades.

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