GroundReport globaliza notícia local

porZul Maidy
May 17, 2009 em Diversos

Esta é a quarta de uma série de entrevistas na IJNet que pretende examinar a fundo as operações de várias plataformas online de notícias, iluminando o futuro da mídia global como previsto por pensadores de todo o mundo. Para ler a terceira entrevista, sobre o GlobalPost, clique aqui.

Em um tempo em que o jornalismo cidadão e a nova mídia estão causando furor, uma pequena porcentagem das organizações se destaca na indústria jornalística. Nesta área, o acesso do consumidor e a presença global marcam o elemento da qualidade do conteúdo, assim como o potencial para formar parcerias com outros prominentes jogadores em um novo campo dinâmico. O crescimento e a sobrevivência destas organizações dependem do quanto são únicas e da rapidez em que aproveitam oportunidades para desenvolvimento futuro.

Criado em 2006, o GroundReport é uma plataforma de jornalismo cidadão que enfatiza a retenção da presença humana no processo editorial. O site aceita "notícias de última hora e opinião sobre política, negócios, tecnologia, esporte e artes" de gente da comunidade e  qualquer pessoa da área.

Até o momento, o GroundReport entrou em parceria com o YouTube, PBS, Channel Thirteen, Aspen Institute Forum on Communications and Society, Mogulus, TalkBackTV e Huffington Post em áreas de distribuição de conteúdo e estratégia.

O redator da  IJNet Zul Maidy entrevistou Rachel Sterne (na foto à esquerda), fundadora e presidente do GroundReport.com. Sterne trabalhou como repórter política do Conselho de Segurança para a Missão dos Estados Unidos na ONU.  Seu trabalho na ONU durante a crise de Darfur lhe serviu de inspiração para lançar o GroundReport, concebido como "uma ferramenta que dá poder às pessoas para mostrar suas histórias e descobrir o que realmente está acontecendo no mundo".

ZM: Como vocês mantêm a credibilidade geral do GroundReport, já que dependem quase que inteiramente de milhares de repórteres cidadãos?
RS: Manter a credibilidade do GroundReport é nossa prioridade principal. Embora tenhamos 5.000 repórteres, em sua maioria profissional, em todo o mundo, o trabalho de cada colaborador é examinado e aprovado antes da publicação por um time de editores no estilo do Wikipedia. Também temos um sistema de reputação para os colaboradores com base na avaliação de cada artigo de notícia por parte da comunidade.

ZM: Qual é o critério que vocês dão para a melhor reportagem? Como são avaliados os artigos de notícia?
RS: Depois dos artigos serem aprovados pelos editores com base nos padrões básicos de jornalismo e redação, a comunidade pode classificar as matérias e vídeos com até cinco estrelas. É um processo simples que faz uma diferença grande.

ZM: Como funcionam os incentivos? Pode dar um exemplo de um repórter que ganha seu sustento contribuindo para sua organização?
RS: O GroundReport divide o lucro com seus colaboradores dependendo do tráfico único de cada trabalho. Os incentivos são um princípio importante e diferenciador na fundação do GroundReport, que reconhece o valor criado pela nossa comunidade e nossa crença de que nosso sucesso é compartilhado. Muitos dos nossos colaboradores são jornalistas freelance e, portanto, contribuem para uma variedade de organizações, entre elas o GroundReport. Quanto à renda, muitos dos nossos repórteres trabalham em países em desenvolvimento e o que ganham do GroundReport representa uma contribuição substancial a sua renda. Além do ganho financeiro pessoal, vimos colaboradores do GroundReport ganhar exposição e posições de período integral como resultado do seu trabalho aqui. Eles sempre continuam a contribuir.

ZM: Até onde vai sua responsabilidade sobre a segurança dos repórteres?
RS: A maioria dos colaboradores do GroundReport já vive na região onde reporta como nativos e sabe como navegar na área de maneira segura. Em países onde colaboradores podem estar em perigo, o GroundReport permite que repórteres usem pseudônimo para proteger sua identidade, mesmo enquanto nós independentemente verificamos suas credenciais. Já que boa parte da nossa cobertura parte de zonas de conflito, isto é crucial.

ZM: Já houve casos em que teve que esconder a localização de um repórter?
RS: Sim, principalmente na África e América do Sul. Sempre examinamos e geralmente honramos estes pedidos.

ZM: O GroundReport sugere pautas a repórteres ou como eles devem cobrir certas matérias?
RS: Mais e mais, mas é uma mistura. Sabemos o valor de ter 5.000 repórteres de confiança em todo o mundo, e, em muitas maneiras, somos uma organização moderna de correspondentes independentes. Quando uma notícia urgente está se desenvolvendo, nossos editores contatam os repórteres ativos na área para obter contexto local e atualizam nossos serviços de agências de notícia. Fazemos isso em toda parte, desde na última eleição de Berlusconi até nos ataques terroristas de Mumbai. Para Mumbai, transmitimos uma chamada por repórteres pelo Twitter, verificamos seus credenciais e durante os ataques publicamos mais de 100 notas de texto e vídeo.

ZM: O GroundReport oferece algum tipo de capacitação ou assistência a repórteres novos ou em desenvolvimento?
RS: A equipe do GroundReport oferece orientação prática aos nossos colaboradores, de estilo e abordagem a gramática e citação de fontes. Durante nosso processo editorial, há um diálogo aberto, como uma página de discussão do Wikipedia que permite que editores e repórteres se comuniquem. Nossos repórteres novos estão sempre agradecidos.

ZM: Como é o trabalho realizado pelo GroundReport? Vocês têm uma equipe  selecionando e editando o material ou é tudo automatizado?
RS: O GroundReport põe ênfase no valor de uma rede humana de confiança e combina isso com algoritimos eficientes. Eu acredito realmente que você nunca irá recriar a experiência do jornal com o algoritimo, porque consumir notícia e informação é uma experiência intensamente humana - e portanto social. O GroundReport trabalha assim: temos uma lista de colaboradores especiais com repórteres sofisticados e de confiança, cujo trabalho é publicado imediatamente baseado no seu histórico de sucesso. Todas as reportagens de colaboradores que não pertencem à lista vão para uma fila visível somente para os editores e devem ser aprovadas artigo por artigo. Além disso, a página principal é determinada pela diversidade geográfica e comunidade, com base nas classificações.

ZM: Como você acha que irá mudar o cenário da mídia jornalística no futuro ?
RS: Ficará exponencialmente mais eficiente, poderosa e vasta. Estamos vivendo no meio de uma revolução da informação. O próximo desafio da mídia jornalística é integrar o melhor dos dois mundos: aprender com a sabedoria de redações jornaliísticas estabelecidas e aplicar suas melhores práticas na explosão do conteúdo de produção, acesso à informação e conectividade. Se podemos fazer os dois bem, e otimizar nossa produção e distribuição, construiremos um novo sistema de notícias que será muito mais lucrativo e evoluído do que o cenário atual.

Para visitar o Ground Report, clique em http://www.groundreport.com/.