Dicas para jornalistas cobrindo conflitos e oito manuais de segurança gratuitos para jornalistas

porSherry Ricchiardi
Apr 3, 2015 em Segurança do jornalista

Um jovem repórter falou vigorosamente sobre suas experiências na frente de batalha no leste da Ucrânia. Ele descreveu como separatistas apoiados por russos bombardearam vilarejos e civis que corriam para salvar suas vidas.

"Eu não posso acreditar que isso está acontecendo em minha terra natal", disse Anton Skyba, que dirige uma pequena agência de informação e nunca tinha coberto guerra antes. Ele tem sorte de estar vivo.

Quando se aventurou em território controlado por forças pró-russas, ele foi capturado, espancado e acusado de espionagem, contou. Depois de ser mantido refém por vários dias, ele foi entregue a um outro grupo rebelde, que o libertou.

Skyba recordou esses eventos durante o Fórum de Mídia realizado em Lviv, na Ucrânia, perto da fronteira com a Polônia.  O público estava cheio de relatos de tropas e tanques russos ultrapassando a fronteira. Quatro meses depois, o Business Insider incluiu a Ucrânia em sua lista de 15 piores zonas de guerra do mundo.

"Nossos jornalistas não são experientes correspondentes de guerra. Eles não estão prontos para isso", disse Ostap Protsyk, organizador do fórum. "[A invasão russa] é a maior notícia para nós. Nossos meios de comunicação têm que cobri-la. "

A história de Skyba ecoa uma tendência angustiante de jornalistas locais que migram de editorias de educação, política e crime para reportar sobre a violência em seu quintal quando o conflito começou. Muitos pagaram caro.

Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, quase nove em cada 10 fatalidades relacionadas a trabalho desde 1992 envolveu jornalistas cobrindo notícias em seu próprio país. Mais de 95 por cento dos jornalistas presos em todo o mundo são repórteres locais, fotojornalistas, blogueiros e editores, de acordo com o CPJ.

Após o Media Forum Lviv, cerca de 40 membros da imprensa ucraniana se reuniram para um seminário sobre dicas de segurança. Entre os conselhos:

  • Nunca ande no banco de trás de um carro de duas portas em uma zona de combate. É uma armadilha mortal. Sempre mantenha janelas abertas, portas destravadas e cintos soltos.
  • Faça amizade com moradores e refugiados. Eles conhecem o terreno e têm conexões com os combatentes.
  • Mantenha os telefones celulares carregados, o tanque cheio e sempre leve baterias extras. Carregue água, lanches, papel higiênico e um kit de primeiros socorros.
  • Nunca faça nada para se divertir em uma zona de guerra. Pode matar você.

Com o relatório "Global Risks" de 2015 listando conflitos internacionais como a maior ameaça para a estabilidade mundial nos próximos 10 anos, as realidades do conflito do século 21 sublinham um ponto-chave: A necessidade de treinamento de segurança para os jornalistas nunca foi tão grande.

Organizações globais de apoio à mídia compilaram recursos e diretrizes para jornalistas que cobrem conflitos. Aqui está uma amostra do que está disponível online.

  • Manual de Segurança para Jornalistas - Comitê para a Proteção dos Jornalistas. Este guia tem uma seção sobre jornalismo doméstico e lida com questões práticas. Disponível em inglês, espanhol, francês, árabe, russo, somali, farsi, português e chinês.
  • Handbook for Journalists - Repórteres Sem Fronteiras. Listas de dicas úteis e excelente capítulo sobre segurança em reportagens de guerra. Disponível em inglês, francês, urdu e curdo.
  • IWPR Training Manual - Institute for War and Peace Reporting. Contém capítulo sobre a segurança dos jornalistas e está disponível em Inglês, árabe, russo, cazaque, quirguiz e tadjique.
  • Disaster and Crisis Coverage - Centro Internacional para Jornalistas. Contém capítulos sobre gerenciamento de cobertura de crise, reportagem de crises e segurança pessoal.
  • SEEMO Safety Net Manual - South East Europe Media Organization (SEEMO). Inclui capítulo sobre reportagens de manifestações, agitação social e outras situações de violência. Doze diferentes versões linguísticas disponíveis para todos os países SEEMO.
  • The Journalist Survival Guide - SKeyes Center for Media and Cultural Freedom na Samir Kassir Foundation. O guia vai prepará-lo para a ação em caso de um ataque de gás lacrimogêneo, tiros, lesões e outros riscos. Disponível em inglês e árabe.
  • Reporting Atrocities: A Toolbox for Journalists Covering Violent Conflict and Atrocities - Internews. O guia de 7 capítulos apresenta uma seção inteira sobre estratégias práticas para se manter seguro em uma zona de guerra.
  • Tragedies and Journalists - Dart Center for Journalism and Trauma. O PDF gratuito lista maneiras como jornalistas podem combater efeitos psicológicos da cobertura de eventos traumáticos.

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Imagem sob licença CC no Flickr via Global Panorama