Dicas e ferramentas para jornalistas que querem criar uma marca própria

porNatasha Tynes
Feb 2, 2015 em Jornalismo básico

Na era de demissões e de posições tradicionais dando lugar a digitais, é mais importante do que nunca que o jornalista se destaque.

Criar uma marca de jornalista é uma maneira de dizer aos seus possíveis empregadores o que você pode trazer para a mesa. Por reconhecer a importância da marca, o Centro Internacional para Jornalistas está oferecendo o curso online “Branding for media professional” (Fazendo a marca para o profissional de mídia), desenvolvido por Steve Buttry, treinador de mídia digital e acadêmico visitante da Manship School of Mass Communication na Universidade do Estado da Louisiana

Segundo Steve, “branding [criar uma marca] é um termo genérico que se refere a aplicar esforços para identificar um jornalista com seu trabalho e distingui-lo de outras pessoas no campo". O curso apresenta perfis de jornalistas que estão fazendo um trabalho distinto em suas marcas próprias, incluindo Mark S. Luckie, Greg Linch, Mandy Jenkins, Jeff Edelstein e outros.

A IJNet conversou com Steve sobre ferramentas e dicas para criar uma marca pessoal.

IJNet: Quais são as cinco dicas que você dá para jornalistas que querem se diferenciar?

Steve

1. Uma boa marca começa com um trabalho de qualidade. Fazer sua marca não é um substituto para a qualidade, mas uma maneira de garantir que você obtenha o crédito para o seu bom trabalho.

2. Use o Twitter para se juntar e contribuir para a conversa sobre jornalismo e/ou o seu nicho no jornalismo e/ou o nicho que você cobrir.

3. Considere um blog para contribuir para a conversa sobre jornalismo e/ou o seu nicho no jornalismo e/ou o nicho que você cobrir.

4. Pesquise a si mesmo no Google (com palavras-chave que um potencial empregador pode usar, especialmente se você tem um nome comum). Considere como os resultados refletem sobre você profissionalmente. Se algo que aparece no topo dos resultados reflete negativamente sobre você, considere pedir uma atualização (se está desatualizado, não se esqueça de pedir um título atualizado, também). Considere se você pode criar um novo conteúdo (com forte SEO) que pode aparecer mais em pesquisas para você.

5. Certifique-se de fornecer contas atualizadas, precisas e detalhadas sobre a sua carreira no LinkedIn, a página "Sobre" do seu blog, about.me e outras contas nas redes sociais. Inclua um link para a melhor descrição da sua carreira no Twitter, Facebook e outros perfis de mídia social.

IJNet: Quais são os erros mais comuns que os jornalistas cometem quando tentam criar uma marca?

Steve: Você pode achar que branding é como falar de si mesmo e às vezes é importante falar de si mesmo. Mas não cometa o erro de achar que fazer sua marca é apenas falar de si mesmo. Em outros contextos sociais (o local de trabalho, festas, conferências, etc.), ninguém gosta de alguém que está sempre falando de si mesmo. É a mesma coisa na mídia social. Compartilhe links sobre as coisas interessantes que você lê. Retuite os tuites interessantes. Responda às pessoas e participe de conversas interessantes. Então, quando você encontrar links para o seu próprio conteúdo, as pessoas estarão mais interessados em ler ou ver o seu trabalho.

IJNet: Quais são as ferramentas digitais que você recomenda para criar uma marca?

Steve: As ferramentas podem depender de suas habilidades: Se você produz jornalismo de vídeo, ferramentas como YouTube, Vimeo, Tout, Instagram e Vine são mais importantes. Se o seu trabalho envolve curadoria, ferramentas como o Storify, Spundge e RebelMouse são mais importantes.

IJNet: Pode dar exemplos de jornalistas que estão se destacando realmente bem?

Steve: Andy Carvin é um excelente exemplo. Sua conta no Twitter quando estava no NPR tornou-se leitura obrigatória durante as revoltas da Primavera Árabe. Ele se tornou uma das marcas mais fortes na mídia social, se não em todo o jornalismo. Essa marca no Twitter o levou a uma oportunidade de escrever um livro, Distant Witness, que fortaleceu ainda mais a sua marca. E quando ele tuitou que a NPR  ia oferecer a compra do seu contrato, ele recebeu interesse imediatamente. Meus ex-colegas do Digital First Media no Thunderdome têm ótimos exemplos sobre branding. Eles tinham marcas fortes individualmente e coletivamente, então quando a empresa fechou o Thunderdome na primavera passada, apesar do mercado ruim, a equipe do Thunderdome conseguiu empregos excelentes.

Crédito da foto: Parlamento Europeu - Flickr/Creative Commons