Conselhos para jornalistas investigativos transfronteiriços

porIrene Wangui
Dec 27 em Jornalismo investigativo

Mais de 300 representantes de mídia se encontraram na Cidade do Cabo, na África do Sul, no final de novembro, para a Media Indaba África 2017, uma reunião de mídia digital focada em invenções e soluções de mídia exclusivas para o continente africano, além de ideias do mundo todo. O evento de 23 a 25 de novembro incluiu sessões sobre temas como a luta contra a desinformação, o jornalismo de sensores, a tecnologia nas salas de redação e o uso de dados para melhorar a cobertura de notícias.

Com representantes da mídia, ONGs, organizações de doadores e cívicas compartilhando informações e comparando experiências, um cenário foi criado para novas conexões e colaborações.

Fabiola Torres López, bolsista Knight do ICFJ, ofereceu seus insights sobre a colaboração na redação, aproveitando sua experiência trabalhando em grandes projetos de investigação em toda a América Latina. Fabiola é cofundadora do OjoPúblico, a redação investigativa peruana atrás de reportagens colaborativas, como o Projeto Big Pharma, uma investigação multinacional sobre práticas irregulares da indústria farmacêutica na América Latina.

Fabiola compartilhou três lições críticas da experiência do OjoPúblico:

Design thinking é chave para lançar projetos colaborativos 

O OjoPúblico projeta todas as investigações com uma ideia clara do que precisam encontrar, o tipo de resultados esperados, bem como o conteúdo a ser desenvolvido. Segundo Fabiola, "o novo jornalista é um arquiteto da realidade digital" e deve, portanto, estar equipado com as ferramentas necessárias. Os jornalistas agora estão trabalhando com dados ilimitados na forma como podem ser pesquisados, criando dimensões ilimitadas da matéria, que exigem o uso de ferramentas como o Neo4j. Fabiola enfatiza a necessidade de segurança digital ao trabalhar em projetos de investigação, incluindo o uso de e-mails criptografados para proteger todos os parceiros. O design do projeto garante que todos esses componentes estejam no lugar antes do início do trabalho.

Desenvolva alianças

O desenvolvimento de parcerias pode ajudar as salas de redação a cobrir histórias que, de outra forma, seriam muito caras para publicar de forma independente. O modelo de parcerias transnacionais do OjoPúblico é muito bem sucedido na criação de acesso a conhecimentos locais em novas regiões, no desenvolvimento de novas fontes, bem como na expansão do alcance do conteúdo para públicos maiores.

Ouse experimentar

A colaboração pode ajudar equipes pequenas a ampliar seu escopo e experimentar diferentes tipos de conteúdo. Apesar de ser uma organização de notícias digital, o OjoPúblico decidiu imprimir um jornal para chegar às comunidades com pouco acesso digital. "Aprendemos que nem todos recordam o que é publicado na web e que a inovação não é necessariamente uma ferramenta, mas uma maneira de pensar", diz Fabiola. Ela incentiva as salas de redação a pensar sobre o que a comunidade lembrará sobre a história e concentrar seu conteúdo em torno disso.

A sessão sobre colaboração e uso do kit de ferramentas de jornalismo de dados incluiu participantes de uma variedade de redações, incluindo o Bhekisisa, um canal de reportagens de saúde na África do Sul, bem como a equipe do Code for Nigeria. O time do Code for Nigeria está trabalhando com o Punch, o principal jornal do país, para lançar uma série de ferramentas de saúde que ajudarão os cidadãos a acessarem dados de saúde pública.

"Há muito a aprender com a abordagem do OjoPúblico que pode ser implementada na Nigéria", disse Nakechi Okwuone, líder do Code for Nigeria. "A redação digital do OjoPúblico é particularmente impressionante, pois possui muitos aplicativos de notícias que permitem que os cidadãos se envolvam com dados em diferentes problemas sociais, o que também esperamos implementar com os canais de notícias no nosso país."

A Media Indaba África foi promovida pela maior associação de jornalismo de dados e tecnologia cívica do continente, o Code for Africa, em parceria com Hacks/Hackers África. O evento é organizado sob a liderança de Chris Roper, bolsista Knight do ICFJ, Chris Roper.

Irene Wangui é consultora do programa África do Centro Internacional para Jornalistas. 

Fabiola Torres López ajuda jornalistas na América Central, no México e Colômbia a adotarem as últimas habilidades de jornalismo investigativo digital para melhorar sua cobertura de corrupção, transparência e questões de governança. Saiba mais sobre seu trabalho como bolsista Knight do ICFJ aqui.

Imagens cortesia de Royden D'Souza, bolsista Knight do ICFJ