Como utilizar fontes de notícias em comunidades remotas

porAntigone Barton
Aug 15, 2013 em Diversos

Em algum lugar longe da capital, longe da maioria das redações, e, inclusive da maioria dos consumidores de notícias, um hospital em ruínas para de funcionar. Talvez isso aconteceu porque o sistema de energia falhou, ou talvez os membros da equipe que não foram pagos finalmente se demitiram. De qualquer maneira, o resultado será o mesmo: pessoas em um lugar remoto acabam de perder acesso a cuidados de saúde.

Na cidade, as pessoas começam a perceber quando as filas no centro de saúde local crescem com mais e mais pessoas vindas do campo, porque não têm para onde ir para o tratamento em casa. Eles trazem suas doenças e lotam as clínicas.

Com os poucos recursos das organizações de notícias para cobrir as províncias, quem poderia saber que isso ia acontecer?

Você poderia saber se a sua organização estivesse conectada a uma fonte que quisesse que a história fosse contada. Isso significar que as pessoas que vivem na comunidade afetada --empregados, burocratas, professores, estudantes-- algumas com aspirações a se tornarem jornalistas profissionais, e algumas que querem simplesmente dizer o que está acontecendo para um público que pode fazer algo sobre o problema.

Isso é o que descobriu o jornalista nigeriano e bolsista do Knight International Journalism Fellowship, Babatunde Akpeji, quando aproveitou uma rede de jornalistas-cidadãos para cobrir temas de saúde na região do delta da Nigéria, para levar suas histórias à mídia tradicional.

Envolver as comunidades na coleta de notícias requer algum investimento, mas não tão grande como tirar os repórteres de suas editorias diárias e enviá-los para fora da cidade. Exige treinar apuradores locais nos fundamentos da verificação de fato, reportagem e ética jornalística. Os jornalistas cidadãos com quem Akpeji trabalhou também tiveram que receber telefones celulares para que pudessem passar suas histórias aos repórteres, que, então, podiam conferir a informação com fontes do governo.

Para os meios de comunicação dispostos a investir nesse esforço, vale a pena em vários aspectos, Akpeji diz. Aqui está o porquê:

  • Os jornalistas cidadãos trazem notícias relevantes para todos, porque suas histórias terão um efeito dominó no resto do país. Se uma política ou sistema não está funcionando no nível básico, Akpeji diz: "no nível urbano, vai entrar em colapso muito em breve". Ele aconselha jornalistas cidadãos a mostrarem as relações entre o que veem acontecendo em suas comunidades e as consequências que se seguem.

  • Histórias de interesse humano podem ser uma boa partida das matérias comuns de sensacionalismo e política. "Há pessoas que devem ter o mesmo acesso a serviços como todos os outros", diz Akpeji. Ele pede aos jornalistas cidadãos para escolherem uma pessoa afetada pela doença ou circunstância em foco, e mostrarem o impacto humano. "Não basta dizer que 20 por cento das pessoas têm esse problema e deixar por isso mesmo", diz ele.

  • O material que jornalistas cidadãos fornecem dão a editores e produtores uma oportunidade para avaliar o potencial de uma história, incluindo obter respostas de funcionários na capital e enviar as respostas de volta para o campo para ver se conferem.

Além disso, diz ele, quando as organizações de mídia crescerm sua área de cobertura, também têm o potencial de expandir a audiência. Pelo menos, Akpeji observa, o jornalista cidadão, assim como seus vizinhos, amigos e familiares, estarão ansiosos para ver o resultado de suas reportagens publicado ou transmitido. Outros membros da comunidade, quando veem suas próprias histórias serem cobertas, são mais propensos a se tornarem consumidores de notícias, também.

Você pode ler mais sobre o trabalho de Akpeji com cidadãos jornalistas aqui (em inglês).

 Antigone Barton escreve no blog Science Speaks para o Center for Global Health Policy. Ela é uma ex-bolsista do Knight International Journalism Fellowship, que trabalhou com repórteres na Zâmbia para estabelecer uma editoria de saúde no jornal Zambia Daily Mail, um dos principais jornais diários do país. Ela foi bolsista do Global Health Reporting Fellowship na Nieman Foundation for Journalism da Harvard.

Foto por Babatunde Akpeji cortesia do ICFJ