Como um blogueiro mexicano fez da sátira política um bom negócio

por James Breiner
Mar 18, 2014 em Redes sociais

Chumel Torres é um blogueiro de vídeo cuja perspectiva satírica sobre política e jornalismo conseguiu atrair 483 mil assinantes a seu canal no YouTube em apenas um ano.

Ele criou um negócio com base nos patrocinadores que atrai para seu programa semanal, El Pulso de la República.

E ele tem uma mensagem para outros jovens que estão frustrados com a cobertura da política pela grande mídia: se você não gosta do que estão fazendo, comece o seu próprio programa ou site de notícias, disse ele em uma entrevista.

"Se o jornal não gosta de você, não lhe escuta, não lhe dá nenhum dinheiro, não oferece oportunidades, bem, então, crie o seu próprio projeto. Qualquer pessoa pode gravar um vídeo ou gravar um programa de rádio e enviá-lo para a Web. A única limitação é a que você tem na sua cabeça."

Sátira e humor negro

Torres, com quase 30 anos, diz que modelou "El Pulso" no trabalho de seus heróis, Jon Stewart do Daily Show e Stephen Colbert do Colbert Report.

Seu programa é cheio de humor negro e sátira política entrelaçados a vulgaridades que nunca aparecem na imprensa ou na televisão convencional. Mas o público jovem adora. Além dos 483 mil assinantes no YouTube, seus números de mídia social são:

Estatura e influência

Ele não revelou números de receitas, mas disse que ganha dinheiro com publicidade e patrocínio em suas contas do YouTube e Twitter.

Seus números de mídias sociais fazem dele um dos blogueiros mais importantes do México, como foi evidenciado pelo fato de que ele foi convidado para dar uma palestra e um workshop na semana passada em uma conferência internacional sobre jornalismo digital em Cancun, o Congreso Internacional de Periodismo digital y Redes Sociales. (Eu também dei uma palestra e oficina lá.)

Torres e um jornalista que só escreve no Twitter pelo nome de Callodehacha (com 401 mil seguidores) subiram ao palco e falaram seriamente (na maior parte) sobre o novo cenário da mídia no México. Eles se veem como um contrapeso ao "oficialismo" da grande mídia, ou seja, a tendência de regurgitar as platitudes de politicos sem questioná-los.

Neste ambiente de mídia mais aberta, o público está decidindo quem é verdadeiro, quem merece o seu apoio e quem realmente é jornalista.

Vozes independentes

Outro orador na conferência foi Jean- François Fogel, um jornalista, escritor e consultor de mídia digital da França. Ele disse em uma entrevista que não há dúvida de que Torres e Callodehacha são jornalistas que representam a nova onda:

"Eles são jornalistas que se especializam no jornalismo de opinião. Eles estão na vanguarda. Sua forma de expressão é de um tipo que é reconhecido por todos os códigos jornalísticos e de mídia. Eles dominam todas as técnicas jornalísticas e estão fazendo isso com grande talento, obviamente."

Torres valoriza a liberdade de expressão que ele tem em "El Pulso". Quando ele foi convidado pela maior rede de televisão no México, a Televisa, para produzir seu material no ar, ele disse que sua resposta foi: "Você é o inimigo, cara."

A Televisa tem 70 por cento da audiência de televisão. "Durante 50 anos, eles censuraram as notícias e pisaram na verdade," diz Torres. "É uma fonte de notícias que ninguém acredita. Meu público-alvo não assisti. Está para morrer, se não economicamente por seu conteúdo, sabe?"

Uma audiência de gente comum

Ele usou a expressão em inglês "average Joe" (homem comum) para descrever seu público-alvo, principalmente jovens de até 34 anos de idade. Mas também atrai adolescentes, o que gera alguns comentários de pais preocupados.

"Alguns pais comentaram:" Ei, cara, o meu filho no colegial tem uma opinião política e está me desafiando". Isso diverte Torres, que vê seu programa como uma forma alternativa de educar os jovens sobre o que está acontecendo na Ucrânia e Venezuela, por exemplo.

Engenheiro mecânico

Originário do estado de Chihuahua, que faz fronteira com o Novo México, Torres estudou engenharia mecânica na faculdade e trabalhou por sete anos em uma das muitas fábricas de fronteira que montam produtos para venda nos Estados Unidos.

Ele diz que a fábrica é o mundo em miniatura:

"Ensina como se dar bem com o presidente turbo super ultra da diretoria que fala o que a gente tem que fazer e com os trabalhadores no chão que estão fazendo a montagem e trabalhando pra cachorro. Você aprende este senso de equilíbrio: Diplomacia de um lado e uma compreensão das condições de trabalho, do outro. Essa sensibilidade sempre me serviu bem."

A Escola do Twitter

Ele começou sua carreira escrevendo no Twitter. Foi lá que ele diz que aprendeu a escrever um roteiro. "É como uma escola para a estruturação de uma discussão. Contos. O arco dramático de uma história. Quase todos os especialistas do Twitter sabem como contar histórias."

Foi um tuite satírico sobre as eleições de 2012 no México que o fez chegar ao estrelato. (Essa história, em espanhol, é contada aqui e aqui. Durante algum tempo, ele se ocupou de diversos trabalhos de escrita com seu atual colaborador, um especialista de Twitter que atende pelo nome de Durden.

Frustrados com a tentativa de vender suas ideias à mídia convencional, eles decidiram largar tudo e colocar toda a energia no lançamento de " El Pulso". Foi um grande salto para o desconhecido, sem certeza de sucesso.

Sua mensagem para os jovens é que eles devem fazer o mesmo. "Você tem que acreditar em si mesmo. Conclusão: Você não imagina quão pouco as grandes mídias têm ideia sobre o que estão fazendo. Você realmente é quem manda."

Este post foi escrito para o blog News Entrepreneurs e é publicado e traduzido pela IJNet com permissão do autor.

James Breiner é consultor em jornalismo online e liderança. Foi co-diretor do Global Business Journalism Program na Universidade Tsinghua e bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica e siga-o no Twitter.

Imagem: Captura de tela do vídeo da entrevista de Breiner com Torres