Como ter ideias originais de pauta

por David Brewer
Jan 13, 2012 em Diversos

O jornalismo de interesse público existe para informar o público e influenciar o debate público. Este é o oposto do jornalismo alimentados pelas agência de notícias, em que os jornalistas reproduzem o que recebem.

Isto significa que os jornalistas têm que definir a agenda editorial das questões que mais importam para o público e explicar o significado dos acontecimentos. Sem isso, você pode pensar que está fazendo jornalismo, mas na realidade está apenas distribuindo notícias de relações públicas.

O papel do jornalista

O jornalismo de interesse público envolve examinar onde outros não examinam, ilumunar lugares escuros, desafiar os poderosos e escrever histórias convincentes sobre pessoas reais cujas vidas são afetadas pelas ações dos outros. (...)

Quando você tiver completado este exercício, terá uma fórmula para pelo menos 10 histórias originais a cada semana que só aparecerão nas agências ou como assunto em uma conferência de imprensa depois de você ter dado o furo. E esse é o verdadeiro teste do jornalismo: se os outros serão forçados a acompanhar as notícias que você publicou. Esse é o sinal do jornalismo verdadeiro.

Aqui estão algumas dicas para começar. E antes que você diga que isso não é possível, devo dizer que fiz este exercício em várias veículos de mídias na América Central, Bálcãs, Oriente Médio e três países do sudeste Asiático, entre outros.

Em todos os casos, o resultado foi a publicação de matérias únicas que a competição teve de seguir. Pense nas histórias que você cobrir como pertencentes à categoria "se não fosse por você, o mundo nunca teria conhecido."

Definindo uma estratégia liderada pelo jornalismo de interesse público

Reúna a equipe editorial e decida quais são as questões-chave relacionadas ao seu público. Claro, antes de realizar este exercício, você precisa saber quem é o seu público-alvo. Você deve ter realizado um exercício de segmentação do público e decidido para que segmentos sua linha editorial irá servir.

Onde quer que esteja no mundo, você provavelmente vai descobrir que as preocupações das pessoas são reduzidas a questões como emprego, habitação, saúde, educação, transporte, lei e ordem, ambiente, etc.

É engraçado como isso funciona. Você pode pensar que este exercício na Guatemala, Belgrado, Baku, Harare, Jacarta e Kuala Lumpur pode resultar em diferentes assuntos, mas não. Uma vez aprovadas, estas questões tornam-se chave para sua estratégia de jornalismo de interesse público.

Quando eu conduzi este exercício no Azerbaijão em 2009, a equipe editorial pensou nos seguintes tópicos: saúde, habitação, educação, empregos (economia e finanças), transportes, agricultura, crime, meio ambiente e novas tecnologias.

É possível haja menos de nove, mas geralmente surgem pelo menos seis questões. Tente encontrar 10. Note que política e corrupção não são listados como questões-chave, apesar de serem propostos quase todas as vezes que realizei este exercício. Isto é porque política e corrupção podem afetar todas as áreas mencionadas acima e são comuns a todos, ao invés de problemas ou temas isolados.

Investigando os problemas que afetam o seu público

Agora temos que dividir cada problema em tópicos, de preferência 10 subtópicos. No caso do Azerbaijão, começamos o ano com a questão habitacional e dividimos em grupos para atingir um máximo de 10 subtemas.

As questões de habitação preparadas pelos jornalistas do Azerbaijão são:

1 -) Segurança
2 -) Tendências
3 -) Disponibilidade
4 -) Acessibilidade
5 -) Manutenção
6 -) Regras de construção
7 -) Os sem-teto
8 -) Serviços públicos (luz, saneamento)
9 -) Localização
10 -) Acesso à habitação como classe social e grupo étnico ou racial

Histórias originais sobre pessoas reais

Agora temos que dar um passo adiante. Temos que ir a fundo para achar as histórias originais sobre pessoas reais que ilustram estas questões para o público possa entender e se relacionar com os temas explorados.

Esta é a hora quando a estratégia deve ser compartilhada com os jornalistas que trabalham no campo. Eles precisam encontrar histórias reais de pessoas reais que ilustram os tópicos. Você deve incluir todos os correspondentes e jornalistas cidadãos também.

Isto não é tão difícil como parece. Você ficará surpreso com a quantidade de histórias que sua equipe pode encontrar. Todo mundo conhece alguém que tem uma história para contar.

A equipe de redação do Azerbaijão teve as seguintes ideias de pauta sobre segurança relacionada com questões de habitação, todas baseadas em histórias que aconteceram com seus amigos, vizinhos e parentes.

1 -) Pedreiros e moradores feridos
2 -) Existência de habitação em estado insalubre, o que leva a perda da moradia
3 -) Custo alto do seguro da casa

No final deste exercício, você deve ter pelo menos três ideias originais de artigos sobre cada tópico.

O modelo seguido no caso do Azerbaijão produziu 270 ideias originais de pauta.

(Nove [itens] multiplicado por 10 [tópicos], multiplicado por três [histórias]: 9 x 10 x 3 = 270).

Esta fórmula é agora uma parte central de sua estratégia editorial para cobrir as questões públicas que contribuem para o debate público e permitir que o público tome decisões informadas. (...)

Tornando-se um líder de notícias

Agora começa a diversão. Logo você vai começar a definir a agenda de notícias (ao invés de ter que seguir o que os outros publicam, como antes).

Seus concorrentes serão forçados a acompanhar as histórias que você descobriu. (...)

Quando fizemos este exercício com a rádio B92 em Belgrado em 2005, a concorrência começou a perguntar de onde a B92 tirava os comunicados de imprensa. Os concorrentes estavam acostumados ​​a obter as notícias através de agências, releases ou conferências de imprensa.

Quando decidir praticar este tipo de jornalismo, você não vai parar. Você estará definindo a agenda de notícias. Eu fiz este exercício do Azerbaijão ao Zimbábue e em todos os casos os resultados foram impressionantes.

Este artigo foi publicado originalmente no Media Helping Media (MHM), um site associado à IJNet que fornece recursos gratuitos para jornalistas que trabalham em estados em transição, países pós-conflito e áreas onde a liberdade de expressão e liberdade de imprensa estão em perigo. O artigo foi traduzido pelo IJNet com a autorização do Media Helping Media.

Para ler o artigo original em inglês, clique aqui.