Como propor reportagens de vídeo para organizações grandes

por IJNet
Dec 11, 2016 em Jornalismo multimídia

No dia 29 de novembro, o HackPack.press realizou um evento na Yellow Door em Moscou sobre jornalismo de vídeo e como propor reportagens de vídeo para as principais publicações. Aqui está um destaque das lições aprendidas.

Saiba para quem você está propondo a matéria

Naira Davlashyan, videógrafa da Agence France-Presse em Rússia e Comunidade de Estados Independentes: O primeiro passo é pesquisar no Google e entender para quem você está propondo -- tanto a publicação e editor. Muitas vezes recebemos propostas e conteúdo que não fazem sentido nenhum para nós. É simples. Entenda com quem você está trabalhando.

Albina Kirillova, produtora da RFE/RL: Muitas vezes as pessoas não assistem as matérias que produzimos. Para obter uma compreensão da publicação, você precisa ver suas matérias.

Peter Klein, fundador do Global Reporting Centre: Recebemos sempre ideias de matérias, mas nos concentramos em tópicos globais menos abrangidos. Alguns jornalistas não examinam o que organizações específicas precisam e em vez disso se concentram em sua ideia. Mas você deve olhar para o que essa organização está procurando. Para nós isso significa temas globais.

Formule sua proposta corretamente

Davlashyan: Uma proposta deve ter uma certa estrutura, incluindo uma ideia que funcione para um mercado de mídia específico. É importante entender que as ideias para um mercado global são diferentes daquelas para um mercado local. Freelancers muitas vezes propõem matérias locais. É possível vender qualquer tipo de matéria, mas você precisa criar a uma abordagem que coincide com a mídia.

O melhor exemplo de uma proposta foi do nosso colaborados bielorrusso. Uma vez ele enviou um e-mail com o assunto: 'Lukashenko. Cenouras. [Steven] Seagal. "Não há nenhuma maneira de deixar passar isso.

Klein: Não se apresse com o material. Nem todas as publicações querem receber um produto concluído. Editores não compram simplesmente um produto preparado, eles também querem participar na sua preparação e na sua ideia. Isso é importante. Então você precisa encontrar o meio termo perfeito. Se você tem uma ideia dos personagens em sua matéria, como retratá-los e é conectado com eles, então isso é muito bom. Mas não termine a matéria antes que alguém tenha aceitado a pauta. Se você filmá-la e não se encaixa no formato da publicação específica, então você vai ter problemas.

Entre em contato

Kirillova: A ida e vinda de correspondência e etiqueta de email me assustam mais do que ajudam. Se o freelancer tem tempo suficiente para fazer isso, significa que não está ocupado com nada. Porque eu simplesmente não tenho tempo para isso. O máximo que posso responder é "Um minuto", "Obrigado" ou "OK".

Melhor é escrever para mim no Facebook sem me adicionar como amigo. O Facebook não viola a minha privacidade. Nunca há uma razão para ligar. Vou sempre verificar a outra pasta no Facebook.

E se você não receber uma resposta, em seguida, escreva novamente e novamente. Às vezes fico procrastinando e me esqueço de responder. Portanto, seja persistente.

Davlashyan: Também é melhor conectar comigo ou meu colegas através do Facebook. Não há tempo para uma chamada telefônica. Escreva concisamente sobre si mesmo e a ideia específica.

Não pergunte por dinheiro primeiro

Kirillova: O maior erro que as pessoas fazem quando chegam para uma entrevista é que a primeira pergunta de sua boca é "Quanto paga?"

O dinheiro deve ser o último item que discutimos. Nossa resposta é: "Quem é você e o que você pode nos oferecer?" Isso resulta em um diálogo muito estranho que termina muito rapidamente.

Davlashyan: Sim, 'Quanto paga' é um problema muito real. A outra questão é uma preguiça geral. Pagamos um bom dinheiro, mas quando você recebe uma resposta de um freelancer [do tipo] 'Ah, eu tenho que me levantar às 6 da manhã para filmar algo por 10 minutos?' Isso me faz repensar se vou chamá-lo novamente.

Demonstre estas habilidades

Davlashyan: Em Moscou há uma concorrência bastante intensa e procuramos freelancers com experiência. Estamos à procura do crème de la crème. É muito importante para nós que eles possam falar inglês ou francês, ter uma ética de trabalho duro e conjunto de contatos. Quando você nos escreve, demonstre que conhece uma língua estrangeira. Também trabalhar na Agence France-Presse é um trabalho bastante técnico. Isso significa que nós queremos principalmente notícias urgentes de colaboradores -- rapidamente e de alta qualidade.

Kirillova: Ao lado de um bom colaborador, você se sente um folgado. Eles sempre estão trazendo algo e você nunca ouve a pergunta "O que precisamos fazer em seguida?" Para ser um bom colaborador, é importante saber o contexto, a história e os fatos em torno da questão para fazer as perguntas certas ao entrevistado.

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Imagem principal sob licença CC no Flickr via Sylvain Szewczyk. Segunda imagem (da esquerda à direita): o fundador do HackPack, Justin Varilek, Naira Davlashyan e Albina Kirillova; cortesia do HackPack.press.