Como incorporar jornalismo móvel nas redações locais

por Jacob Granger
Jan 16, 2020 em Jornalismo multimídia
Celular

Se você trabalha em uma estação de rádio comunitária ou em um jornal hiperlocal, pode achar que não é capaz de cobrir tudo o que precisa cobrir e que seu tempo é curto.

Em um podcast para o Journalism.co.uk, a professora de jornalismo móvel Caroline Scott explicou por que o jornalismo móvel pode ser exatamente o recurso que você precisa. Abaixo reunimos suas melhores dicas.

Notícias urgentes

O orgulho de qualquer redação, local ou nacional, é ser a primeira a dar uma notícia. Assim que a notícia aparecer, seu editor desejará que um jornalista em cena capture toda a ação à medida que ela se desenrola.

A praticidade do smartphone implica que jornalistas móveis chegarão muito mais cedo ao local do que um operador de câmera com equipamento pesado. Mas, disse Scott, isso só funcionará se o jornalista móvel tiver um plano e fluxo de trabalho já preparado.

"Se há uma notícia de última hora na minha frente, preciso conhecer o aplicativo que vou usar, exatamente como vou editar o material e saber como enviá-lo para a redação ou para a plataforma de publicação apropriada", aconselhou a professora. "Se houver uma situação à sua frente, mas você estiver testando 50 aplicativos diferentes, não será uma notícia urgente quando você começar a filmar."

Limitações e opções de backup

As desvantagens de usar smartphones quando você está fora de casa são bem documentadas. Mas há  ferramentas para superar todos os revéses.

Esses inconvenientes podem ser pouca luz, filmagem instável e incapacidade de aumentar o zoom. Ter equipamento de iluminação e um tripé ou suporte deve ser suficiente para capturar imagens estáveis ​​e bem iluminadas. Tudo o que você precisa lembrar é "ampliar com os pés": caminhar em direção ao que está filmando.

Scott também recomendou não esquecer que os telefones celulares podem ficar sem armazenamento, dados e bateria; portanto, carregue os carregadores, faça cópias constantes dos arquivos e use Wi-Fi sempre que possível.

Alguns jornalistas móveis até usam vários telefones ao mesmo tempo.

Microfones

Você pode tentar fazer entrevistas durante a sua cobertura. Se está fazendo tudo com um telefone celular, é fácil obter depoimentos em movimento, mas certifique-se de usar um microfone externo.

"Um telefone celular é leve", disse Scott. "Basta um microfone de gravata. É um item suplementar que você pode guardar no bolso. Para saber como usá-lo bem, você deve praticar."

Um fluxo de trabalho eficaz

Um bom exemplo de um bom fluxo de trabalho é fotografar no FiLMiC Pro usando um tripé ou cardan e editar usando o LumaFusion. Isso funciona bem para usuários do iPhone; usuários do Android devem recorrer ao Kinemaster para editar suas imagens.

Em muitos casos, isso será suficiente antes de publicar o conteúdo online ou nas redes sociais. Mas Scott advertiu que é fácil se deixar levar. Um erro comum é tentar fazer muito ou investir em diferentes aplicativos e equipamentos antes de realmente entender o básico.

"Comece pouco a pouco; talvez substitua algo que está sendo filmado em uma câmera grande por um telefone. Conheça o aplicativo, domine-o e construa a partir daí."

Conferências de imprensa

Na próxima vez em que você cobrir uma conferência de imprensa, pense em oportunidades para usar seu telefone celular.

Scott disse que é uma boa oportunidade para capturar imagens e áudio e aproveitar as redes sociais. Isso lhe dará uma chance melhor de vencer a competição.

"Não preciso gravar o som separadamente e sincronizá-lo; posso tirar uma foto e enviá-lo para as redes sociais instantaneamente, e posso ir ao vivo diretamente do meu telefone", explicou ela. "Acredita-se que é preciso muito para editar, mas não: podemos fazê-lo a partir de nossos telefones celulares."

Economize dinheiro e recursos humanos

Um iPhone, mesmo o mais novo, é uma opção mais barata que um dispositivo de transmissão padrão. Modelos mais antigos e baratos também farão o trabalho. Isso não significa apenas que as redações podem economizar algum dinheiro, mas não precisam depender tanto de especialistas.

"Mais jornalistas da equipe poderão sair para filmar", Scott explicou. "Nem todos nós somos operadores de câmera treinados e engenheiros de som, mas por que não envolver mais pessoas?"

As tomadas feitas com smartphones geralmente são indistinguíveis das tomadas com câmeras profissionais, mas, ela acrescentou, é necessário treinamento para que o conteúdo não pareça amador.

"Os jornalistas precisam ser treinados nessa tecnologia", afirmou.

Filmando na multidão

Pode ser a sua vez de cobrir uma revolta ou um grande protesto. Nesses casos, o seu celular pode ser a ferramenta mais ideal e discreta que você pode usar.

"É pequeno, então você pode estar no meio da multidão", explicou Scott. "É discreto: estamos acostumados a tirar selfies e filmar um ao outro. É uma maneira muito natural de fazer cobertura."

Estilos diferentes

Você não está preso a uma única maneira de contar histórias através do seu telefone celular. Você pode alternar entre o sério e o alegre, dependendo do conteúdo que deseja produzir.

"Precisamos adotar todas as ferramentas disponíveis nas plataformas sociais, como filtros faciais, texto, adesivos e GIFs, porque é assim que o público está consumindo notícias hoje", observou Scott.

"Esteja você produzindo notícias ou documentários mais tradicionais e altamente editados ou um jornalismo no estilo selfie, divertido e em movimento, tudo bem. Ambos podem ser feitos com um telefone celular."

Redes sociais como ferramentas de publicação

Após a edição inicial das suas filmagens no LumaFusion ou no Kinemaster, você pode usar aplicativos como o Unfold para preparar esse conteúdo especificamente para o Instagram ou o Facebook Stories.

Também pode fazer mais edições nas próprias redes sociais, como adicionar GIFs e adesivos no Instagram ou Snapchat.

Para começar

Para o jornalista local que deseja adotar o jornalismo móvel, mas não sabe por onde começar, Scott recomendou se conectar com grupos da comunidade, como o #Mojofest no Facebook. Lá você encontrará inspiração e poderá começar a aprender técnicas e truques.

"A melhor coisa que você pode fazer é sair, filmar e editar conteúdo", disse ela. "Nem precisa ser publicado em lugar algum."


Este artigo foi publicado originalmente no Journalism.co.uk e é reproduzido na IJNet com permissão. Escute o episódio do podcast aqui (em inglês).

Imagem sob licença CC no Unsplash via David Sarkisov