Como concorrer ao programa de jornalismo de negócios na China

por Sam Berkhead
Mar 14, 2017 em Jornalismo básico

Ao longo das últimas décadas, a China se posicionou entre as economias de mais rápido crescimento no mundo. A demanda por jornalistas que podem cobrir adequadamente os prósperos mercados chineses cresceu a um ritmo semelhante.

É por isso que a Universidade de Tsinghua introduziu pela primeira vez um mestrado em jornalismo global de negócios (GBJ, em inglês) em 2007. O programa de dois anos em tempo integral em Pequim é o único programa de mestrado em língua inglesa da China neste campo.

Cada ano, cerca de 20 estudantes -- metade estrangeiros, metade chineses -- se inscrevem no programa. Eles aprendem com professores premiados que já trabalharam para o New York Times e a agência Bloomberg, e com importantes acadêmicos chineses.

Simone Martin, um estudante do segundo ano da Itália, disse que escolheu o programa como uma forma de complementar seu diploma de bacharel em jornalismo e seu interesse pela economia chinesa.

"Você aprende muito sobre o mundo dos negócios, as estratégias de negócios das empresas, o mercado de ações, a micro e macroeconomia, etc.", disse Martin, que produziu um mini-documentário de cinco minutos sobre o programa GBJ para seu curso de documentários jornalísticos. "Por outro lado, você também aprende conceitos básicos de jornalismo, como notícias, TV, multimídia e outros."

Viktória Fričová, uma estudante do segundo ano da Eslováquia, concordou com Martin, dizendo que ela escolheu o programa pela sua combinação única de jornalismo e negócios com um foco global. Além de um curso obrigatório sobre comunicação intercultural, os estudantes se beneficiam de interagir com professores e colegas de todo o mundo diariamente.

"Adoro a ideia de que a nossa turma é constituída por pessoas de 16 países diferentes", disse Fričová. "É um treinamento perfeito sobre compreensão cultural."

Para Sarah Talaat, estudante do primeiro ano dos Estados Unidos, o programa GBJ foi uma boa maneira de ganhar mais experiência em jornalismo de negócios antes de se candidatar a empregos.

"Eu estava realmente interessada em jornalismo de negócios, mas não sentia que estava realmente pronta para assumir um trabalho nesse campo, então eu pensei que poderia obter um pouco mais de experiência", disse ela. "Pensei que seria tão bom morar na China e entender a segunda maior economia do mundo vivendo naquele país".

O programa de Tsinghua tem 10 terminais da agência Bloomberg, a maior instalação universitária de seu tipo no mundo. Com esses terminais, os estudantes do GBJ têm acesso a informações financeiras e econômicas atualizadas por profissionais de negócios em todo o mundo.

"Usamos isso com bastante frequência, e é uma ótima ferramenta porque temos literalmente informações atualizadas sobre o que está acontecendo na economia mundial", disse Talaat. "É realmente útil para dar peso a muitas das nossas matérias, mas também para obter uma boa compreensão de alguns dos conceitos mais básicos da economia e ver como eles se aplicam no mundo real."

Os interessados em se candidatar ao programa não devem se desencorajar se acham que não se adequam ao perfil de jornalista "tradicional" de negócio, Talaat explicou.

"Em sua candidatura, seja realmente claro sobre por que você quer fazer isso", disse ela. "Não tenha medo de compartilhar quais são suas paixões que o ajudarão a ter sucesso neste programa. Os professores são realmente bons em aproveitar seus talentos que são diferentes de suas habilidades jornalísticas e incentivam o seu uso. Acho que as pessoas que não se consideram tradicionais ou tradicionalmente interessadas em jornalismo de negócios ainda podem se dar muito bem e ter uma experiência gratificante."

Embora ter experiência em negócios ou economia seja útil, isso não é obrigado para ir bem no programa GBJ, afirmou Fričová. Ela disse que os candidatos ao GBJ podem melhorar sua candidatura transmitindo o que querem obter do programa durante o processo da entrevista.

"Você vai passar por uma entrevista por telefone ou Skype", disse Fričová. "Eu sugeriria que os candidatos pensem profundamente sobre por que eles estão interessados ​​no programa, o que acham que podem aproveitar dele e o que eles como indivíduos podem trazer para ele.

Para os estudantes vindos de países ocidentais, especialmente, viver na China pode apresentar um choque cultural. Mas Martin disse que é melhor pensar nisso como uma oportunidade para aprender e crescer.

"Venha para a China com uma mentalidade aberta para explorar muitas coisas novas e entender uma cultura e realidade de negócios e sociedade  totalmente diferentes", disse ele. "Viver na China por dois anos ao estudar neste programa de mestrado em uma das melhores universidades do país acabará por abrir muitas portas e enriquecerá qualquer experiência -- não apenas acadêmica, mas também intercultural."

Para mais informação sobre o programa de jornalismo global de negócios na Universidade Tsinghua, clique aqui. As inscrições vão até 20 de março.

Imagem sob licença CC no Flickr via Richard.