Como a Barcelona TV fez um noticiário apenas com tecnologia móvel

por Jessica Weiss
Apr 2, 2015 em Jornalismo móvel

Durante o Mobile World Congress -- a maior feira do mundo para a indústria móvel -- em Barcelona, ​​repórteres da estação de televisão pública da cidade, a Barcelona TV, fizeram uma experiência móvel: durante quatro dias, eles transmitiram programas de notícias ao vivo do Congresso apenas com a tecnologia móvel.

Em cada dia da conferência, uma transmissão de 20 minutos contou com um mix de apresentadores, streaming ao vivo, matérias gravadas e até mesmo vídeo de drones. A equipe filmou e editou com smartphones e foi ao ar através de sinais sem fio de 4G. Filmagens ao vivo contaram com um número de diferentes câmeras de celulares para uma apresentação profissional dinâmica.

O resultado foi uma transmissão inovadora, que se aproveitou da portabilidade do smartphone, mas ainda aderiu a padrões elevados de notícias da BTV. Essa experiência colocou a BTV entre as primeiras redações do mundo a produzir um programa ao vivo inteiro usando tecnologia exclusivamente móvel.

"Nós sabíamos que isso era possível e que a tecnologia estava lá", diz Sergio Vicente, diretor da BTV. "Tínhamos apenas que tentar. Se não tentássemos, nunca saberíamos. "

A BTV, um canal de idioma catalão, utiliza conexões sem fio 4G há algum tempo em sua reportagem, especificamente, por meio da tecnologia portátil de "mochila" que suporta múltiplas conexões sem fio. O produto de mochila, fornecido pela TVU Networks, permite a pequenas equipes enviar matérias enquanto acontecem via 4G.

Mas a experiência no Mobile World Congress levou as coisas um passo adiante, confiando completamente em dispositivos móveis para filmagem e edição.

Três jovens repórteres familiares com a nova tecnologia substituíram seu equipamento de câmera de costume com um iPhone 6, microfones e carregadores. Para as filmagens, eles usaram o app Filmic e para a edição, usaram Pinacle. Para enviar um sinal ao vivo via Wi-Fi a partir do smartphone para uma estação de mistura central, eles usaram Wirecast. Matérias gravadas, filmadas e editadas com smartphones, foram enviadas utilizando software FTP (File Transfer Protocol). (Veja os repórteres em ação aqui.)

No lugar de um estúdio de mixagem, a BTV se estabeleceu em uma pequena sala na parte de trás da sala de congressos e utilizou um único laptop para gerenciar todos os feeds de câmera e obter as imagens de televisão prontas. Essa área funciounou como o estúdio em uma estação de TV convencional -- recolhendo filmagens de várias entradas e colocando-as juntas. Mas, em vez de usar cabos, fez isso através de sinais 4G Wi-Fi. Em seguida, a equipe usou tecnologia de mochila para enviar um sinal para BTV para de lá transmitir o programa para telas de televisão dos telespectadores.

As matérias focaram em temas como empreendedores e novos aplicativos, a apresentação de Mark Zuckerberg e até mesmo a forma como o Congresso estava afetando o tráfego local. Durante toda a transmissão, apresentadores constantemente lembraram aos telespectadores que o que estavam assistindo era produzido totalmente via dispositivo móvel. (Veja um exemplo da transmissão aqui.) No último dia, vídeos de drone capturaram tomadas aéreas de costa de Barcelona.

No total, o equipamento utilizado pela equipe de 16 pessoas durante os quatro dias incluiu: seis smartphones com alça de mão; um laptop para edição; conexões/cabos; conexão 4G; microfone com adaptador; aplicativos e software; e a "mochila" para o envio do sinal misto 4G fora do Congresso. Vicente disse que a equipe poderia ser muito menor e no futuro será. Mas, como foi a primeira tentativa, eles precisavam de muitas mãos para ter certeza de que as coisas iam funcionar.

Além de transmitir os programas durante a programação noticiário normal, uma seção especial do site da BTV foi dedicada ao projeto de reportagem móvel e um aplicativo móvel foi projetado especialmente para a ocasião. A experiência também foi divulgada no Twitter a partir do BTVMobile e na BTVcat, através do hashtag #BTVMobile.

É claro que a equipe teve desafios ao longo do caminho, disse Vicente. A qualidade nem sempre foi ideal, devido a cortes e atrasos nos sinais sem fio, especialmente nos momentos em que a conferência foi mais movimentada e todo mundo estava se conectando à rede Wi-Fi. Filmagens de selfie foram difíceis, por causa do efeito "espelho" de recursos de vídeo do iPhone. E a equipe também percebeu que as entrevistas longas não funcionam bem no celular. Para remediar isso, os repórteres conversavam primeira com os entrevistados para ter uma ideia de possíveis soundbites. Em seguida, pediam ao entrevistado para falar novamente de uma forma mais focada, para manter o tempo curto.

"Ainda estamos longe do cenário ideal em que os smartphones podem ser usados ​​para uma medida comparável ao que temos com câmeras maiores e com conectividade", disse Vicente ", mas, ao mesmo tempo, devemos tentar todos os avanços possíveis. É emocionante."

Ele disse que a BTV está muito orgulhosa do resultado da cobertura do evento. Na verdade, o experimento foi considerado tão bem sucedido que a BTV está lançando uma equipe de reportagem de jornalismo móvel dentro da sala de redação, conduzida pelos jornalistas responsáveis ​​pela cobertura do Mobile World Congress. Vicente disse que ele imagina que vão usar o celular para matérias em que é necessário ter uma portabilidade extra, como por notícias de última hora.

"Em quatro dias, percebemos que funciona, então agora nós queremos usar essa tecnologia regularmente", disse Vicente. "A ideia não é substituir câmeras com smartphones. O objetivo é apenas ter mais opções na redação."

Imagem cortesia da Barcelona TV