Aplicativos de Android para jornalistas cidadãos e repórteres digitais em ambientes difíceis

porJessica Weiss
Jun 16, 2014 em Diversos

Babatunde Akpeji, bolsista do Knight International Journalism Fellowship, está construindo uma rede de jornalistas cidadãos para cobrir saúde na região do Delta da Nigéria, uma área rica em petróleo e recursos naturais mas assolada por uma pobreza severa.

Akpeji treina os jornalistas cidadãos em técnicas básicas de reportagem, produção de áudio e vídeo, ferramentas móveis e ética jornalística. Em seguida, os participantes usam seus celulares para enviar notícias sobre pobreza e preocupações ambientais para o site Vital Voices for Health e para organizações de mídia em Lagos e Abuja. Akpeji diz que os dispositivos móveis tornam mais fácil para os jornalistas entregarem um trabalho de alta qualidade rapidamente.

"O celular torna o trabalho mais fácil e mais rápido", disse Akpeji em uma entrevista para a IJNet. "Isso reduz significativamente o desafio colocado pelo tempo, [para que os jornalistas não tenham que] esperar para enviar conteúdo."

Outra vantagem da reportagem móvel, segundo ele, é que os dispositivos automaticamente comprimem o conteúdo. Embora o conteúdo compactado possa não funcionar para produtos de impressão, muitos veículos online não precisam de fotos ou vídeo de alta resolução.

No decorrer do trabalho com jornalistas cidadãos, Akpeji montou uma lista de apps de Android que podem ajudar repórteres no campo a serem mais produtivos. A não ser que seja mencionado o contrário, eles são gratuitos.

Para o básico

Os telefones celulares que os jornalistas cidadãos usam vêm pré-carregados com os aplicativos de reportagem móvel Timby e StoryCheck. Os jornalistas acham o StoryCheck especialmente útil, diz Akpeji. O "editor no seu bolso" móvel é destinado a jornalistas que trabalham em pequenas redações com poucos recursos e jornalistas freelance menos experientes que não têm acesso a briefings e interrogatórios e outras informações essenciais de um editor. O recurso orienta os usuários através da reportagem de uma variedade de diferentes tipos de história, de crime a tribunais, e ajuda a garantir que não haja falhas na reportagem.

"Tudo que você faz é seguir os passos e marcar o que você sabe sobre a matéria", diz ele. "E isso mostra o que você pode ter deixado de fora."

O StoryCheck também oferece orientações simples para a realização de entrevistas, estimar a contagem de uma multidão e escrever. Mas ele diz que o aplicativo não faz todo o trabalho --jornalistas cidadãos ainda devem ter certeza de que suas matérias reflitam as realidades locais.

Os participantes do programa também fazem download de dicionários e enciclopédia para referência cruzada ao escrever.

Mensagens de texto

WhatsApp e Skype são a tendência entre os jornalistas cidadãos que utilizam dispositivos Android, diz Akpeji.

"Se você olhar para o país da Nigéria, os jornalistas estão trabalhando em áreas remotas", diz ele. "Eles vão usar as mensagens mais do que as ligações de voz."

Whatsapp é útil para o envio de arquivos de fotos, vídeo e áudio. Além disso, facilita o trabalho em grupos de bate-papo.

Quando alguns dos jornalistas cidadãos participaram do Concurso Hala Nigéria de Matérias, equipes de cinco pessoas usaram Whatsapp para armazenar discussões em grupo, pois os jornalistas estavam localizados em diferentes cidades.

Aplicativos de redes sociais

Uma vez que uma matéria é concluída, o Facebook, Instagram e Twitter são úteis para o compartilhamento de links para notícias publicadas no Vital Voices for Health. Mas os aplicativos também ajudam para crowdsourcing de informações.

Os participantes usaram o Twitter e Facebook, por exemplo, para fazer crowdsource de informações sobre como as pessoas com malária se tratam sem ir a uma clínica.

"Isso mostrou que as histórias realmente podem começar e terminar em celulares", diz Akpeji.

Texto, áudio e foto

Para edição de texto, Akpeji recomenda aplicativos que podem abrir páginas semelhantes ao Microsoft Word. Aplicativos úteis são Polaris 5 Office, Quickoffice e Kingsoft Office. O Polaris 5 Office tem a vantagem adicional de poder abrir arquivos em PDF.

Para a gravação de áudio e edição, NCH Wavepad, REC Forge e Voice Pro (US$13.49) são excelentes aplicativos para repórteres que enviam matérias para estações de rádio", pois são capazes de editar sound bites antes de enviar para as organizações de mídia", diz ele.

Para fotos, Fotor é um editor de fotos gratuito, embora Akpeji incentive jornalistas cidadãos a entregarem fotografias não editadas, para evitar quaisquer questões éticas.

Segurança

Como o download de aplicativos vem com o risco de vírus e malware, Akpeji requer que os participantes instalem software antivírus em seus telefones. É importante fazer o download da versão completa de um aplicativo de segurança, observa ele, uma vez que uma versão gratuita ou de teste pode não prover proteção adequada.

Especificamente, NQ Mobile Security é recomendado para jornalistas cidadãos. Kaspersky Internet Security é eficaz para aqueles que podem comprar a versão completa com um cartão de débito ou cartão de crédito.

3CX Mobile Device Manager permite ao usuário gerenciar de forma fácil e segura dispositivos de Android (assim como iPhone). Coloca em uma lista negra aplicativos potencialmente perigosos, além de rastrear o telefone em caso de perda ou roubo.

Imagem cortesia da usuário do Flickr Allissa Richardson sob licença Creative Commons

Jessica Weiss é uma jornalista freelance baseada em Bogotá, Colômbia.