Aplicativo Truepic permite verificar imagens e vídeos automaticamente

porSam Berkhead
Dec 28, 2017 em Fact-checking e verificação

Nos meados do ano, a sofisticação da inteligência artificial e suas graves implicações para a "era das fake news" viralizou. O projeto "Synthesizing Obama" da Universidade de Washington mostrou que agora é possível criar vídeos altamente realistas de figuras públicas, replicando suas vozes e movimentos faciais para colocar palavras em suas bocas literalmente.

No clima digital de hoje, onde as imagens e os vídeos desgastados já abundam, muito tem sido feito sobre a necessidade de verificar o conteúdo gerado pelo usuário na web. Mas se mesmo o olho treinado não pode diferenciar entre um vídeo real do presidente Obama e um falso, a verificação torna-se mais difícil ainda de se fazer.

E se podemos provar a veracidade da imagem no momento de sua criação? Com o clique de um botão, teríamos fotos e vídeos digitais de notícias recentes autenticados, economizando horas de jornalistas e verificadores.

Essa é a vantagem oferecida do Truepic, um aplicativo para iPhone e Android que jornalistas e funcionários de ONGs podem usar gratuitamente.

O Truepic toma várias medidas para fornecer uma "autenticação digital" de cada foto ou vídeo capturado com seu aplicativo. Quando um usuário clica no botão do obturador dentro do aplicativo (ou dentro de qualquer aplicativo que tenha incorporado o software SDK da Truepic), o Truepic envia os metadados, incluindo o carimbo de data/hora e o geocódigo, a um servidor seguro e atribui a cada foto ou vídeo um código de seis dígitos e URL para recuperá-lo. O Truepic, então, inicia a cadeia de custódia sobre a própria imagem, permitindo comprovar sua autenticidade. Por último, o Truepic registra todas as informações exclusivas sobre a imagem ou o vídeo em uma cadeia de blocos.

Como o Truepic usa uma cadeia de blocos do bitcoin, que nunca foi pirateado, o serviço garante o mais alto nível de segurança para seus usuários, disse Mounir Ibrahim, vice-presidente de iniciativas estratégicas.

"É, na minha opinião, a rede mais segura do mundo", disse ele. "Para alguém entrar no bloco e quebrá-lo, teria que invadir um milhão de computadores em sete continentes ao mesmo tempo, sem que ninguém soubesse. É praticamente impossível."

À medida que essas etapas estão ocorrendo, o Truepic executa testes exclusivos para garantir que a localização, hora, data ou imagem não tenham sido adulteradas ou copiadas. Todo o processo ocorre em cerca de dois segundos. Quando é concluído, o usuário pode exportar a imagem por qualquer meio.

O Truepic também toma medidas para garantir a segurança do usuário, que pode ser um jornalista trabalhando em um ambiente de alto risco. Os usuários só precisam de uma conta do Facebook ou endereço de e-mail para criar uma conta: não há necessidade de fornecer nome, número de telefone, número de cartão de crédito ou endereço. Os usuários podem até usar endereços de e-mail não-descritos que estão conectados a uma organização maior, disse Ibrahim. 

"Eu penso nisso como uma maneira de validar algumas das piores atrocidades de direitos humanos e crises internacionais no mundo que muitas vezes são prejudicadas pela incapacidade de autenticá-las", disse Ibrahim. Isso se traduz diretamente na resposta lenta e inconsistente da comunidade internacional. Eu testemunhei isso por quase uma década como diplomata trabalhando na Síria. Essa é realmente a razão pela qual eu lancei isso; vejo isso como uma maneira de publicar a verdade e viralizá-la quase que instantaneamente."

A tecnologia não é apenas benéfica para os jornalistas: diversos setores, desde comércio eletrônico e imobiliário até o Tinder, já utilizaram o Truepic para verificar imagens. Esses clientes do setor privado fornecem receitas suficientes para que o aplicativo se sustente, razão pela qual a empresa disponibilizou o serviço gratuitamente para jornalistas e ONGs, explicou Ibrahim.

E com a inteligência artificial e outras tecnologias avançando o mais rápido possível, a necessidade de imagens e vídeos confirmados instantaneamente não vai desaparecer em breve, disse ele.

"A interseção entre tecnologia e sociedade está se tornando cada vez maior, e a sociedade está assustada porque a tecnologia está avançando muito mais rápido do que nossos cérebros conseguem dar conta", disse ele. "Está se movendo em um ritmo que é tão dramático que precisamos de algo como o Truepic."

Imagem sob licença CC no Flickr via Arch'educ