9 dicas para escrever artigos na corrida contra o relógio

porSantiago Sánchez
Jan 9, 2020 em Jornalismo básico
Nota de trabalho

Devido às características de nosso trabalho, é comum termos que escrever artigos e reportagens em pouco tempo. Essa é uma situação estressante na qual não há margem para erro: o rigor jornalístico deve ser o máximo (como em todas as instâncias da reportagem) e o relógio não ajuda.

Como você pode lidar com essa situação? Que estratégias pode usar para aliviar a tensão de lidar com a página em branco? Como pode enviar um artigo organizado e interessante no prazo? Para isso, a IJNet em Espanhol organizou um seminário online no dia 9 de dezembro com a experiente jornalista freelance e escritora mexicana Cecilia González. Aqui nós compartilhamos alguns de seus conselhos:

Não entre em pânico

"Trabalhar sob pressão é uma característica do jornalismo em geral", disse Gonzalez no início do seminário. A jornalista recomendou respirar fundo e ter alguns segundos de calma para não se esforçar demais e colocar mais estresse na situação que já existe.

Organize-se

Para montar a ordem do texto e não perder nenhum detalhe importante, Gonzalez disse que, antes de escrever, uma boa estratégia é desenvolver uma espécie de "índice", onde ela coloca todos os aspectos que abordará em seu artigo de maneira ordenada.

Essa ordem, segundo ela, é fundamental quando se trabalha em textos de tamanho limitado, especialmente para mídias escritas. “Lá eu sei que informações tenho e como organizá-las para ajustar como apropriado. Por outro lado, se começarmos a despejar todas as informações no texto sem nenhuma organização anterior, vamos fazer uma boa bagunça.”

Ponha as coisas em seu contexto

Essa organização deve incluir não apenas todos os dados que temos que colocar no artigo, mas também o contexto. “Em trabalhos urgentes, funciona muito porque quando você já tem um contexto armado, prescrito ou pensado, já tem parte do texto. Mas é importante onde no texto colocar esse contexto”, explicou. Pode ser no final ou mesmo no começo, embora ela prefira começar com cenas concretas que servem para explicar a história.

O contexto, ela acrescentou, é especialmente importante, porque às vezes "é dado como certo que sabemos do que estamos falando, mas [na verdade] não [sabemos]".

Quão profundo deve ser esse contexto? “Essas são decisões que temos que tomar. Não é lógico que uma nota informativa acabe sendo contextual e, embora não seja ruim assim, se não for o objetivo, é preciso ter cuidado.”

Responda as perguntas chaves do jornalismo

A velha estratégia de responder as chamadas 5 Ws (em inglês: o que, quem, quando, onde e por que) não falha. Na verdade, existem seis, disse González, referindo-se a "como", que para ela é frequentemente a pergunta mais interessante.

A jornalista até sugeriu que essas perguntas podem servir como um guia para completar nosso índice inicial e observou que essas perguntas sempre devem ser respondidas.

Use as redes sociais a seu favor

González disse que entende que as redes sociais podem enriquecer sua cobertura, mas recomenda tomar as precauções necessárias. “As redes não representam a sociedade; são uma expressão da opinião pública, mas não são a opinião pública. Você precisa levá-las em consideração com essas advertências.

Ela contou que usa as redes para ver como ocorre a "oferta" dos fatos: “Elas se tornam um termômetro para ver o que os atores públicos estão discutindo."

Use cenas para enriquecer a matéria

Se você cobriu um fato, contar as cenas vistas pode ser ainda mais interessante do que entrevistar aqueles que estavam lá ou reproduzir discursos. “Eu gosto de cobrir as manifestações e lá eu gosto de observar mais do que entrevistar. Às vezes, é muito fácil saber o que as pessoas que vão às manifestações lhe dirão; portanto, as cenas podem ser mais interessantes do que as declarações, mesmo em termos políticos: o que fazem mais do que dizem. É algo que dá mais riqueza ao texto.”

Verifique seus dados

No jornalismo, lembrou González, não há urgência que valha a pena não checar os dados. "Você precisa corroborar as informações e tentar cometer menos erros possíveis", disse ela.

Não se distraia

Se necessário, desligue o telefone, evite distrações e não navegue em nenhuma direção pelas redes sociais. "Dedique algum tempo ao seu trabalho e dedique-se apenas a isso."

Revise o que escreveu

Você sempre tem que fazer uma última leitura do seu trabalho. É indispensável. “É muito triste ver textos publicados que não tiveram essa última leitura. Todos temos nossos vícios no momento em que escrevemos ou até mesmo erros de digitação, e nessas últimas leituras você pode corrigir as falhas que às vezes são deixadas. E se pudermos ter um leitor extra, melhor.”


Você pode acessar o seminário online na íntegra aqui (em espanhol). 

Imagem sob licença CC por Daría Nepriakhina via Unplash