5 dicas de uma conferência global para jornalistas investigativos

porPatrick Egwu
Dec 12, 2019 em Jornalismo investigativo
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No final de setembro, cerca de 1.700 jornalistas investigativos, especialistas e acadêmicos de mais de 130 países participaram da Conferência Global de Jornalismo Investigativo (GIJC, em inglês), organizada pela Rede Global de Jornalismo Investigativo (GIJN, em inglês) em Hamburgo, Alemanha.

Durante os 250 painéis, oficinas e sessões de treinamento, os participantes discutiram e compartilharam seus conhecimentos sobre tópicos de investigação. Reunimos cinco temas que se destacaram para futuros jornalistas. 

(1) Colabore

A palavra mais usada durante o GIJC foi “colaboração”. Em diferentes sessões e painéis, os palestrantes e moderadores falaram sobre a necessidade de colaborar nas investigações para obter o máximo impacto.

No primeiro dia da conferência, Drew Sullivan, do Projeto de Reportagem sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP), enfatizou a importância da colaboração durante um painel sobre os "desafios à frente".

"Se você é jornalista e não está colaborando com outros jornalistas de outras organizações, está ficando para trás", disse Sullivan durante seu painel.

O último dia da conferência incluiu a cerimônia do Global Shining Light Award, que homenageia jornalistas investigativos de um país em desenvolvimento ou em transição que trabalham sob ameaça, coação e nas condições mais adversas. O Rappler, um site de notícias filipino, venceu por sua investigação "Assassinato em Manila" sobre os assassinatos extrajudiciais na guerra às drogas nas Filipinas.

Durante seu discurso, Maria Ressa, CEO da Rappler, disse que jornalistas precisam colaborar. Ela observou, no entanto, que "a colaboração não é fácil porque nascemos para competir um contra o outro".

A melhor maneira de colaborar é procurar recursos nos sites de jornalismo. Por exemplo, o GIJN tem muitos recursos e ferramentas para colaboração que os jornalistas podem explorar para o seu trabalho.

(Nota do editor: você também pode conferir o Kit de Ferramentas de Jornalismo Colaborativo da IJNet.)

(2) Compartilhe seus erros

É importante contar como você conduziu sua investigação, incluindo os métodos de investigação, os erros cometidos e as lições aprendidas no processo. Durante sua apresentação sobre os conceitos básicos de reportagem investigativa, Cheryl Thompson, correspondente investigativa da NPR, disse: "Conte seus erros para que outros não os cometam."

Aprender com os outros é especialmente útil quando se inicia uma investigação difícil. Compartilhar seus erros ajudará outras pessoas a aprender e se adaptar, disse Thompson.

(3) Use dados

Não há dúvida de que elementos multimídia, conjuntos de dados e infográficos ajudam a contar uma história melhor e facilitam a compreensão do que apenas o uso de texto. Muitas sessões no GIJC focaram no jornalismo de dados, incluindo as últimas tendências e dicas para editar histórias de dados, criar dados e dar significado aos números.

Os leitores se envolverão mais com uma matéria que use elementos multimídia, mapas e infográficos. Usar apenas texto pode aborrecer o leitor, segundo Doug Haddix, diretor executivo dos Repórteres e Editores Investigativos (IRE, em inglês) e Emilia Diaz-Struck, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, em inglês), durante uma sessão sobre a edição de matéria de dados.

(4) Engage seu público

Como jornalista, não basta mais conduzir uma investigação, publicá-la e deixá-la lá. Você precisa encontrar maneiras melhores de envolver seu público e compartilhar a matéria.

Durante sua apresentação conjunta, Philip Faigle, editor de projetos especiais do Zeit Online, Susanne Reber, produtora executiva do E.W. Scripps em Washington e Erlend Ofte Arnsten, jornalista e autor finlandês, disseram que novas formas de envolver o público estão surgindo rapidamente à medida que a tecnologia evolui.

Por exemplo, o jornalista investigativo da Nigéria, Fisayo Soyombo, fez recentemente uma investigação secreta em três partes sobre o sistema de justiça criminal na Nigéria. Ele passou duas semanas na prisão para expor a corrupção no sistema: desde o ponto de prisão até a concessão da fiança. Quando a matéria foi publicada, ele usou as mídias sociais e eventos públicos para falar sobre a história, despertando interesse e apoio para suas descobertas.

(5) Cultive fontes

As investigações geralmente são construídas com base na confiança. Sem estabelecer um bom relacionamento com suas fontes, você não consegue ter sucesso. Durante uma de suas sessões, Cheryl Thompson, da NPR, deu dicas sobre como cultivar e trabalhar com fontes:

  • Quando você estiver tentando convencer alguém a falar, comece com as pessoas com maior probabilidade de conversar com você, especialmente aquelas que não têm nada a perder conversando com você.
  • Informe suas fontes que você está falando com outras pessoas. Isso promove transparência e mostra que você é alguém em quem podem confiar.
  • Lembre-se de que as fontes podem servir a outros propósitos além de fornecer declarações. Algumas pessoas podem fornecer informações críticas que podem levar você a uma nova descoberta ou à sua próxima fonte.

Imagem sob licença CC no Unsplash via Parker Byrd