4 dicas de checagem de fatos para cobrir as eleições de 2020 nos EUA

por Cassandra Balfour
Feb 27, 2020 em Fact-checking e verificação
Matt Riley

Quando o período das eleições nos Estados Unidos começar, os jornalistas devem se preparar para um ataque de desinformações, com o objetivo de distorcer os resultados das pesquisas, disse Matt Riley, especialista em verificação de fatos.

Em entrevista ao Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês), organização-mãe da IJNet, Riley falou que os jornalistas devem estar atentos a fotos falsas, vídeos falsos e declarações falsas em anúncios políticos. Ele aconselhou jornalistas sem experiência formal em checagem de fatos a se familiarizarem com ferramentas de verificação fáceis de usar e também a serem o menos partidários quanto possível, para impedir que os políticos explorem os medos do público ou a desconfiança da mídia.

Como bolsista do programa TruthBuzz do ICFJ, Riley trabalhou no ano passado com a mídia da Carolina do Norte para combater desinformação e alcançar o público mais amplo possível com checagens de fatos. Ele disse que os jornalistas que cobrem as eleições para os mercados locais devem aprimorar suas habilidades de detecção para acompanhar as últimas formas de desinformação.

[Leia mais: Fact-checking em rádio e TV para alcançar um público mais amplo]

 

A seguir, estão as sugestões de Riley para jornalistas e redações que cobrirão as eleições de 2020 nos Estados Unidos:

(1) Use ferramentas visuais de fact-checking

Use ferramentas simples, como o mecanismo de pesquisa de verificação de imagem TinEye, para identificar falsificações. Além das fotos adulteradas, Riley disse que espera que os "deepfakes", ou vídeos feitos ou alterados usando inteligência artificial, chegarão nas notícias locais. "Ainda não estamos vendo [essa técnica sendo usada no nível local, mas como muitas imagens estão sendo usadas nesta temporada eleitoral, provavelmente podemos esperar que isso aconteça."

(2) Monitore anúncios políticos

Cuidado com o aumento dos gastos com anúncios de eleições políticas cheios de declarações ultrajantes, especialmente em estados controversos. "Estamos vendo mais declarações que precisamos checar a partir de anúncios políticos", disse ele. "Acho que seremos inundados com anúncios políticos nas próximas eleições". Espera-se que a Carolina do Norte seja mais um ponto focal para anúncios este ano por causa de disputas altamente controversas para presidente, governador, senado e congresso dos Estados Unidos.

(3) Colabore com outros veículos de notícias

Se estiver trabalhando em uma redação, faça alianças e parcerias com outros veículos de comunicação para verificar as informações mais rapidamente e alcançar públicos-alvo mais amplos e diversificados. Os meios de comunicação que estão coordenando seu trabalho e reunindo recursos podem conseguir retardar a disseminação de desinformações, ao fazerem checagens de fatos antes que as informações se tornem virais nas redes sociais e causem danos irreparáveis.

[Leia mais: Ferramentas de jornalismo colaborativo da IJNet]  

(4) Encontre o formato certo para o seu público

Experimente diferentes formatos para ver ao que seu público responde quando se trata de consumir checagem de fatos. Por exemplo, a criação de um boletim informativo simples e fácil de resumir, reunindo checagens populares ou criando um fórum para o público falar sobre desinformação pode ser inestimável para ajudar a interromper a desinformação e restabelecer a confiança entre o público cético.


Os bolsistas TruthBuzz do ICFJ trabalharam com parceiros de mídia para encontrar novas maneiras de ajudar fatos verificados a alcançar o maior público possível. Riley ajudou a equipe de checagem de fatos do News & Observer a adotar técnicas mais visuais de contar histórias e também ajudou a construir parcerias de notícias com rádios e TVs locais para desenvolver conteúdo inovador de verificação de fatos em áudio e vídeo. Atualmente, ele trabalha em parceria com a WRAL, uma TV local na Carolina do Norte, para personalizar a verificação de fatos do PolitiFact para TV.

As bolsas são apoiadas pelas Craig Newmark Philanthropies.

Este artigo foi publicado originalmente no site do ICFJ e foi republicado na IJNet com permissão. 

Imagem cortesia de Matt Riley