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Serviço africano de notícias prospera como cooperativa

Serviço africano de notícias prospera como cooperativa

James Breiner | 19/07/11

Justin Arenstein nunca quis realmente trabalhar para uma grande corporação, mas é assim que ele começou no jornalismo. Ele era um repórter trabalhando em uma das favelas desesperadamente pobres de sua terra natal, a África do Sul.

Ele e seus colegas entraram em conflito com a direção empresarial ao cobrir os esquadrões da morte que estavam assassinando ativistas negros em oposição ao apartheid. Eles se demitiram em massa e decidiram criar a sua própria organização de notícias, que foi o começo do que hoje é o African Eye News Service.

O African Eye News Service funciona como uma cooperativa, com cada repórter mantendo metade da renda gerada por seu artigo e o resto destinado a apoiar a empresa. Lançado há 18 anos, o serviço tem 15 jornalistas em tempo integral e uma rede de correspondentes cobrindo seis países: África do Sul, Zimbábue, Moçambique, Suazilândia, Tanzânia e Malaui. O grupo ganhou uma reputação de independência editorial e jornalismo investigativo agressivo.

Arenstein, 40, (foto à direita) é o diretor e sua parceira, Sharon Hammond, é a editora-chefe. Eles são empreendedores clássicos que aprenderam por conta própria o lado empresarial do jornalismo para que pudessem permanecer independentes.

Arenstein aprendeu algumas lições da maneira mais difícil. Um erro da organização foi a compra de um grupo de revistas logo antes da crise financeira e as rendas de publicidade caírem.

Arenstein prefere não falar sobre a renda atual do serviço, mas em uma entrevista no ano passado (em espanhol, aqui) ele afirmou que a organização gerou cerca de US$ 2,5 milhões por ano.

Um modelo de negócios incomum

Os artigos produzidos pelos repórteres são oferecidos para a mídia não-concorrente -- jornal, revista, rádio, televisão ou digital. A mídia que queira publicar um artigo em seus sites relacionados têm de pagar uma quantia de 20 a 25 por cento a mais. "Isso significa que podemos vender cada artigo um mínimo de cinco vezes diferentes e geramos mais renda para os jornalistas do que eles poderiam por conta própria", disse Arenstein. Os repórteres ganham cerca de US$2.500 a US$3.000 depois de impostos, muito mais do que fariam em um veículo de notícias tradicional.

A cooperativa, com sede na província rural de Mpumalanga, África do Sul, usa sua metade da renda para cobrir o custo de uma equipe de edição central, administração e investimento de capital, principalmente computadores e equipamentos eletrônicos.

O African Eye não publica seu trabalho na Internet de modo a não competir com seus clientes. A cooperativa também é agressiva na defesa de seus direitos autorais contra sites que republicam o trabalho de clientes sem autorização. Até agora, a Internet não tem prejudicado o modelo de negócio. Clientes digitais representam apenas cerca de 15 por cento do negócio. A cooperativa também possui uma participação de 10 por cento em uma estação de rádio FM, MPower.

O African Eye é publicado em inglês, mas seus repórteres trazem o conhecimento de 11 línguas diferentes.

Um caminho para a carreira

Arenstein se orgulha do fato de que muitos dos editores e repórteres da grande mídia na região foram preparados como repórteres no African Eye. Ele recruta pessoas talentosas de áreas rurais que um rigoroso processo de treinamento.

Desses correspondentes aprendizes -- há 20 agora, mas antes da crise financeira mundial eram 40 -- recebem remuneração pelas matérias, mas não têm acesso às instalações e recursos da cooperativa. Depois de oito ou nove meses, se tudo for bem, eles têm acesso aos recursos e recebem mais treinamento. Os melhores podem se tornar repórteres plenos do serviço.

A reportagem do African Eye derrubou dois governos provinciais, fez com que senadores e membros do gabinete fossem para a cadeia e forçou o governo a desmantelar sua milícia de 300 anos, devido ao uso de tortura, Arenstein disse com orgulho, em uma entrevista no ano passado.

Tecnologia

Arenstein está experimentando novas maneiras de entregar notícias, especialmente para telefones celulares. Até agora, seus clientes não têm sido muito bem sucedidos na venda de notícias para celulares.

O African Eye começou a oferecer aos seus clientes reportagens com mais base em dados e computação gráfica interativa. Estes gráficos dão aos clientes e leitores uma visão mais profunda da notícia, Arenstein disse.

Este artigo apareceu primeiramente no blog News Entrepreneurs e foi publicado na IJNet com permissão.

James Breiner é um ex-bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Ele é bilíngue em espanhol e inglês e consultor em jornalismo online e liderança. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica. Siga-o no Twitter.

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