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Os três principais desafios éticos que jornalistas enfrentarão em 2017

Os três principais desafios éticos que jornalistas enfrentarão em 2017

Elyssa Pachico | 14/02/17

Um novo relatório da Rede de Jornalismo Ético (EJN, em inglês) examina os desafios enfrentados pelos jornalistas na "era de pós-verdade", em que fatos e opiniões informadas estão perdendo o espaço para a propaganda e desinformação.

O relatório, composto por uma série de ensaios de jornalistas e acadêmicos, oferece exemplos dos desafios enfrentados pelos meios de comunicação nos Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Turquia e outros lugares.

Alguns dos principais desafios identificados pelo relatório incluem o seguinte:

1. Como reportar de forma mais responsável o discurso de ódio e a intolerância.

O relatório define "discurso de ódio" como declarações que incitam discriminação ou violência, o que é diferente de declarações controversas que outros -- ou comunidades específicas -- podem achar insultantes. Os jornalistas enfrentam o equilíbrio de distinguir um do outro, a fim de evitar censurar o discurso apenas porque é ofensivo.

Um problema específico é como informar sobre oficiais públicos que defendem a intolerância. A cobertura jornalística dessas declarações controversas pode aumentar as classificações de TV ou atrair mais leitores, mas também pode amplificar essas declarações ou dar uma legitimidade que não merecem.

Como os jornalistas podem produzir uma cobertura jornalística mais responsável sobre pontos de vista controversos e intolerantes? A RJE publicou uma lista de verificação para guiar os jornalistas por esse processo, que inclui considerar, antes de publicar, se o discurso é baseado em fatos e se pode ser ultrajante sem ser noticioso. Os jornalistas também podem usar um infográfico da EJN para ajudar a orientar sua reportagem, a fim de evitar o sensacionalismo e, portanto, "colocar o que é dito e quem está dizendo isso em um contexto ético".

Outra área onde o discurso de ódio pode florescer é a seção de comentários, observa o relatório da RJE. Se as organizações de notícias não têm a mão-de-obra para supervisionar adequadamente esta seção, ou se os editores sabem que um artigo provavelmente vai atrair uma sobrecarga de respostas maliciosas e odiosas, o relatório recomenda fechar a seção de comentários.

"Por que as [organizações de mídia] devem ter uma atividade que ultrapassa sua capacidade de gerenciá-la de forma responsável?", afirma o relatório. "Organizações de notícias que compreendem esse dever fecham os comentários para os artigos que geram mais ódio do que podem gerenciar."

2. A ética por trás da publicação de fotografias virais de violência e morte.

À medida que os jornalistas continuam a reportar fenômenos como o conflito sírio, a migração em massa e a crise dos refugiados, eles continuarão a enfrentar dilemas ao considerar a ética na fotografia. (A RJE publicou separadamente um guia sobre a cobertura da migração, que pode ser consultado aqui).

Uma das imagens mais divulgadas de 2015 -- o corpo de um refugiado sírio de 3 anos -- foi amplamente divulgada nas mídias sociais e nas primeiras páginas dos jornais, mas suscitou um debate sobre se a publicação da foto era de bom gosto.

O relatório da EJN recomenda que as organizações de mídia não se apressem em publicar uma imagem simplesmente porque ela se tornou viral. Os editores precisam dar um passo atrás e considerar se precisam fornecer contexto adicional (como a identidade do fotógrafo ou informações cruciais que são ausentes da imagem) primeiro.

3. Como lidar corretamente com fontes e verificar notícias online.

O relatório da RJE inclui um extenso guia sobre como os jornalistas podem lidar melhor com as suas fontes de informação. Ao tentar estabelecer um bom relacionamento com uma fonte, o guia exorta os jornalistas a considerar algumas das seguintes questões: 

  • Os jornalistas devem ser totalmente transparentes sobre suas intenções e garantir que sua fonte entenda as condições da entrevista.

  • Se entrevistar uma pessoa jovem ou vulnerável, o jornalista deve garantir que a fonte compreenda as consequências da publicação das informações que eles dão.

O guia também inclui perguntas que os jornalistas devem se fazer ao lidar com fontes anônimas, bem como dicas sobre o que fazer se os jornalistas são pressionados a revelar suas fontes ou compartilhar seu conteúdo com fontes antes da publicação.

Como muitos jornalistas agora utilizam as mídias sociais como fonte de informações, o relatório inclui um guia para verificar postagens, vídeos, imagens e outros conteúdos da web. Entre as dicas:

  • Verificar que não há nenhuma maneira que uma imagem ou vídeo da mídia social foi alterado (por exemplo, com Photoshop).

  • Identificar e, em seguida, entrar em contato com a fonte original do conteúdo de mídia social, a fim de corroborar de onde o conteúdo veio e se realmente mostra o que pretende mostrar.

Além do relatório da RJE, mais dicas sobre a verificação da mídia social podem ser encontradas no Manual de Verificação, que também está disponível em português, espanhol e árabe

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Barry Solow

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