Parte 2: Como iniciar e avançar na criação de gráficos usando ferramentas gratuitas

byFhoutine Marie
Aug 17, 2020 in Reportagem sobre COVID-19
Dataviz na pandemia: parte 2

Esta é a segunda parte do workshop sobre dataviz no Fórum de Reportagem sobre a Crise Global de Saúde. Para ler a primeira parte com um panorama dos gráficos sobre COVID-19, clique aqui.

A segunda parte do workshop “Dataviz em tempos de pandemia”, realizado pelo Fórum de Reportagem sobre a Crise Global de Saúde nos dias 12 e 13 de agosto, foi dedicada à apresentação de ferramentas para elaboração de gráficos. Os palestrantes, Rodolfo Almeida (designer de dados da Kunumi) e Renata Hirota (jornalista de dados do Volt Data Lab) mostraram diferentes recursos divididos por níveis de dificuldades. Eles também fizeram alguns exercícios práticos para demonstrar suas possibilidades de uso.

A recomendação dos jornalistas é que antes de lançar mão do arsenal de ferramentas disponíveis online para a elaboração de um gráfico é fundamental pensar qual é o objetivo dele, para o que ele serve. 

 

 

Veja a seguir os principais pontos abordados no segundo dia do workshop.

Escolha do melhor tipo de gráfico

· “A gente tem sempre que se perguntar, dependendo do tipo de dado que a gente tem, exatamente o que está tentando mostrar”, diz Almeida. “Se o seu dado for uma série histórica, algo evoluindo ao longo do tempo (como o número de casos de COVID-19) ou a ocorrência de um evento (quando acontece a explosão de alguma coisa, em que frequência ela acontece, duração desse evento)... A depender da natureza do seu dado o tipo de gráfico que você vai usar pode chamar atenção para uma ou outra diferente.”

· Existem algumas ferramentas online que podem ajudar quem está começando a trabalhar agora com gráficos e não sabe muito bem que tipo de gráfico usar para cada dado, como o Dataviz Catalogue. “Você pode buscar tanto por lista (e ver todos os gráficos que eles têm) como por função (ver pra que eles servem)”, explica. “Entrando em um dos gráficos, ele dá um exemplo e mostra mais ou menos a anatomia do dado que o compõem.”

· Outro site indicado é o Dataviz Project, que também possui busca por funções e mostra o formato do dado. “Aqui a gente tem vários tipos de visualização, inclusive ele foca mais em infográfico”, recomenda. “Outra opção mais recente é o blog Flowing Data... É mais um catálogo que traz algumas reflexões interessantes sobre cada gráfico.”

Ferramentas para todos os níveis

· Entre as ferramentas mais básicas estão aquelas em que se trabalha diretamente com a tabela, como Excel, Open Office e Google Spreadsheets. “São ferramentas que a gente trabalha olhando a tabela e que possuem prós e contras. Por ser uma tabela, por você estar olhando a planilha, você consegue ver o dado enquanto mexe nele ao vivo. Isso te permite mudar as coisas de maneira muito mais intuitiva, do jeito que a gente usa computadores”, diz Almeida. Segundo os dois jornalistas, essas opções possuem um custo de aprendizagem mais baixo e permitem o básico no tratamento de dados.

· Entre as desvantagens dessas aplicações mais básicas estão a dificuldade no controle de de erros e a memória (datasets pequenos). “Pensando no contexto dos gráficos de COVID-19, que a gente está fazendo muito e que muitas vezes são gráficos parecidos, mudam só os dados com que você está alimentando os gráficos. Isso é bem importante porque você acaba tendo que refazer todo o trabalho cada vez que você vai fazer um gráfico novo”, diz Hirota.

· No grupo das intermediárias foram apresentadas soluções mais voltadas para a visualização: RAW Graphs, Datawrapper, Flourish, Playfair, Tableau e Infogram. Conforme explica Almeida, “as vantagens são que elas rodam no navegador, não precisa instalar nada, são gratuitas, têm um bons suporte, tem FAQ, seção de ajuda, tudo bem documentado pra você conseguir utilizar. E elas permitem algumas visualizações mais complexas, mais sofisticadas e mais fora daquele gráfico de barra e de pizza do Excel.”

· As ferramentas listadas como avançadas possuem um custo de aprendizagem bem alto, mas possuem vantagens como terceirizar tarefas repetitivas para o computador, permitir identificar e corrigir erros, além de oferecer muitas opções de customização. Segundo os jornalistas, não é impossível de aprender. Para quem quiser se embrenhar nesse meio, tem comunidades muito ricas e muito abertas de pessoas que compartilham materiais educativos relacionados. Entre essas opções estão: R, Python, Adobe Illustrator, d3.js e qGIS.


Fhoutine Marie é jornalista e cientista política. Paraense radicada em São Paulo, trabalha como jornalista e pesquisadora freelancer com foco nas áreas de gênero, raça e movimentos sociais. Twitter: @DraFufu

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